Como usar inteligência artificial para planejar viagens melhores

Pense nisso como trabalhar com uma pessoa inteligente
Ethan Mollick explica por que a IA exige instruções detalhadas para planejar viagens bem.
Mark

Por que a IA é tão ruim em planejar viagens se consegue fazer coisas muito mais complexas?

Mimi

Não é que seja ruim —é que a gente não está pedindo direito. Um prompt genérico gera uma resposta genérica. Você precisa dar detalhes pessoais, contexto, suas preferências específicas.

Luke

Mas isso não é um problema da IA em si? Se você precisa fazer tanto trabalho para preparar o prompt, talvez seja mais fácil pesquisar sozinho.

Mimi

Justo. Mas o ponto é que uma vez que você investe nesse trabalho inicial, o bot consegue iterar com você, fazer perguntas de acompanhamento, refinar o roteiro muito mais rápido do que você faria sozinho.

Mark

E quanto aos erros? O texto menciona que o Gemini recomendou lugares fechados.

Luke

Isso é crítico. O bot não tem acesso real à internet em tempo real. Ele trabalha com dados de treinamento que podem estar desatualizados. Não é uma alucinação no sentido de inventar coisas do nada —é mais como ter informações antigas.

Mimi

Exatamente. Por isso você sempre precisa verificar independentemente. O bot é uma ferramenta para acelerar a pesquisa, não para substituir o bom senso.

Mark

E as diferenças entre ChatGPT, Gemini e Claude? Qual é melhor?

Luke

Depende de quais sites você confia. O ChatGPT tem parceria com o Eater, por exemplo. O Gemini tem acesso ao Reddit. Claude não tem acesso a nenhum dos dois. Não há um vencedor universal.

Mimi

E as versões pagas funcionam melhor que as gratuitas?

Luke

Segundo o texto, sim —mais profundas, mais rápidas, menos propensas a desistir. Mas isso é um custo adicional que nem todo mundo quer pagar.

  • ChatGPT, Gemini e Claude foram testados em roteiros fictícios de cinco dias em São Paulo e Nova York
  • Versões pagas dos chatbots funcionam mais profundamente e com menos erros que versões gratuitas
  • O Gemini recomendou um restaurante e um lugar para música ao vivo que já estavam fechados
  • O Claude alucionou duas padarias que eram na verdade um estacionamento e um restaurante japonês
  • ChatGPT tem acesso ao Eater; Gemini e Claude não conseguem pesquisar o site diretamente

Chatbots como ChatGPT, Gemini e Claude podem planejar viagens bem, mas exigem prompts detalhados e específicos, não genéricos. A IA tem acesso limitado à internet; alguns sites bloqueiam bots, enquanto outros têm parcerias exclusivas com empresas específicas.

Guia prático sobre como escrever prompts eficazes para chatbots planejarem viagens. Especialistas explicam que a IA funciona melhor com instruções detalhadas, mas tem limitações de acesso a dados e pode cometer erros.

A inteligência artificial consegue vasculhar documentos jurídicos complexos, resolver equações matemáticas intratáveis e gerar imagens retrô tão convincentes que poderiam estampar capas de álbuns do Bon Jovi. Mas peça a um chatbot para montar um roteiro de cinco dias em Roma e o resultado é frequentemente genérico, desinspirado, às vezes simplesmente errado. A razão não está na tecnologia em si, mas em como a usamos.

Ethan Mollick, professor da Wharton School que estuda inteligência artificial e seu impacto na sociedade, oferece uma perspectiva útil: os chatbots não são oráculos. Funcionam mais como uma pessoa inteligente que você está orientando através de instruções. Quanto melhor você articula o que quer, melhor será a resposta. Para testar essa teoria, o autor desta reportagem criou dois roteiros fictícios de cinco dias —um para São Paulo, outro para Nova York— e colocou três assistentes de IA à prova: ChatGPT, Gemini e Claude, testando tanto versões gratuitas quanto pagas. As versões pagas tenderam a ser mais profundas, mais rápidas e menos propensas a desistir no meio do caminho. O resultado foi impressionante o bastante para merecer atenção, embora não convincente o suficiente para abandonar completamente as velhas técnicas de planejamento —dicas de amigos, guias de papel, madrugadas de pesquisa online.

A primeira lição é óbvia mas frequentemente ignorada: capriche nos detalhes. Um prompt genérico como "planeje um fim de semana em Chicago para alguém que gosta de museus e boa comida" produz respostas genéricas. Quem não gosta de boa comida? Especialistas repetem o mantra: perguntas genéricas geram respostas genéricas. Pior ainda, essas recomendações vagas tornam-se vulneráveis à manipulação por empresas que otimizam seus conteúdos para aparecer nas respostas dos modelos generativos —uma prática em crescimento que espelha a velha otimização para mecanismos de busca. Para obter resultados personalizados, alimente o bot com detalhes específicos: seus gostos de viagem, os objetivos desta viagem em particular, conselhos que já coletou de amigos. Uma estratégia eficaz é compilar um perfil pessoal de viagem em um documento —alguns parágrafos sobre suas preferências e sua filosofia de viagem— que você fornece ao assistente. Além disso, compartilhe qualquer pesquisa que já tenha feito usando suas fontes favoritas de informação turística. O bot incorporará essas sugestões ao roteiro ou explicará por que não se encaixam.

Outra tática poderosa é pedir ajuda ao próprio bot para melhorar seus prompts. Em cada etapa, pergunte se há algo que você possa fazer para deixar seu pedido mais claro. Quando o Gemini foi questionado sobre a viagem a Nova York, sugeriu cinco perguntas de acompanhamento —uma delas sobre disposição de passar horas se deslocando até bairros distantes mas interessantes. Para São Paulo, em vez de um itinerário dia a dia, o autor pediu quatro listas separadas: atividades, restaurantes, vida noturna e hospedagem, cada uma com opções em excesso. Depois agrupou os resultados em conjuntos geograficamente coerentes. Essa abordagem iterativa funcionou muito bem.

Mas aqui está o problema fundamental: a inteligência artificial não tem livre acesso à internet. Muitos sites —incluindo o The New York Times, que processou a OpenAI por violação de direitos autorais— bloqueiam o acesso dos bots. Outros têm acordos exclusivos com empresas específicas. O ChatGPT e o Gemini têm acesso total ao Reddit, uma excelente fonte de dicas de viagem, enquanto o Claude não tem. Os bots não conseguem necessariamente ver todas as avaliações do Tripadvisor nem o conteúdo completo de muitas publicações sobre viagem e gastronomia. É como contratar um chef brilhante que só pode fazer compras em uma 7-Eleven. Para saber se um bot consegue pesquisar suas fontes confiáveis, cite um site que você gosta e pergunte se ele tem acesso. O ChatGPT, por exemplo, tem parceria com o Eater, enquanto Claude e Gemini não conseguem pesquisá-lo diretamente. Você também pode verificar as fontes pedindo ao bot que cite as URLs que usou.

E então estão as alucinações —erros que os bots cometem com confiança perturbadora. O Gemini, que se vangloria de ter acesso ao Google Maps e às avaliações de usuários, recomendou um restaurante e um lugar para ouvir música ao vivo que já estavam fechados. O Claude recomendou duas padarias brasileiras tradicionais que, quando verificadas no Google Maps, revelaram-se ser um estacionamento e um restaurante japonês. O ChatGPT não cometeu erros perceptíveis durante os testes, mas isso não significa que não houvesse algum escondido. A regra é simples: verifique de forma independente cada lugar que planeja visitar.

Para quem planeja usar IA regularmente no planejamento de viagens, vale a pena usar o recurso Projetos disponível no ChatGPT e no Claude —uma forma de manter uma conversa contínua sobre viagens de lazer, separada de outras consultas. Leva apenas um ou dois cliques para configurar, e você pode usar o projeto durante a viagem para fazer ajustes de última hora ou fornecer feedback depois para melhorar os resultados da próxima vez. Pense nos chatbots como ferramentas muito inteligentes mas falíveis que funcionam melhor com instruções longas, detalhadas e bastante contestadas. Isso não significa abandonar seus recursos de viagem já testados pelo tempo, mas usá-los para alimentar o bot e mantê-lo honesto —ou, pelo menos, tão honesto quanto um assistente virtual pode ser.

Eles não são oráculos. Pense nisso como trabalhar com uma pessoa inteligente.
— Ethan Mollick, professor da Wharton School
Você está 100% correto, e eu mereço completamente ficar no banco pelo restante desta sessão de planejamento.
— Gemini, após ser confrontado sobre recomendação de restaurante fechado
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