Como me tornei a velha do legado: uma jornada de propósito e transformação

Estava grávida do meu legado
A metáfora que Goldenberg usa para descrever como a responsabilidade do Unicef transformou sua reflexão em ação.
Mark

O que mudou quando ela aceitou esse papel no Unicef? Parece um ponto de virada real.

Mimi

Sim. Ela diz que a pergunta sobre legado a perseguiu. Mas o convite em julho foi o momento em que deixou de ser uma reflexão abstrata e virou uma responsabilidade concreta. Daí o sonho, a epifania.

Luke

Mas o sonho é dela, certo? Não é um fato verificável. É uma metáfora pessoal de como ela processou a decisão.

Mimi

Exato. É a forma dela de contar como a ideia se enraizou. O legado deixou de ser teórico.

Mark

E a Casa da Bela Velhice — isso já existe ou está sendo construído?

Mimi

Está sendo construído. Ela fala sobre isso como um projeto em andamento, parte do patrimônio que está organizando.

Luke

Então não é um lugar físico ainda, é um conceito que ela está desenvolvendo.

Mimi

Certo. É um espaço que ela imagina, que quer criar.

Mark

Por que ela insiste tanto em "bela velhice"? Parece ser a palavra-chave.

Mimi

Porque ela passou a vida lutando contra a velhofobia. A ideia é que envelhecer não é declínio, é invenção. É brincadeira.

Luke

E ela deixa claro que não sabe se vai funcionar. Ela mesma diz que tem mais perguntas que respostas.

Mimi

Sim. Há uma honestidade nisso. Ela não está prometendo resultados. Está dizendo: estou plantando sementes, e não sei se vão crescer.

  • Um convite inesperado em julho de 2026 acendeu em Mirian Goldenberg a urgência de transformar uma vida inteira de reflexão em algo que sobreviva a ela.
  • A incerteza a mantém acordada: será que seu legado chegará às crianças de hoje antes que elas se tornem os idosos de amanhã, ainda presos aos mesmos preconceitos que ela combate?
  • Para responder, ela começa a catalogar décadas de livros, diários, aulas e conferências, enquanto ergue a Casa da Bela Velhice como espaço concreto de transformação.
  • O projeto desafia a ideia de que envelhecer é declínio, propondo que cada fase da vida pode ser reinventada com coragem, autonomia e ternura.
  • No Dia Internacional das Pessoas Idosas, Goldenberg se proclama 'a velha do legado' — não como título, mas como compromisso público com as gerações que ainda estão crescendo.

Em um tempo em que viver mais não significa necessariamente viver melhor, a antropóloga Mirian Goldenberg aceita o convite do Unicef para ser Apoiadora de Alto Perfil e transforma essa honra em pergunta existencial: o que deixamos para aqueles que ainda estão chegando? Ao organizar décadas de pesquisa, ensino e militância contra a velhofobia, ela aposta que o verdadeiro legado não é um arquivo, mas uma forma de encarar o tempo — como brincadeira ainda por inventar.

No ano passado, Mirian Goldenberg gravou um vídeo para o Unicef sobre legado e longevidade. A pergunta do roteiro era simples, mas ela reconhece que mudou o rumo de sua vida: por que falar de legado quando vivemos mais tempo? Porque essa longevidade traz a chance de construir algo que importe tanto para nós quanto para a humanidade.

Em 21 de julho de 2026, veio o convite para ser Apoiadora de Alto Perfil do Unicef. Ela aceitou sem hesitar. Naquela noite, sonhou que estava grávida — feliz, segurando com delicadeza uma barriguinha que desabrochava. Ao acordar, compreendeu a metáfora: estava grávida do próprio legado.

Desde então, passou a organizar seu patrimônio material e imaterial — livros, diários, colunas, vídeos, aulas, palestras. Está construindo a Casa da Bela Velhice. Mas as perguntas ainda superam as respostas: qual é, afinal, seu legado? A paixão pela antropologia? A luta contra a velhofobia? O amor pelas crianças de mais idade? Uma frase de Rubem Alves a orienta: só quem contempla a beleza é capaz de endurecer sem perder a ternura.

O que mais lhe rouba o sono é a incerteza: seu legado conseguirá transformar o mundo das crianças de hoje, que serão os velhos de amanhã? No legado que quer deixar está a ideia de que não há um único caminho para viver cada idade — e que é preciso coragem para não obedecer às prisões que nos dizem como devemos ser. A Casa da Bela Velhice será um lugar para ensinar a amar, brincar e escutar, mostrando que envelhecer não é chegar ao fim, mas uma brincadeira ainda por inventar. Neste 1º de outubro, Dia Internacional das Pessoas Idosas, nasceu a velha do legado.

No ano passado, Mirian Goldenberg gravou um vídeo para o Unicef sobre transformação e legado. A pergunta que estruturava o roteiro era simples, mas ela mesma reconhece agora que mudou o rumo de sua vida: por que falar de legado quando estamos vivendo mais tempo? Porque essa longevidade traz consigo a chance de construir algo que importe tanto para nós quanto para a humanidade inteira.

Em julho deste ano, veio o convite que a levaria a transformar essa reflexão em ação. No dia 21, foi convidada a ser Apoiadora de Alto Perfil do Unicef. Aceitou sem hesitar. Naquela noite, dormiu e sonhou que estava grávida — feliz, segurando com delicadeza uma barriguinha que começava a desabrochar. No sonho, perguntou a si mesma se agora, além de ser uma velha sem vergonha, uma antropóloga malcomportada e a primeira representante da Mônica 60+, seria também a velha do legado. Quando acordou, compreendeu: estava grávida do seu próprio legado.

Desde então, começou a organizar seu patrimônio material e imaterial. São muitos livros, diários, colunas, vídeos, entrevistas, aulas, palestras e conferências. Está construindo a Casa da Bela Velhice. Mas as perguntas ainda superam as respostas. Qual é seu legado? A paixão pela antropologia? A arte de pesquisar? Os alunos e alunas? Os livros? Os diários? A luta contra a velhofobia? A obsessão de inventar uma bela velhice? O amor incondicional pelas crianças de mais idade?

Uma frase de Rubem Alves a ajuda a pensar: "Lutam melhor os que têm sonhos belos. Somente aqueles que contemplam a beleza são capazes de endurecer sem nunca perder a ternura." Como uma guerreira que brinca como criança, o que mais a rouba o sono é a incerteza: seu legado conseguirá transformar o mundo das crianças de hoje, que serão os velhos de amanhã?

No legado que quer deixar, está o desejo de criar, escrever, pesquisar, pensar, ensinar, aprender, inventar, escutar, brincar, cuidar das crianças e também dos velhos. Quer deixar a ideia de que não há um único caminho para ser criança, adolescente, jovem, adulto ou velho. Que é preciso coragem e autonomia para não obedecer às prisões que limitam como devemos viver em cada idade. Quer deixar a certeza de que envelhecer não é chegar ao fim, mas uma brincadeira a ser inventada no dia a dia.

A Casa da Bela Velhice será um lugar para ensinar a amar, brincar e escutar bonito, mostrando que é possível envelhecer sem perder a criança que nunca deixamos de ser. Está construindo um legado para manter vivos seus projetos e sonhos de mudar o mundo. Se isso permanecer, terá encontrado a forma mais bonita de não desaparecer. Neste 1º de outubro, Dia Internacional das Pessoas Idosas, nasceu a velha do legado.

Estou construindo um legado para manter vivos meus projetos e sonhos de mudar o mundo. Se isso permanecer, terei encontrado a forma mais bonita de não desaparecer.
— Mirian Goldenberg
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