Nas extensas rotas que cruzam o interior do Brasil, os trens começam a aprender a se mover com mais sabedoria do que força. A VLI introduziu a condução semiautônoma em suas composições ferroviárias, alcançando uma redução de 8% no consumo de diesel e evitando a emissão de 9,3 mil toneladas de CO2 em pouco mais de um ano. Esse avanço, acompanhado por iniciativas semelhantes da Vale e da Rumo, revela um setor que começa a compreender que a eficiência não é apenas uma virtude econômica — é também uma responsabilidade com o futuro.
Condução semiautônoma reduz consumo de diesel em 8% nas ferrovias
Eficiência energética e competitividade não são objetivos em conflito
Por que a redução de 8% em consumo de diesel importa tanto? Parece um número modesto.
Porque é operacional e escalável. A VLI usou essa tecnologia em 60% das viagens em 14 meses e economizou 4 milhões de litros. Multiplique isso por todas as ferrovias do país.
Mas precisamos ser precisos: essa redução de 8% é uma média entre dois corredores diferentes. O corredor norte teve 3,5% esperado, o leste-sudeste teve 7%. Qual foi o resultado real em cada um?
A fonte diz que o resultado "superou as expectativas", mas não detalha por corredor. Sabemos que a média geral foi 8%.
E quanto ao custo da implementação? Quanto custou desenvolver e instalar essa tecnologia?
A fonte não menciona investimento inicial ou custo de implementação. Sabemos apenas o resultado em economia de combustível.
Exato. Sem saber o custo, não podemos avaliar o retorno real do investimento. É um dado importante que está faltando.
As outras operadoras — Vale e Rumo — estão usando a mesma tecnologia?
Não. A Vale está focando em etanol e em aumentar a capacidade das vias. A Rumo aumentou o tamanho dos trens de 120 para 135 vagões. São estratégias diferentes para o mesmo objetivo.
E isso é importante notar: não há uma solução única. A VLI apostou em automação, a Rumo em composições maiores, a Vale em combustíveis alternativos. Cada uma tem seu próprio caminho.
Qual dessas abordagens é mais promissora a longo prazo?
A fonte não permite essa conclusão. Cada empresa tem metas diferentes — VLI quer 15% até 2030, Vale quer zerar emissões até 2050. São horizontes distintos.
E nenhuma delas atingiu a meta ainda. São promessas futuras baseadas em resultados parciais de hoje.
Der Puls
- A pressão por descarbonização no setor logístico é crescente, e as ferrovias brasileiras respondem com tecnologia: a condução semiautônoma da VLI superou as metas iniciais de economia de combustível em ambos os corredores testados.
- Em 14 meses de operação, 4 milhões de litros de diesel foram poupados — uma escala que transforma números ambientais abstratos em impacto mensurável e competitivo.
- Vale e Rumo ampliam o movimento: juntas, as duas operadoras reduziram o consumo em 23 milhões de litros no último ano, com estratégias que vão de trens mais longos a estudos sobre etanol como combustível alternativo.
- O setor ainda mira horizontes mais distantes — a VLI quer 15% de redução até 2030, e a Vale planeja emissões zero em suas ferrovias até 2050, sinalizando que as mudanças atuais são apenas o começo de uma transformação estrutural.
Nas extensas rotas que cruzam o interior do Brasil, os trens começam a aprender a se mover com mais sabedoria do que força. A VLI introduziu a condução semiautônoma em suas composições ferroviárias, alcançando uma redução de 8% no consumo de diesel e evitando a emissão de 9,3 mil toneladas de CO2 em pouco mais de um ano. Esse avanço, acompanhado por iniciativas semelhantes da Vale e da Rumo, revela um setor que começa a compreender que a eficiência não é apenas uma virtude econômica — é também uma responsabilidade com o futuro.
Nos últimos três anos, a VLI vem operacionalizando uma tecnologia que coloca o software no comando parcial dos trens. A condução semiautônoma é ativada quando a composição ultrapassa 8 quilômetros por hora e passa a ajustar aceleração, frenagem e velocidade de forma contínua, calculando o trajeto mais eficiente. O resultado superou as expectativas: redução média de 8% no consumo de diesel em dois corredores críticos — um ligando Tocantins ao Porto de Itaqui, outro conectando Espírito Santo a Santos.
Quando os testes começaram em 2023, a empresa projetava economias de 7% e 3,5% nos dois corredores. Os números reais foram além. Entre maio de 2024 e julho de 2026, a tecnologia foi usada em cerca de 60% das viagens, poupando 4 milhões de litros de diesel e evitando mais de 9,3 mil toneladas de CO2. Alessandro Gama, diretor-executivo de tecnologia da VLI, afirma que a descarbonização é hoje um fator de competitividade — não apenas uma obrigação ambiental. A meta da empresa é atingir 15% de redução nas emissões até 2030.
A Vale, operadora das ferrovias Carajás e Vitória a Minas, registrou seu melhor desempenho em eficiência energética na última década, reduzindo o consumo em 11 milhões de litros de diesel no ano passado — equivalente ao abastecimento de 245 mil veículos. A empresa também desenvolve, em parceria com a Wabtec, estudos sobre o uso de etanol em locomotivas. Já a Rumo, maior operadora ferroviária do país, melhorou 3% em eficiência energética, economizando 12 milhões de litros, ao adotar trens com mais vagões e vias preparadas para cargas mais pesadas.
O que esses números revelam é um setor em transformação coordenada. Condução autônoma, composições maiores, combustíveis alternativos — nenhuma iniciativa resolve o desafio sozinha, mas juntas apontam para uma direção clara: no Brasil, eficiência energética e competitividade logística estão deixando de ser objetivos distintos para se tornarem, cada vez mais, a mesma meta.
Nos últimos três anos, a VLI vem testando e operacionalizando uma tecnologia que deixa o maquinista em segundo plano — não completamente, mas o suficiente para fazer diferença. A condução semiautônoma de trens, ativada por software quando a composição ultrapassa 8 quilômetros por hora, ajusta aceleração, frenagem e velocidade de forma contínua, analisando a dinâmica da via e calculando o trajeto mais eficiente. O resultado é concreto: redução média de 8% no consumo de diesel em dois corredores logísticos críticos — um ligando Tocantins ao Porto de Itaqui, outro conectando Espírito Santo ao porto de Santos.
Quando os testes começaram em 2023, a empresa esperava economizar 7% no corredor leste-sudeste e 3,5% no corredor norte. Os números reais superaram essas projeções. Entre maio de 2024 e julho de 2026, a tecnologia foi utilizada em aproximadamente 60% das viagens, gerando uma economia de 4 milhões de litros de diesel. Essa redução no consumo evitou a emissão de mais de 9,3 mil toneladas de dióxido de carbono — uma métrica que importa cada vez mais em um setor sob pressão para descarbonizar.
A VLI, que opera a Ferrovia Norte-Sul e a Ferrovia Centro-Atlântica além de terminais intermodais, já havia reduzido as emissões de gases de efeito estufa provenientes do diesel de locomotivas em 12,5% no ano passado em relação a 2020. A meta é chegar a 15% de redução até 2030. Alessandro Gama, diretor-executivo de planejamento, engenharia e tecnologia da empresa, afirma que a agenda de descarbonização é fator de competitividade nas operações logísticas do país, e que tecnologias como essa potencializam resultados positivos.
A VLI não está sozinha nessa trajetória. A Vale, operadora das ferrovias Carajás e Vitória a Minas, conseguiu reduzir o consumo de diesel em 11 milhões de litros no ano passado — volume suficiente para abastecer os tanques de 245 mil veículos. Esse desempenho foi o melhor em eficiência nos últimos dez anos, segundo a empresa, que planeja zerar as emissões de CO2 em suas ferrovias até 2050. A Vale e a Wabtec Corporation, fabricante de locomotivas, estão desenvolvendo estudos sobre o uso de etanol nos trens entre Cariacica, no Espírito Santo, e Belo Horizonte.
A Rumo, maior operadora de ferrovias do país, registrou melhoria de 3% em eficiência energética no ano passado em relação a 2024, representando redução de 12 milhões de litros de diesel. A empresa adotou trens com 135 vagões em vez dos 120 anteriores, e ampliou a capacidade da via para suportar vagões mais pesados — de 126,6 para 130 toneladas por unidade. Cada composição passou a transportar mais de 17 mil toneladas, ante as 15 mil toneladas dos trens menores.
O que emerge desses números é um setor em movimento. A condução semiautônoma é uma peça de um quebra-cabeça maior: composições maiores, vias mais robustas, estudos para combustíveis alternativos. Nenhuma dessas iniciativas resolve o problema sozinha, mas juntas elas traçam uma direção clara. O setor ferroviário brasileiro está descobrindo que eficiência energética e competitividade não são objetivos em conflito — são o mesmo objetivo visto de ângulos diferentes.
Bemerkenswerte Zitate
A agenda de descarbonização é um fator de competitividade nas operações logísticas no país— Alessandro Gama, diretor-executivo de planejamento, engenharia e tecnologia da VLI