Com Lula, dólar cai quase 10% em seis meses e Ibovespa sobe 8,38% no ano

O dólar chegou a R$ 4,7584, o menor valor em mais de um ano
A cotação mínima da segunda-feira, 26 de junho de 2023, marcou a continuidade da queda da moeda americana.
Mark

O dólar caiu quase 10% no ano. O que isso diz, afinal?

Mimi

Que os investidores estão mais confiantes no Brasil. O dólar chegou a R$ 4,7584 na segunda-feira, o menor valor em mais de um ano, e o Ibovespa sobe 8,38% em 2023.

Mark

E o que está por trás disso?

Mimi

Quatro coisas principais: a expectativa de corte da Selic, que está em 13,75%, a revisão para cima do crescimento, o avanço do arcabouço fiscal e ações que estavam baratas e voltaram a subir.

Luke

Preciso separar o que está confirmado do que é expectativa. A queda do dólar e a alta da bolsa são números. Já o corte a partir de agosto é aposta de parte do mercado, não decisão do Copom, que inclusive adotou tom mais duro.

Mark

O rating também entrou nessa conta?

Mimi

Sim. A S&P elevou a perspectiva do Brasil de estável para positiva na semana anterior. Isso não é aumento de nota, é mudança de perspectiva.

Luke

Outra ressalva: o texto atribui o desempenho ao governo Lula, mas ele mesmo lista fatores externos, como a estabilização dos juros lá fora. Quanto pesa cada um, a reportagem não mede.

Mark

E o arcabouço fiscal resolve a questão da dívida?

Mimi

Não por completo. O texto diz que ele não basta para controlar a dívida no longo prazo, mas afasta cenários de instabilidade extrema.

Luke

E ainda não foi aprovado no Senado. Tudo isso pode mudar conforme a votação e as decisões do Copom.

  • O dólar despencou quase 10% no ano e tocou R$ 4,7584, o menor patamar em mais de doze meses, numa corrida silenciosa dos investidores.
  • A Selic de 13,75% pesa como uma âncora, e o mercado aposta que ela cairá já a partir de agosto, apesar de um Copom que ainda soa duro.
  • J.P. Morgan, Goldman Sachs e Citi reviram suas projeções para cima, e a S&P elevou a perspectiva do rating brasileiro para positiva.
  • O arcabouço fiscal já passou pela Câmara e agora disputa espaço no Senado, enquanto o Ibovespa acumula alta de 8,38% e tudo depende das próximas decisões do Copom.

Num fim de junho de 2023, o real ganha terreno diante do dólar e a bolsa paulista sobe com fôlego, como se o país tivesse encontrado, por um instante, uma respiração mais longa. A moeda americana chegou a R$ 4,7584, a menor cotação em mais de um ano, sustentada pela expectativa de que os juros altos, hoje em 13,75%, comecem a recuar a partir de agosto. Essa esperança se apoia em um crescimento do PIB acima do previsto, no arcabouço fiscal que avança no Congresso e numa confiança ainda frágil, que depende de decisões futuras do Banco Central e do Senado.

Na segunda-feira, 26 de junho de 2023, o dólar abriu em queda pelo segundo dia útil seguido e chegou a ser negociado a R$ 4,7584 nas mínimas do pregão, a cotação mais baixa em mais de um ano. Na sexta-feira anterior, a moeda americana já acumulava recuo de 9,59% frente ao real no ano. Do outro lado do termômetro, o Ibovespa subia 8,38% no período e atingia seus níveis mais altos recentes.

O humor do mercado se explica por três fatores. O primeiro é a expectativa de que a Selic, hoje em 13,75%, comece a cair. O boletim Focus mostra parte dos agentes apostando em cortes a partir de agosto, mesmo após um Copom de tom mais duro, apoiados em medições de inflação mais favoráveis. O segundo é o PIB do primeiro trimestre, que superou as previsões e levou bancos como J.P. Morgan, Goldman Sachs e Citi a revisar suas projeções para cima. Na semana anterior, a S&P também elevou a perspectiva do rating brasileiro para positiva.

O terceiro fator é o arcabouço fiscal. Aprovado pela Câmara, o texto segue para o Senado. Ele não é visto como suficiente para controlar a dívida pública no longo prazo, mas afasta cenários de instabilidade extrema e sinaliza preocupação do governo com os gastos. Ainda há um efeito de reposicionamento: ações mais sensíveis à economia local e papéis de estatais como Petrobras e Banco do Brasil voltaram a ganhar espaço.

O que vem a seguir depende de duas decisões: a votação do arcabouço no Senado e os próximos passos do Copom. Se a aposta em cortes de juros a partir de agosto se confirmar, o otimismo de junho ganhará sustentação. Se não, a euforia do câmbio e da bolsa terá sido apenas uma pausa.

Na segunda-feira, 26 de junho de 2023, o dólar abriu o pregão em queda pelo segundo dia útil seguido e chegou a ser negociado a R$ 4,7584 nas mínimas do dia, segundo o jornal O Globo. É a cotação mais baixa em mais de um ano. Até a sexta-feira anterior, dia 23, a moeda americana já havia recuado 9,59% frente ao real em 2023.

O outro termômetro do humor do mercado também aponta para cima. O Ibovespa, principal índice da B3, acumula alta de 8,38% no ano, e nas últimas semanas a bolsa atingiu seus níveis mais elevados do período. O texto original, publicado pelo Brasil 247, atribui o desempenho ao governo Lula (PT) na economia interna, mas descreve um conjunto de fatores internos e externos que beneficiam os ativos de risco.

O primeiro deles é a proximidade de um ciclo de queda dos juros. As curvas de juros indicam, há algumas semanas, que os investidores precificam a redução da Selic, hoje em 13,75%. Isso aparece também no boletim Focus, relatório semanal do Banco Central com as expectativas do mercado. Parte dos agentes prevê cortes a partir de agosto, mesmo depois de o Copom ter adotado um tom mais duro em seu último comunicado. A aposta se apoia em leituras mais favoráveis da inflação nas medições recentes. Soma-se a isso a estabilização das taxas de juros no exterior.

O segundo fator é a visão mais otimista sobre a economia brasileira. O PIB do primeiro trimestre superou as expectativas, e várias instituições financeiras revisaram para cima suas projeções de crescimento. A leitura é que a desaceleração provocada pelos juros altos pode ser menos intensa do que se previa. J.P. Morgan, Goldman Sachs e Citi revisaram suas projeções para o Ibovespa e esperam um dólar mais fraco frente ao real até o fim do ano. Na semana anterior, a agência de risco S&P elevou a perspectiva do rating brasileiro de "estável" para "positiva", o que reforçou o ânimo na bolsa e no câmbio.

O terceiro ponto é o arcabouço fiscal. O otimismo cresceu desde que o governo apresentou a proposta. Aprovada pela Câmara, a regra tramita no Senado e caminha para a reta final. O texto ressalva que o conjunto de medidas não é considerado suficiente para controlar a trajetória da dívida pública no longo prazo, mas afasta cenários de instabilidade extrema da dívida e mostra preocupação do governo com os gastos.

Há ainda um efeito de reposicionamento. Ações que haviam ficado para trás durante a alta dos juros, sobretudo as mais sensíveis à economia local, tiveram desempenho melhor na recente valorização da bolsa. Papéis de estatais como Petrobras e Banco do Brasil também foram bem no ano, à medida que diminuíram os receios sobre a governança dessas empresas.

O que vem a seguir está em dois lugares: a votação do arcabouço fiscal no Senado e as próximas decisões do Copom sobre a Selic, que dirão se a aposta em cortes a partir de agosto se confirma.

Parte do mercado prevê cortes da Selic a partir de agosto, mesmo após o tom mais rígido do Copom.
— Brasil 247, ao descrever as expectativas do mercado
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