Com Margem Equatorial ainda distante, Petrobras intensifica descobertas na costa do Sudeste

Só o tempo vai dizer o potencial de petróleo
O economista Cleveland Prates, da FGV, ressalva que as descobertas ainda dependem de avaliação para provar seu valor.
Mark

Por que uma descoberta no pós-sal da Bacia de Campos importa se a atenção está na Margem Equatorial?

Mimi

Porque a Bacia de Campos já tem infraestrutura, e isso reduz custos. A Petrobras quer investir US$ 23 bilhões ali até 2029, e uma estrutura nova perto de Tartaruga Verde reforça essa estratégia.

Mark

É a quarta descoberta no Sudeste este ano. Qual é o padrão?

Mimi

Búzios em fevereiro, Norte de Brava em março, Aram em maio e agora Sudoeste de Tartaruga Verde. A empresa quer repor reservas antes que o pré-sal chegue ao pico, no começo da próxima década.

Luke

Mas descoberta não é reserva comprovada nem produção. A própria Petrobras diz que as amostras ainda vão ao laboratório. Ainda não se sabe o volume do Sudoeste de Tartaruga Verde.

Mark

As fontes dizem que o óleo é de qualidade excelente.

Luke

São fontes não identificadas, e a empresa não divulgou esse dado. Vale tratar como informação atribuída, não confirmada.

Mimi

Os 230 milhões de barris citados são do campo de Tartaruga Verde, estimativa original, não do novo achado.

Luke

Exato. E os 29 bilhões de barris de Aram também são uma estimativa, sem detalhe de quem a fez.

Mark

E o petróleo a US$ 60 muda algo?

Mimi

Faz as empresas priorizarem projetos mais rentáveis, e áreas com infraestrutura levam vantagem. Água Marinha é a próxima a observar.

  • Um poço perfurado a 734 metros de profundidade trouxe à superfície a confirmação de óleo numa região onde ninguém esperava encontrá-lo.
  • A quarta descoberta do ano na Região Sudeste aumenta a pressão sobre a estatal e acende expectativas no mercado.
  • As amostras seguem para análises laboratoriais que vão medir reservatórios e fluidos, e o potencial do bloco ainda não está definido.
  • Com o petróleo perto de US$ 60 o barril, a Petrobras aposta em revitalizar campos maduros e prevê investir US$ 23 bilhões até 2029.
  • O mercado já aguarda a próxima notícia, vinda do bloco Água Marinha, e o resultado dos testes deve dizer se a aposta compensa.

Num território onde o mar guarda há décadas a memória da riqueza brasileira, a Petrobras anunciou a descoberta de petróleo no pós-sal da Bacia de Campos, a 108 quilômetros da costa fluminense, em lâmina d'água de 734 metros. A descoberta, a quarta da estatal na Região Sudeste neste ano, sugere que campos já conhecidos ainda podem revelar camadas inesperadas. Como toda promessa vinda do subsolo, ela ainda depende do silêncio paciente dos laboratórios para dizer o que realmente vale.

A Petrobras informou na segunda-feira que encontrou petróleo no pós-sal da Bacia de Campos, em um poço exploratório do bloco Sudoeste de Tartaruga Verde. O poço fica a 108 quilômetros da costa de Campos dos Goytacazes, em lâmina d'água de 734 metros. Dentro da companhia, segundo uma fonte, a notícia foi recebida com comemoração.

É a quarta descoberta da estatal na Região Sudeste neste ano. As amostras seguirão para laboratório, onde serão caracterizados os reservatórios e os fluidos encontrados. A Petrobras opera o bloco com 100% de participação, adquirido em 2018. Para o geólogo Pedro Zalan, o poço revelou uma estrutura nova na parte sudoeste, funcionando como uma continuação do campo de Tartaruga Verde, que já produz.

As descobertas anteriores formam uma sequência: óleo em Búzios, no pré-sal de Norte de Brava e no bloco Aram, em Santos. Agora, o mercado aguarda o anúncio no bloco Água Marinha, onde a perfuração indica ótimos resultados.

O cenário é de petróleo perto de US$ 60 o barril, o que leva as empresas a priorizar projetos mais rentáveis. A Petrobras pretende investir US$ 23 bilhões até 2029 na Bacia de Campos. Especialistas lembram que a revitalização de campos maduros já dá bons resultados a outras empresas, mas ressaltam que só o tempo dirá o real potencial da nova área.

A Petrobras informou na segunda-feira que encontrou petróleo no pós-sal da Bacia de Campos, em um poço exploratório do bloco Sudoeste de Tartaruga Verde. O poço fica a 108 km da costa de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, em lâmina d'água de 734 metros. Segundo uma fonte, a notícia foi comemorada dentro da companhia e tratada como importante.

É a quarta descoberta da estatal na Região Sudeste neste ano. As amostras seguirão para análises laboratoriais, que, nas palavras da empresa, permitirão caracterizar as condições dos reservatórios e dos fluidos encontrados e dar continuidade à avaliação do potencial da área. A Petrobras opera o bloco com 100% de participação. Ele foi adquirido em setembro de 2018, na 5ª Rodada de Partilha de Produção. Fontes ouvidas pelo jornal afirmam que o óleo das descobertas mais recentes é de qualidade excelente.

Para o geólogo Pedro Zalan, o poço revelou uma estrutura nova na parte sudoeste, onde não se conhecia petróleo, e funciona como uma espécie de continuação do campo de Tartaruga Verde, que já produz. Na declaração de comercialidade enviada à ANP, a Petrobras estimou originalmente cerca de 230 milhões de barris de óleo equivalente para o campo. Zalan chamou a descoberta de relevante e de ótima notícia para a estatal.

As outras três descobertas do ano seguem uma linha do tempo. Em fevereiro, a companhia achou óleo na região oeste do campo de Búzios, onde tem 88,98%, ao lado das chinesas CNOOC (7,34%) e CNPC (3,67%). Em março, foi a vez do pré-sal do bloco Norte de Brava, na Bacia de Campos, adquirido em dezembro de 2022 e com 100% da Petrobras. Em maio, veio o anúncio no bloco Aram, no pré-sal da Bacia de Santos, comprado em março de 2020 em parceria com a CNPC, que tem 20%. A presidente da empresa, Magda Chambriard, disse então que Aram já somava duas descobertas. A estimativa citada é de 29 bilhões de barris para o bloco, vizinho de Bumerangue, da britânica BP, onde a empresa anunciou sua maior descoberta de petróleo e gás em 25 anos.

O mercado já espera um quinto anúncio: o bloco Água Marinha, no pré-sal da Bacia de Campos, que a Petrobras opera com a TotalEnergies e a QatarEnergy. A área fica ao sul do campo de Marlim Sul e, segundo fontes, a perfuração tem indicado ótimos resultados.

O contexto é de petróleo pouco acima de US$ 60 o barril, o que leva empresas a racionalizar projetos e priorizar os mais rentáveis. Segundo fontes e especialistas, as descobertas reforçam os investimentos na região e dão fôlego a novos aportes e à distribuição de royalties e participação especial. A Petrobras pretende investir US$ 23 bilhões até 2029 na Bacia de Campos, incluindo novas unidades de produção. Áreas com infraestrutura instalada costumam ter custos menores que fronteiras novas.

Rivaldo Moreira Neto, da A&M Infra, lembra que empresas privadas como PRIO e BW compram campos maduros no entorno de Tartaruga Verde e obtêm bons resultados com a revitalização. A Petrobras também investe em Marlim e Albacora, projetos que, segundo ele, não competem com a Margem Equatorial e andam em paralelo. O economista Cleveland Prates, da FGV, vê possível reflexo em investimentos e royalties, mas ressalva que só o tempo dirá o potencial.

A Margem Equatorial segue como aposta de longo prazo: no mês passado a Petrobras iniciou a perfuração do primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas e planeja outro no litoral do Rio Grande do Norte. A empresa quer garantir novas reservas antes que o pré-sal atinja o pico, no início da próxima década. Agora, o que se espera são os resultados do laboratório em Tartaruga Verde e a confirmação de Água Marinha.

É descoberta relevante, uma ótima notícia para a Petrobras.
— Pedro Zalan, geólogo
Só o tempo vai dizer o potencial de petróleo.
— Cleveland Prates, economista da FGV
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