Com diferentes versões, advogado de Cid diz que não tem “compromisso com a coerência”

Não tenho compromisso com a coerência de um dia para o outro
O advogado de Cid explica por que sua narrativa sobre a venda de joias muda constantemente.
Mark

Por que um advogado mudaria sua história tantas vezes sobre um fato tão importante?

Mimi

Porque ainda não sabe exatamente qual versão vai servir melhor ao seu cliente. Bitencourt está testando as águas, vendo como a imprensa e os investigadores reagem a cada variação.

Luke

Mas ele admitiu isso abertamente? Disse que não tem compromisso com a coerência?

Mimi

Exatamente. Disse que conforme as coisas evoluem, tudo muda. É uma forma de dizer que está negociando.

Mark

Então Cid vai confessar ou não que vendeu as joias?

Mimi

Parece que sim, pelo menos o relógio Rolex. Mas se vai dizer que Bolsonaro ordenou? Isso ainda está em aberto.

Luke

Espera — o advogado disse "não sei" várias vezes. Sobre quem era o dono, sobre quem queria vender. Como ele não sabe essas coisas se é o advogado do cliente?

Mimi

Boa pergunta. Pode ser estratégia — manter tudo vago para ter flexibilidade. Ou pode ser que realmente ainda estejam negociando com os investigadores.

Mark

E se Cid confessar tudo, implicando Bolsonaro?

Mimi

Seria ruim para o ex-presidente. Mas Bitencourt está deixando claro que essa não é a única opção.

Luke

O que me preocupa é que não sabemos se Bitencourt está falando a verdade sobre o que Cid vai fazer, ou se está apenas testando narrativas com a imprensa.

Mimi

Verdade. Tudo que temos são as palavras dele, e ele mesmo disse que não tem compromisso com a coerência.

  • Cezar Bitencourt é advogado do tenente-coronel Mauro Cid, ex-assessor de Bolsonaro
  • Bitencourt disse à Veja que Cid confessaria venda de joias por ordem de Bolsonaro, depois recuou
  • Agora afirma que Cid admitirá venda de um relógio Rolex, mas não definiu se implicará Bolsonaro
  • O advogado usou a frase "resolve isso aí" como evidência de envolvimento de Bolsonaro

Bitencourt confirmou à Veja que Cid confessaria venda de joias a pedido de Bolsonaro, depois recuou e limitou a apenas um relógio Rolex. O advogado afirma que ainda não definiu se Cid admitirá participação de Bolsonaro, mantendo ambiguidade estratégica sobre as acusações.

Cezar Bitencourt, advogado do tenente-coronel Mauro Cid, admite não ter compromisso com coerência ao dar diferentes versões sobre confissão de venda de joias que poderiam incriminar Bolsonaro.

Cezar Bitencourt, o advogado do tenente-coronel Mauro Cid, ex-assessor de Jair Bolsonaro, tem se movido em círculos cada vez mais apertados quando o assunto é a venda de joias que deveriam ter entrado nos cofres públicos. Numa segunda-feira de agosto, ele sentou com repórteres e, quando confrontado sobre as mudanças constantes em sua narrativa, ofereceu uma resposta que capturava perfeitamente o estado das coisas: não tinha compromisso com a coerência de um dia para o outro. Conforme as circunstâncias evoluem, disse, tudo muda.

Semanas antes, Bitencourt havia dito à revista Veja que seu cliente confessaria ter vendido as joias sob ordens diretas de Bolsonaro — usando a palavra "mandante" para descrever o ex-presidente. Confirmou a versão a outros jornalistas. Depois recuou. Agora, a confissão se limitava a um único relógio Rolex. E quanto a implicar Bolsonaro? Ainda não estava decidido. O advogado mantinha a porta aberta, mas apenas uma fresta.

O que Bitencourt sabia com certeza era isto: Cid havia vendido um relógio Rolex. Quanto aos demais — um Patek Philippe estava em questão — o advogado se recusava a confirmar. Sobre quem havia ordenado a venda, sobre se Bolsonaro estava envolvido, sobre se Cid iria "dedurar" seu antigo chefe, tudo permanecia em investigação. Bitencourt usava a palavra "investigando" repetidamente, como se ainda estivesse colhendo material, verificando os fatos, atrás de respostas que supostamente já deveria ter.

Quando pressionado sobre o significado de "resolve isso aí" — a frase que Bolsonaro teria dito a Cid — o advogado entrou num labirinto de ambiguidade. Quem queria vender? Bolsonaro ou Cid? Não sabia. Quem era o dono do relógio? Não sabia. Talvez o presidente. Talvez a família. Talvez Bolsonaro e a mulher juntos. A resposta final foi um encolher de ombros legal: "Não sei".

O que emergia dessa conversa era um padrão claro: Bitencourt estava negociando em tempo real, ajustando a estratégia conforme as pressões mudavam. Ele não tinha uma tese fixa a apresentar em juízo — ou pelo menos não estava revelando qual era. Cid havia vendido o relógio, isso era firme. Mas para quem? Por ordem de quem? Com que conhecimento de Bolsonaro? Essas perguntas permaneciam abertas, e o advogado parecia estar esperando para ver como o vento sopraria antes de decidir qual versão dos fatos sua defesa abraçaria.

O que tornava tudo isso significativo era simples: cada versão que Bitencourt oferecia tinha potencial de complicar a vida de Bolsonaro de maneiras diferentes. Uma confissão completa — que Cid vendeu as joias por ordem do ex-presidente — seria devastadora. Uma confissão limitada — apenas o relógio, sem implicar Bolsonaro — seria muito menos prejudicial. E uma negação total? Ainda estava sobre a mesa. Bitencourt estava mantendo todas as opções vivas, e o público não tinha como saber qual delas sua defesa finalmente escolheria.

Eu não tenho o compromisso com a coerência de um dia para o outro dessas coisas. Então, como evolui as coisas, tudo muda.
— Cezar Bitencourt, advogado de Mauro Cid
Ainda vamos conversar, vou verificar o andar da carruagem. Não tem nada definido nesse sentido.
— Cezar Bitencourt, sobre a posição final de Cid no processo
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