Frio aumenta risco de infarto: entenda os mecanismos e como se proteger

Doenças cardiovasculares causam aproximadamente 17,9 milhões de óbitos anuais globalmente, com um terço ocorrendo prematuramente em pessoas menores de 70 anos.
O sangue fica mais espesso, mais propenso a formar coágulos
Explicação do mecanismo fisiológico que torna o inverno perigoso para o coração.

A cada inverno, o corpo humano enfrenta uma convergência silenciosa de forças — fisiológicas, ambientais e virais — que elevam o risco de infartos e AVCs de maneira documentada e previsível. O frio contrai vasos, engrossa o sangue e ativa o sistema de alerta do organismo; vírus como a gripe multiplicam esse perigo em mais de cinco vezes. Com 17,9 milhões de mortes cardiovasculares por ano no mundo, o inverno não cria a vulnerabilidade — ele a revela.

  • O frio ativa o sistema nervoso simpático, liberando adrenalina que eleva a pressão arterial e contrai os vasos, tornando o sangue mais espesso e propenso a coágulos.
  • Para quem já tem artérias comprometidas, essa combinação pode ser fatal — o fluxo ao coração diminui exatamente quando o esforço cardíaco aumenta.
  • A gripe potencializa o risco em 5,4 vezes e a Covid-19 provoca inflamação que acelera o acúmulo de placas nas artérias, ampliando a janela de perigo nas semanas após a infecção.
  • Fatores secundários do inverno — queda de vitamina D, sedentarismo, maior consumo calórico e poluição concentrada — convergem para um cenário de vulnerabilidade acumulada.
  • A vacinação contra gripe, o agasalho adequado e hábitos saudáveis mantidos ao longo do ano são as principais ferramentas de proteção disponíveis e acessíveis.

Quando as temperaturas caem, o coração enfrenta desafios que a maioria das pessoas não percebe imediatamente. O inverno está associado a um aumento real de infartos e AVCs — eventos que matam cerca de 17,9 milhões de pessoas por ano no mundo, um terço delas com menos de 70 anos.

O mecanismo é direto: o ar frio ativa o sistema nervoso simpático, desencadeando a liberação de adrenalina e noradrenalina, que elevam a pressão arterial e contraem os vasos sanguíneos. O sangue fica mais viscoso e propenso a coágulos. Para quem tem artérias já comprometidas, essa combinação é perigosa — o fluxo ao coração diminui enquanto o esforço cardíaco aumenta. O cardiologista Jairo Lins Borges, consultor da Libbs Farmacêutica, resume a diferença: artérias saudáveis se adaptam; artérias bloqueadas não.

O frio não age sozinho. No inverno, o corpo produz mais substâncias coagulantes, os níveis de vitamina D caem, o sedentarismo aumenta e a poluição atmosférica se concentra — tudo favorecendo o acúmulo de placas nas artérias. Quando vírus respiratórios entram em cena, o risco se multiplica. Uma meta-análise de mais de 11 mil estudos mostrou que a gripe aumenta em 5,4 vezes o risco de infarto e em 4,7 vezes o de AVC, por meio de inflamação que acelera o entupimento dos vasos.

A prevenção exige disciplina contínua: manter-se aquecido, vacinar-se contra gripe, praticar atividade física, evitar tabaco e moderar o álcool. Borges reforça que a saúde cardiovascular não é uma questão sazonal — o inverno apenas amplifica riscos que já existem o ano todo.

Quando as temperaturas caem, o corpo enfrenta desafios que a maioria das pessoas não associa imediatamente ao coração. Mas a chegada do inverno traz consigo um aumento real e documentado de infartos e acidentes vasculares cerebrais — eventos que, globalmente, matam cerca de 17,9 milhões de pessoas por ano, com um terço dessas mortes ocorrendo prematuramente, em indivíduos menores de 70 anos.

O mecanismo é fisiológico e direto. Quando você respira ar frio, seu corpo ativa o sistema nervoso simpático, aquele que prepara o organismo para situações de emergência. Essa ativação desencadeia a liberação de substâncias como adrenalina e noradrenalina, neurotransmissores que elevam a pressão arterial e fazem os vasos sanguíneos se contraírem. Simultaneamente, a viscosidade do sangue aumenta — ele fica mais espesso, mais propenso a formar coágulos. Para quem tem artérias já comprometidas, essa combinação é perigosa. Os vasos se fecham, o fluxo de sangue para o coração diminui, e o risco de infarto cresce significativamente. Pessoas com o coração saudável conseguem compensar esse esforço; aquelas com obstruções nas artérias não.

Mas o frio não age sozinho. Durante os meses mais frios, o corpo produz naturalmente mais substâncias que facilitam a coagulação. Ao mesmo tempo, os níveis de vitamina D caem — deficiência essa associada a risco cardiovascular elevado. As pessoas tendem a comer mais calorias, a se mover menos, e o colesterol no sangue sobe. A poluição atmosférica, que se concentra mais no inverno, acelera o acúmulo de placas de colesterol nas paredes das artérias. Tudo converge para um cenário de maior vulnerabilidade.

O cardiologista Jairo Lins Borges, consultor médico da Libbs Farmacêutica, resume a diferença crucial: para quem tem artérias desobstruídas, inalar ar frio aumenta o fluxo sanguíneo de forma saudável, ajudando o coração a bombear mais sangue e manter os órgãos vitais aquecidos. Para pacientes com artérias bloqueadas, o mesmo ar frio causa redução do fluxo nas coronárias, levando a irrigação insuficiente e possível dano cardíaco.

A situação piora quando vírus respiratórios entram em cena. Uma meta-análise que avaliou mais de 11 mil estudos mostrou que gripe e Covid-19 estão entre os principais vírus capazes de desencadear infartos e AVCs. A gripe, especificamente, aumenta em 5,4 vezes o risco de infarto e em 4,7 vezes o risco de AVC. O mecanismo envolve inflamação: o vírus provoca uma resposta inflamatória que induz o acúmulo de placas de colesterol nos vasos. Essas artérias bloqueadas podem desenvolver coágulos que, soltos na corrente sanguínea, causam novos entupimentos em vasos ligados ao coração ou ao cérebro. A janela de risco é maior nos primeiros dias ou semanas após a infecção.

A prevenção passa por hábitos que parecem óbvios mas exigem disciplina constante. Manter-se aquecido no inverno é essencial para quem tem condições cardíacas. Mais importante ainda é cultivar hábitos saudáveis durante todo o ano: alimentação adequada, atividade física regular, abandono do tabagismo e moderação no álcool. A vacinação contra gripe reduz significativamente o risco de infarto ou AVC, especialmente em pessoas com doenças cardíacas já diagnosticadas. Borges enfatiza que o fundamental é entender que a saúde cardiovascular não é uma questão sazonal — o inverno apenas amplifica riscos que já existem. Proteger o coração no frio é protegê-lo o ano todo.

Para pessoas com o coração saudável e artérias desobstruídas, inalar ar frio significa um aumento saudável do fluxo sanguíneo. Porém, em pacientes com artérias bloqueadas, o ar frio causa redução do fluxo sanguíneo nas artérias coronárias, levando a irrigação menor e possível dano ao coração.
— Jairo Lins Borges, cardiologista e consultor médico da Libbs Farmacêutica
Se você tem uma condição cardíaca, é muito importante se manter aquecido no inverno. Mas o fundamental é ter hábitos saudáveis durante todo o ano.
— Jairo Lins Borges
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o frio afeta especificamente o coração e não outros órgãos com a mesma intensidade?

Model

O coração é uma bomba que trabalha contra a resistência dos vasos. Quando eles se contraem no frio, a pressão sobe e o coração precisa fazer mais força. Outros órgãos sofrem, mas o coração está sempre em atividade — não pode parar, não pode descansar.

Inventor

Se o sangue fica mais espesso no inverno, por que o corpo faz isso? Parece contraproducente.

Model

É uma resposta evolutiva. O corpo tenta reduzir a perda de calor contraindo os vasos periféricos e aumentando a coagulação para evitar hemorragias em caso de ferimento no frio. Funcionava bem quando nossos ancestrais caçavam na neve. Hoje, com artérias já comprometidas, essa proteção vira armadilha.

Inventor

A gripe aumentar em 5,4 vezes o risco de infarto parece um número muito alto. Como isso é possível?

Model

A inflamação causada pelo vírus não é local — é sistêmica. Ela danifica o revestimento dos vasos, desestabiliza as placas de colesterol que já estão lá, e o corpo responde formando coágulos. É como um incêndio que você não vê, mas que compromete toda a estrutura.

Inventor

Se a vitamina D cai no inverno, por que não simplesmente suplementar?

Model

Suplementação ajuda, mas não resolve tudo. A vitamina D é apenas uma peça. O problema é que no inverno tudo conspira junto — menos movimento, mais comida calórica, mais poluição, menos luz solar. Você não pode compensar um com suplemento.

Inventor

Então basicamente, o inverno é perigoso para o coração?

Model

Para quem tem fatores de risco, sim. Para quem tem hábitos saudáveis e artérias limpas, o inverno é apenas mais um desafio que o corpo consegue enfrentar. A diferença está no que você fez nos meses anteriores.

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