Com virada no segundo turno, Lula é reeleito para quarto mandato e inicia disputa por sucessão e tensões no Judiciário

Lula virou no segundo turno o que nenhum candidato conseguira desde 1989
Lula largou atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e venceu o segundo com 51,73% dos votos válidos.
Mark

Lula venceu por pouco mais de três pontos. Por que isso é tratado como virada tão rara?

Mimi

Porque ele ficou atrás no primeiro turno, 47,03% a 45,16%, e ainda assim ganhou. Desde 1989 nenhum candidato havia feito isso. Dilma, em 2014, tinha chegado em primeiro.

Mark

E o adiamento da votação por duas horas?

Mimi

Foi inédito. A campanha do PT reclamou de problemas no transporte público em dez estados, incluindo São Paulo e Bahia. Zanin determinou o prolongamento e Nunes Marques o seguiu.

Luke

Vale separar o que está confirmado. O adiamento aconteceu. Mas a leitura de que Nunes Marques demorou a agir por viés é a avaliação do texto, não um fato comprovado.

Mark

Os bolsonaristas contestaram?

Mimi

Nas redes, de imediato. Mas ministros de cortes superiores descartam anulação.

Luke

Note que isso são fontes não identificadas e uma expectativa, não uma decisão formal.

Mark

E sobre Trump?

Mimi

O governo temia ingerência, mas na prática ele nada fez por Flávio. A suspeita ficou com a Meta, investigada pelo TSE.

Luke

Investigação não é conclusão. Não sabemos se houve tratamento diferenciado de fato.

Mark

O que vem agora?

Mimi

Dois meses de transição, Judiciário dividido, Senado mais à direita e a sucessão de Lula em aberto.

  • A apuração foi apertada do começo ao fim, com a liderança trocando de mãos e comemorações de rua em São Paulo antes do resultado definitivo.
  • A votação foi suspensa por duas horas, algo inédito, após denúncias de falhas no transporte público em dez estados, o que gerou acusações imediatas de bolsonaristas contra a decisão.
  • Lula precisa agora construir maioria num Senado mais à direita, conter a pressão do mercado por gastos e administrar a divisão entre ministros no Judiciário.
  • Flávio Bolsonaro, derrotado e sem mandato, enfrenta investigações financeiras, enquanto Tarcísio de Freitas já se posiciona para 2030.

Num domingo de outubro de 2026, o Brasil confirmou nas urnas que Luiz Inácio Lula da Silva seguirá na Presidência por mais quatro anos, em uma virada que a história nacional só registrara uma vez antes, em 1989. Ao vencer Flávio Bolsonaro com 51,73% dos votos válidos, depois de ficar atrás no primeiro turno, o presidente aos 80 anos ganhou o quarto mandato e reabriu uma pergunta antiga: até onde pode ir a polarização de um país que insiste em decidir-se por pouco. O resultado não encerra a disputa, apenas a transfere para o Congresso, o Judiciário e a sucessão que já começa a se desenhar.

Na noite de domingo, o Tribunal Superior Eleitoral confirmou o que as pesquisas já indicavam: Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, foi reeleito presidente com 51,73% dos votos válidos, batendo o senador Flávio Bolsonaro. É o quarto mandato do petista, algo inédito na história do país, e a primeira virada no segundo turno desde a redemocratização, depois de Flávio ter vencido a primeira rodada.

O dia da votação foi marcado por tensão. A votação foi adiada em duas horas por problemas no transporte público em dez estados, entre eles São Paulo e Bahia, após reclamações da campanha petista. A decisão de prolongar a votação gerou questionamentos imediatos nas redes bolsonaristas, embora ministros de cortes superiores descartem qualquer anulação do pleito.

A campanha teve viradas. Lula começou sereno e só reagiu perto do fim, com medidas como a proibição das bets e o reajuste do Bolsa Família, além de uma polêmica religiosa que ajudou a atrair mulheres de periferia e católicos. Após atritos com aliados, trocou o comando e entregou a estratégia digital a André Janones, que liderou um canal de WhatsApp com mais de 10 milhões de seguidores. Flávio apostou no antipetismo e na crise no Judiciário, e chegou a sugerir mudanças constitucionais depois de vencer a primeira rodada.

O risco do retorno de um Bolsonaro mobilizou a esquerda e os centristas que votaram em Lula em 2022. Estudantes lideraram manifestações autônomas, com ato de grande porte na avenida Paulista no sábado anterior à votação.

Agora, o presidente eleito tem dois meses até a posse para reduzir tensões. Precisará lidar com o tarifaço americano, com um Congresso mais à direita e com o mau humor do mercado diante dos gastos públicos. Diferentemente de 2022, não haverá boa vontade para uma PEC de largada. No campo adversário, Flávio perde espaço e enfrenta investigações, enquanto Tarcísio de Freitas se prepara para 2030. Para Lula, sem direito a novo mandato, começa a organização da sucessão. A polarização deve ganhar nuances, mas seguirá viva.

Na noite deste domingo (25), às 21h10, o Tribunal Superior Eleitoral confirmou o que o Datafolha já havia projetado: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, foi reeleito presidente da República. É o quarto mandato do petista, feito inédito na história do país. Com 95,73% das urnas apuradas, Lula tinha 51,73% dos votos válidos, contra 48,27% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que, segundo o instituto, já não conseguia alcançá-lo. Em 2022, Lula havia vencido o pai do rival, Jair Bolsonaro, por 50,9% a 49,1%.

A vitória veio como virada. No primeiro turno, Flávio ficou à frente, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula. A Folha lembra que é a primeira vez, desde o primeiro pleito direto da redemocratização, em 1989, que um candidato vira no segundo turno depois de largar em segundo. Em 2014, Dilma Rousseff venceu Aécio Neves depois de aparecer atrás nas pesquisas do segundo turno, mas ela havia chegado em primeiro na rodada inicial. Lula, que completa 81 anos na terça (27), é o ocupante mais idoso da história do cargo e soma sete disputas presidenciais, com quatro vitórias.

O dia da votação foi tenso. O Supremo Tribunal Federal adiou, de forma inédita, a votação em todo o país por duas horas, depois que a campanha do PT reclamou de obstáculos à liberação do transporte público em dez estados, entre eles São Paulo e Bahia. O problema fora apontado desde cedo, mas o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE e ligado ao bolsonarismo, não agiu. Quem determinou o prolongamento foi o ministro Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, e o colega o seguiu. Bolsonaristas questionaram a decisão de imediato nas redes, mas ministros de cortes superiores descartam a hipótese de anulação do pleito. A apuração também foi apertada, com a liderança alternando entre os candidatos e gerando comemorações com fogos e gritos em cidades como São Paulo.

A campanha do segundo turno teve mudanças de rumo. Lula adotou de início um tom mais sereno e só reagiu perto do fim, com anúncios como a proibição das bets e o reajuste do Bolsa Família, além da polêmica envolvendo Nossa Senhora, que ajudaram a impulsionar o voto entre mulheres de periferia e católicos. Depois de uma primeira semana de atritos com aliados, o presidente trocou o comando da campanha e entregou a estratégia digital ao deputado André Janones (Rede-MG), que montou o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, com mais de 10 milhões de seguidores na eleição. Flávio tentou bloquear o canal com ajuda do presidente do TSE; houve idas e vindas, e o canal funcionou até o fim. Já o senador apostou no antipetismo e na crise na cúpula do Judiciário, ligada ao caso Master e ao cancelamento do debate da TV Globo antes do primeiro turno. Vencedor da primeira rodada, falou como eleito e chegou a sugerir uma mudança constitucional para “redemocratizar o Brasil”.

O risco da volta de um Bolsonaro ao poder mobilizou a esquerda e os centristas que votaram em Lula em 2022. Começando pelos estudantes, o segundo turno teve grandes manifestações, mais orgânicas e sem a organização tradicional dos sindicatos. No sábado (24), a mobilização chegou ao auge na avenida Paulista. Os rivais se enfrentaram ainda em dois debates ao vivo, na Band e na Globo, o segundo na sexta (23), mais comedido que o primeiro.

O presidente eleito tem dois meses até a posse, em janeiro, para tentar reduzir as tensões. Um foco do governo é Donald Trump, próximo do bolsonarismo: integrantes do governo temiam que ele agisse em favor de Flávio, mas na prática ele nada fez. A suspeita de ingerência recaiu sobre a Meta, investigada pelo TSE por tratamento diferenciado a conteúdos de Lula. Resta saber se o pragmatismo na negociação sobre o tarifaço americano será mantido. Lula deve contar com PSD, de Gilberto Kassab, MDB e alas do centrão, mas enfrenta a divisão entre ministros lulistas e bolsonaristas no Judiciário, um Senado mais à direita, onde pedidos de impeachment de ministros podem ser apresentados, e o mau humor do mercado com os gastos. Diferentemente de 2022, não haverá boa vontade no Congresso para uma PEC de largada.

A derrota abre disputa no bolsonarismo. Flávio, que perderá espaço sem mandato, é investigado por pedidos de dinheiro para a cinebiografia “Dark Horse” e por lavagem de dinheiro com bets. Tarcísio de Freitas, reeleito governador de São Paulo no primeiro turno sobre Fernando Haddad, está na linha de largada para 2030. Para Lula, sem direito a novo mandato após 2030, começa a organização da sucessão, que passa pelo vice Geraldo Alckmin e pelo PSB. A polarização, avalia o texto, deve ganhar nuances, mas seguirá viva.

Ministros de cortes superiores descartam a hipótese de anulação do pleito.
— Folhapress, via Paraíba Online
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