Em 1993, uma chacina que ceifou 21 vidas em Vigário Geral não foi apenas uma tragédia — foi o momento em que o jornalista Zuenir Ventura, então com 62 anos, decidiu nomear a fratura invisível que dividia o Rio de Janeiro entre o cartão postal e o cotidiano da morte. O livro que nasceu desse impulso, 'Cidade Partida', tornou-se um documento histórico sobre como a desigualdade pode ser, ao mesmo tempo, econômica e fatal. Décadas depois, a obra segue como bússola para quem deseja compreender as contradições de uma metrópole que ainda carrega suas feridas abertas.
Como Zuenir Ventura criou 'Cidade Partida', clássico sobre violência no Rio
A cidade partida entre o cartão postal e a barbárie
Por que um livro de 1993 ainda importa tanto? Parece coisa do passado.
Porque a divisão que Ventura documentou não desapareceu. A chacina de Vigário Geral foi o gatilho, mas o que ele investigou — a desigualdade radical, a morte normalizada — continua estruturando a cidade.
Mas precisamos ser cuidadosos: o livro é de 1993, a chacina é de 1993. Quanto tempo Ventura levou para transformar aquela reportagem em livro? Quando foi publicado exatamente?
A fonte não especifica a data de publicação, apenas que a apuração começou no final de 1993. É um detalhe importante que ficou de fora.
E quanto à recepção? Como as pessoas reagiram quando o livro saiu?
A fonte diz que se tornou um clássico, mas não oferece detalhes sobre crítica, vendas ou reação imediata. Sabemos que é referência agora, mas como chegou lá?
Exatamente. "Clássico" é uma afirmação retrospectiva. Precisaríamos de mais contexto sobre como a obra foi recebida na época e como ganhou esse status.
Ventura tinha 62 anos quando começou. Isso importa?
Importa porque sugere experiência, maturidade jornalística. Ele não era um jovem repórter — era alguém com décadas de carreira investigando a própria cidade.
Mas a fonte não diz nada sobre a carreira anterior de Ventura, sobre por que ele especificamente estava posicionado para fazer esse trabalho. Há um vazio ali.
E a série da TV Folha — é uma celebração ou uma reavaliação?
Parece ser uma celebração, um reconhecimento de importância histórica. Mas novamente, a fonte é breve demais para dizer se há crítica, se há questionamento do que Ventura deixou de fora.
El Pulso
- A chacina de Vigário Geral em 1993 matou 21 pessoas e sacudiu a consciência de um jornalista que vivia na mesma cidade que fingia não ver.
- Ventura mergulhou nas comunidades pobres do Rio para revelar o abismo entre a cidade das praias famosas e a cidade das balas perdidas.
- O que era para ser uma grande reportagem cresceu até se tornar um livro que nomeou a fratura estrutural do Rio — e do Brasil.
- Décadas depois de publicado, 'Cidade Partida' permanece referência obrigatória, prova de que o jornalismo pode resistir ao esquecimento que o poder impõe.
- A série 'Painel das Letras', da TV Folha, reacende o debate sobre a obra, mantendo viva sua lição sobre o papel social do jornalismo.
Em 1993, uma chacina que ceifou 21 vidas em Vigário Geral não foi apenas uma tragédia — foi o momento em que o jornalista Zuenir Ventura, então com 62 anos, decidiu nomear a fratura invisível que dividia o Rio de Janeiro entre o cartão postal e o cotidiano da morte. O livro que nasceu desse impulso, 'Cidade Partida', tornou-se um documento histórico sobre como a desigualdade pode ser, ao mesmo tempo, econômica e fatal. Décadas depois, a obra segue como bússola para quem deseja compreender as contradições de uma metrópole que ainda carrega suas feridas abertas.
No fim de 1993, uma chacina em Vigário Geral — favela na zona norte do Rio — matou 21 pessoas e sacudiu Zuenir Ventura, então com 62 anos. Para ele, o crime não foi apenas mais um episódio de violência: foi o momento em que se tornou impossível continuar olhando para o Rio sem enxergar sua outra face.
Ventura passou a documentar sistematicamente a vida nas periferias cariocas, contrastando-a com a imagem que a cidade vendia ao mundo — as praias, a bossa nova, o cartão postal. Havia, porém, um Rio paralelo, onde a violência era tão rotineira quanto invisível para quem vivia do lado de fora dos morros.
O resultado foi 'Cidade Partida', obra que se consolidou como clássico do jornalismo brasileiro. Ventura não moralizou nem simplificou: ele nomeou a fratura que separava o Rio turístico do Rio das chacinas e da morte sistemática de jovens pobres e negros, transformando reportagem em documento histórico.
Recentemente, a série 'Painel das Letras', da TV Folha, dedicou um episódio ao livro, reafirmando sua relevância para compreender o Rio de Janeiro contemporâneo. Publicados semanalmente nas redes sociais e no YouTube da Folha, os vídeos mantêm viva a conversa sobre obras que continuam ensinando o que o jornalismo pode fazer quando decide iluminar o que o poder prefere deixar na sombra.
No final de 1993, o jornalista Zuenir Ventura tinha 62 anos quando um acontecimento brutal o impulsionou a investigar a realidade que sua cidade natal tentava esconder. Uma chacina em Vigário Geral, favela na zona norte do Rio de Janeiro, deixou 21 pessoas mortas. O crime não foi apenas um episódio isolado de violência — foi o catalisador que levou Ventura a mergulhar fundo no cotidiano de uma metrópole dilacerada por desigualdade e morte.
O que começou como uma grande reportagem se transformou em algo maior. Ventura passou a documentar sistematicamente a vida nas comunidades pobres do Rio, contrastando-a com a imagem que a cidade projetava para o mundo: a bossa nova, as praias famosas, o cartão postal que atraía turistas e investimentos. Mas havia outra Rio, invisível nos guias turísticos, onde a violência era tão cotidiana quanto o pão de cada dia.
O resultado dessa apuração minuciosa foi o livro "Cidade Partida", que se consolidou como um clássico da literatura jornalística brasileira. A obra não apenas documentou a barbárie que pulsava nas periferias cariocas — ela nomeou a fratura fundamental da cidade, aquela que separava o Rio dos cartões postais do Rio das balas perdidas, das chacinas, da morte sistemática de jovens pobres e negros. Ventura conseguiu fazer algo que poucos jornalistas conseguem: transformar reportagem em documento histórico, em registro que permanece relevante décadas depois de sua publicação.
A importância de "Cidade Partida" vai além do jornalismo bem feito. O livro se tornou referência obrigatória para quem quer entender o Rio de Janeiro contemporâneo, suas contradições, suas feridas abertas. Ventura não moralizou, não simplificou. Ele mostrou a complexidade de uma cidade onde a desigualdade não era apenas econômica — era também uma questão de vida e morte.
Recentemente, a série "Painel das Letras", produzida pela TV Folha e apresentada pelo colunista e editor Walter Porto, dedicou um episódio a essa obra fundamental. A série, que recomenda livros de ficção e não ficção recém-lançados, reconhece em "Cidade Partida" um trabalho que continua ensinando lições sobre como o jornalismo pode iluminar as realidades que as estruturas de poder preferem manter na sombra. Os vídeos da série são publicados semanalmente nas redes sociais e no canal da Folha no YouTube, mantendo viva a conversa sobre obras que marcaram a história do país.
Citas Notables
Ao narrar a desigualdade que dividia o Rio de Janeiro entre o cartão postal da bossa nova e um painel de barbárie varrida para baixo do tapete, Ventura deixou registrada uma 'Cidade Partida'— Folha de S.Paulo