Compras na Shein e Temu ficam mais caras a partir de 1 de julho com nova taxa aduaneira

Quanto mais diversidade de produtos, mais se paga
A taxa aduaneira é calculada por categoria, não pelo valor total, criando custos cumulativos em compras variadas.

A partir de 1 de julho de 2026, a União Europeia encerra uma era de compras sem fronteiras fiscais, impondo uma taxa fixa de três euros por categoria de produto em encomendas de baixo valor provenientes de fora do bloco. O que durante anos permitiu que quase seis mil milhões de artigos entrassem na Europa sem qualquer direito aduaneiro — alimentando o crescimento de plataformas como Shein, Temu e AliExpress — é agora reconhecido como uma distorção do mercado e um risco para a segurança dos consumidores. Bruxelas apresenta a medida como temporária e corretiva, mas o seu impacto no quotidiano de milhões de europeus será imediato e concreto.

  • Uma isenção aduaneira que durava há anos termina abruptamente a 1 de julho, apanhando consumidores, plataformas e operadores logísticos em plena fase de adaptação.
  • Mais de 60% dos produtos de baixo valor que entravam na UE sem controlo não respeitavam normas de segurança europeias — rótulos em falta, ingredientes proibidos, documentação inexistente.
  • A taxa acumula por categoria de produto, não por encomenda: um haul variado da Shein ou Temu pode gerar rapidamente 15 euros ou mais em direitos aduaneiros, ainda antes do IVA.
  • As plataformas são legalmente responsáveis pelo pagamento, mas nada as impede de repercutir o custo nos consumidores — a transparência no momento da compra é a única garantia exigida por lei.
  • Os CTT alertam para constrangimentos operacionais nos primeiros meses e pedem que encomendas pendentes sejam desalfandegadas antes de 29 de junho para aliviar a pressão.
  • A medida vigora até 2028, enquanto a infraestrutura aduaneira digital da UE não fica operacional — um protecionismo declarado, com custos reais para o consumidor e benefícios prometidos em segurança.

No dia 1 de julho, uma mudança discreta mas de grande alcance transforma as compras online de milhões de europeus. A União Europeia põe fim à isenção aduaneira que permitia a entrada de produtos de baixo valor — até 150 euros — sem qualquer taxa. Em 2025, quase 5,9 mil milhões de artigos atravessaram as fronteiras europeias sem pagar um cêntimo em direitos aduaneiros. Essa realidade chegou ao fim.

A nova regra, acordada em dezembro de 2025 e aprovada formalmente em fevereiro, estabelece uma taxa fixa de três euros por categoria de produto, à qual acresce IVA. A lógica não é sobre o valor total da compra, mas sobre a diversidade do que se compra: cinco t-shirts equivalem a uma categoria e custam três euros em taxa; juntar um relógio sobe para seis euros. Um carrinho típico com ténis, calças, biquíni, blusa e brincos pode acumular 15 euros ou mais só em direitos aduaneiros. Susana Correia, jurista da Deco, sublinha que não existe teto máximo.

A Comissão Europeia justifica a medida com dois argumentos: a isenção criava concorrência desleal face aos retalhistas europeus, e os produtos que entravam sem controlo representavam riscos reais — inspeções revelaram que mais de 60% não cumpriam normas de segurança da UE. Mário Jorge, bastonário da Ordem dos Despachantes Oficiais, enquadra a medida como protecionista, no sentido mais literal: proteger o mercado interno e garantir que o que chega cumpre regras.

Quem paga é tecnicamente o vendedor ou importador, mas a lei não proíbe que as plataformas transfiram o custo para o consumidor. O que é obrigatório é que a informação seja visível antes de concluir a compra — não uma surpresa à chegada da encomenda. Os CTT já alertaram para possíveis atrasos nos primeiros meses e pediram que encomendas pendentes sejam tratadas antes de 29 de junho.

A medida é temporária, válida até 2028, enquanto a plataforma aduaneira digital da UE não fica operacional. O conselho aos consumidores é direto: verifique todas as taxas antes de comprar, confirme onde os produtos estão armazenados e, se receber uma cobrança surpresa, reclame. A lei está do seu lado.

No próximo dia 1 de julho, uma mudança silenciosa mas significativa entra em vigor nas compras online que fazem todos os dias milhões de europeus. Aquela capa de telemóvel barata da Shein, a ventoinha portátil da Temu, o vestido novo da AliExpress — tudo isto vai ficar mais caro. A União Europeia está a pôr fim a uma isenção aduaneira que vigorava há anos, permitindo que produtos de baixo valor entrassem no bloco sem qualquer taxa. No ano passado, apenas em 2025, quase 5,9 mil milhões de artigos atravessaram as fronteiras europeias sem pagar um cêntimo em direitos aduaneiros. Essa era a realidade que Bruxelas decidiu que já não podia continuar.

A partir de quarta-feira, entra em vigor uma taxa fixa de três euros por categoria de produto em todas as encomendas de fora da União que não ultrapassem os 150 euros. Sobre este valor ainda incide IVA. A medida foi acordada pelo Conselho da UE em dezembro de 2025 e aprovada formalmente em fevereiro, mas agora torna-se realidade. A Comissão Europeia justifica a mudança com duas razões principais: a isenção anterior criava uma "concorrência desleal" entre as plataformas chinesas e os retalhistas tradicionais europeus, e os produtos que chegavam sem controlo aduaneiro representavam riscos de segurança. Inspeções realizadas na UE descobriram que mais de 60% destes artigos de baixo valor não respeitavam as normas de segurança europeias — faltavam rótulos, continham ingredientes proibidos ou careciam de documentação adequada.

Mas como é que isto funciona na prática? A resposta não é simples, porque a taxa não é calculada sobre o valor total da compra, mas sobre o número de categorias diferentes de produtos. Se comprar cinco t-shirts, paga três euros — todos os artigos pertencem à mesma categoria. Se adicionar um relógio ao carrinho, passa a pagar seis euros, porque agora tem duas categorias. Um haul típico da Shein ou Temu, com ténis, calças, biquíni, blusa e brincos, pode acumular rapidamente 15 euros ou mais apenas em direitos aduaneiros, sem contar com o IVA que incide sobre tudo isto. Susana Correia, jurista da Deco, explica que não existe um limite máximo: quanto mais diversidade de produtos, mais se paga.

A questão de quem paga é tecnicamente clara mas praticamente ambígua. A Comissão Europeia insiste que a taxa aduaneira é responsabilidade do "declarante da mercadoria" — o vendedor ou importador — e não uma cobrança direta aos consumidores. No entanto, Susana Correia reconhece que a lei não proíbe que as plataformas repassem este custo aos clientes. O que é obrigatório é que a informação seja transparente no momento da compra, não como uma surpresa à porta de casa quando a encomenda chega. Os CTT, responsáveis pelo desalfandegamento em Portugal, já alertam para possíveis constrangimentos operacionais e tempos de processamento mais longos nos primeiros meses.

A medida é apresentada como temporária, válida apenas até 1 de julho de 2028. Bruxelas explica que é uma solução transitória enquanto a plataforma de dados aduaneiros da UE não fica operacional. Mário Jorge, bastonário da Ordem dos Despachantes Oficiais, enquadra isto como uma medida protecionista — serve para proteger o mercado interno europeu e garantir que os produtos importados cumprem regras, algo que até agora não acontecia. Susana Correia, da Deco, reconhece o lado positivo: produtos mais seguros chegam aos consumidores europeus. Mas também reconhece o lado negativo: o bolso dos consumidores vai sentir o impacto.

O que esperar nos próximos dias? Constrangimentos são esperados. Mário Jorge admite que é "provável e normal" haver algum tempo de adaptação, especialmente porque todas as partes — plataformas, autoridades aduaneiras, operadores logísticos — estão a ajustar-se simultaneamente. Os CTT já pediram aos clientes que processem o desalfandegamento de encomendas pendentes até 29 de junho para aliviar a pressão. A recomendação geral aos consumidores é simples: antes de concluir uma compra, certifique-se de que vê claramente todas as taxas que vai pagar, confirme onde os produtos estão armazenados e considere o impacto total no preço final. Se receber uma fatura surpresa, reclame. A lei está do seu lado.

A isenção já não reflete a realidade do mercado
— Comissão Europeia
Não podemos ter consumidores a serem confrontados com cobranças inesperadas à porta de casa
— Susana Correia, Deco
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Porque é que a UE decidiu fazer isto agora, depois de tantos anos a permitir estas compras sem taxas?

Model

Porque a realidade mudou completamente. Há cinco ou dez anos, eram poucas encomendas. Agora são quase 6 mil milhões por ano. As plataformas chinesas cresceram exponencialmente, e isso criou um desequilíbrio — os retalhistas tradicionais europeus estão a competir contra empresas que não pagam direitos aduaneiros.

Inventor

Mas a UE diz que é uma medida temporária. Porquê?

Model

Porque estão a trabalhar numa reforma aduaneira maior. Querem criar uma plataforma digital centralizada para gerir todos os dados aduaneiros da UE. Isto é apenas uma solução transitória até essa infraestrutura estar pronta, provavelmente em 2028.

Inventor

E quanto à segurança? Isso é realmente um problema?

Model

Sim, é. Mais de 60% destes produtos não respeitam as normas europeias. Faltam rótulos, há ingredientes proibidos, documentação em falta. O problema é que estes artigos vêm quase diretamente do fabricante na China, saltando passos importantes de controlo que os produtos tradicionais têm.

Inventor

Quem é que vai pagar isto no fim? Os consumidores ou as plataformas?

Model

Tecnicamente, as plataformas. Mas a lei não proíbe que repassem o custo aos clientes. O que é obrigatório é transparência — tem de aparecer no carrinho antes de pagar, não como uma surpresa quando a encomenda chega à porta.

Inventor

Como é que isto vai funcionar na prática? Três euros por produto?

Model

Não, por categoria. Se comprar cinco t-shirts, são três euros. Se adicionar um relógio, passa a seis. Um haul típico com vários tipos de artigos pode acumular rapidamente 15 ou 20 euros só em taxas, sem contar com IVA.

Inventor

E as empresas que compram em grande volume? Elas também vão pagar?

Model

Não. O comércio tradicional entre empresas já passa pela alfândega convencional e não é afetado. Isto é apenas para as compras de consumidores em plataformas como Shein, Temu e AliExpress.

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