Pará amplia transplantes em 130% e se destaca como referência nacional

O avanço em transplantes salva vidas de pessoas com lesões oculares, insuficiência renal e outras condições que necessitam de órgãos transplantados.
É a concretização de uma medicina mais humana
Diretora do Hospital da Mulher reflete sobre o significado das doações de órgãos para o sistema de saúde.

No Pará, entre 2022 e 2024, mais de 1.500 vidas foram transformadas por transplantes de órgãos — um crescimento de 130% que coloca o estado entre os protagonistas nacionais de uma medicina que começa, antes de qualquer cirurgia, na conversa entre um médico e uma família em luto. O avanço não é fruto do acaso, mas de uma aposta deliberada na capacitação humana, na expansão da rede pública e na cultura da doação. Cada córnea devolvida, cada rim transplantado, cada fígado captado em horas precisas é o resultado de um sistema que aprendeu a unir técnica e empatia.

  • O Pará mais que dobrou seus transplantes em dois anos, saltando de um ritmo modesto para 627 procedimentos apenas em 2024 — uma urgência silenciosa que salva vidas na fila de espera.
  • A taxa de recusa familiar ainda representa um obstáculo real: famílias em luto precisam tomar decisões em horas, e cada 'não' pode custar uma vida a quem aguarda um órgão.
  • O aplicativo Aedo e campanhas como 'Seja você um doador e avise sua família' tentam antecipar essa conversa difícil, reduzindo o peso da decisão no momento mais vulnerável.
  • O Hospital da Mulher do Pará, inaugurado em março de 2025, realizou sua primeira captação de múltiplos órgãos apenas dois meses depois — sinal de que a rede se descentraliza e ganha velocidade.
  • Com todos os procedimentos gratuitos pelo SUS e novas unidades integradas ao sistema, a trajetória aponta para números ainda maiores — e para um estado que se consolida como referência nacional em transplantes.

Entre 2022 e 2024, o Pará realizou 1.512 transplantes de órgãos — mais que o dobro dos três anos anteriores. O crescimento de 130% coloca o estado entre os destaques nacionais em um campo onde cada procedimento pode significar a diferença entre a vida e a morte. Só em 2024, foram 627 transplantes: 516 de córnea, 62 de rim, 12 de fígado, 27 de medula óssea e 10 de tecidos musculoesqueléticos.

O salto reflete uma aposta deliberada do governo na expansão da rede pública e na capacitação de profissionais que lidam com um dos momentos mais delicados da medicina: a conversa com famílias enlutadas. Alfredo Abud, coordenador da Central Estadual de Transplantes, descreve o trabalho como uma operação em rede — onde empatia e informação precedem qualquer cirurgia. O estado adotou o aplicativo Aedo, que permite registrar a intenção de ser doador, agilizando decisões em casos de morte encefálica.

Um episódio recente ilustra a velocidade do sistema. O Hospital da Mulher do Pará, inaugurado em 8 de março de 2025, realizou sua primeira captação de múltiplos órgãos — fígado, rins e córneas — apenas dois meses após abrir. A família da paciente autorizou a doação. Para a vice-governadora Hana Ghassan, o caso demonstra que gestão eficiente e sensibilidade humana não são contraditórias.

Os números de córnea são particularmente expressivos: 1.035 transplantes em dois anos, devolvendo visão a pessoas com lesões ou doenças oculares. A captação exige coordenação precisa — deve ocorrer em até 12 horas após a morte. Para Roseneide Barbosa, tia de uma doadora, a decisão foi um gesto de gratidão: quinze anos antes, um parente da família havia recebido um órgão. 'É difícil, mas também é um ato de amor', diz.

Com a entrada de novas unidades no processo e todos os procedimentos gratuitos pelo SUS, a expectativa é reduzir a taxa de recusa familiar — ainda um obstáculo significativo — e ampliar ainda mais os resultados nos próximos anos.

Entre 2022 e 2024, o Pará realizou 1.512 transplantes de órgãos — mais que o dobro do que havia feito nos três anos anteriores. O crescimento de 130% coloca o estado entre os destaques nacionais em um campo onde cada procedimento significa a diferença entre a vida e a morte para quem espera na fila. Em 2024 sozinho, foram 627 transplantes. A maioria — 516 — envolveu córneas, devolvendo visão a pessoas com lesões ou doenças oculares. Mas também houve 62 transplantes de rim, 12 de fígado, 27 de medula óssea e 10 de tecidos musculoesqueléticos. O salto não é acidental. Reflete uma aposta deliberada do governo na expansão da rede pública de saúde e na capacitação de profissionais que lidam com um dos momentos mais delicados da medicina: a conversa com famílias que enfrentam a morte de um ente querido.

Alfredo Abud, coordenador da Central Estadual de Transplantes, descreve o trabalho como uma operação em rede. Não se trata apenas de técnica cirúrgica, diz ele, mas de qualificação profissional combinada com acolhimento genuíno. A decisão de uma família autorizar uma doação, explica, começa na empatia e na informação. É por isso que campanhas de sensibilização — "Seja você um doador e avise sua família" — ocupam lugar central na estratégia. O estado também adotou o aplicativo Aedo, que permite a qualquer cidadão registrar sua intenção de ser doador. Quando um médico se depara com uma morte encefálica, pode acessar essa informação e poupar tempo precioso.

Um caso recente ilustra a velocidade com que o sistema está se movimentando. O Hospital da Mulher do Pará foi inaugurado em 8 de março de 2025. Dois meses depois, em abril, realizou sua primeira captação de múltiplos órgãos — fígado, rins e córneas — de uma paciente com morte encefálica. A família autorizou a doação. A rapidez com que a nova unidade se integrou à rede estadual de captação demonstra, segundo a vice-governadora Hana Ghassan, que gestão eficiente e sensibilidade não são contraditórias quando o foco é cuidar das pessoas. Nelma Machado, diretora-geral do hospital, reforça que a equipe foi preparada desde a abertura para apoiar as famílias com acolhimento e respeito. "É a concretização de uma medicina mais humana", afirma.

Com a inclusão do Hospital da Mulher, a rede de captação se descentraliza. Antes, os procedimentos se concentravam em hospitais de referência em Belém, como a Santa Casa e o Ophir Loyola. Agora, a rede fica mais distribuída e, portanto, mais fortalecida. Isso significa que mais pessoas em diferentes pontos do estado têm acesso a procedimentos que podem salvar suas vidas.

Os números de córnea são particularmente expressivos. Nos últimos dois anos, o Pará realizou 1.035 transplantes de córnea — procedimentos que devolvem a visão a pessoas com lesões ou doenças oculares. A captação só é possível após a morte e deve ser feita em até 12 horas, o que exige uma coordenação precisa entre hospitais, equipes médicas e famílias. Para Roseneide Barbosa, tia de uma doadora, a decisão de autorizar a doação foi um gesto de gratidão. Quinze anos antes, um parente da família havia recebido um órgão transplantado. Agora, era a vez deles de ajudar outras famílias. "É difícil, mas também é um ato de amor", diz.

O Pará não está sozinho nesse avanço. O Brasil é o segundo país que mais realiza transplantes no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. No estado, todos os procedimentos são gratuitos e realizados pelo Sistema Único de Saúde. Com mais investimentos, mais capacitações e a entrada de novas unidades no processo de captação, a expectativa é reduzir a taxa de recusa familiar — ainda um obstáculo significativo — e ampliar ainda mais os números nos próximos anos.

É um trabalho em rede. Nosso foco está tanto na qualificação técnica quanto no acolhimento de quem enfrenta um momento de dor. A decisão de doar começa na empatia e na informação.
— Alfredo Abud, coordenador da Central Estadual de Transplantes
Há 15 anos, um parente nosso recebeu um órgão. Agora, somos nós que ajudamos outras famílias. É difícil, mas também é um ato de amor.
— Roseneide Barbosa, tia de uma doadora
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

O que explica esse salto de 130% em apenas dois anos? Parece um crescimento muito rápido.

Model

Não é só uma coisa. É capacitação de profissionais, é a forma como as equipes conversam com as famílias, é política pública focada em salvar vidas. Quando você treina bem e trata as pessoas com respeito no momento mais difícil delas, as famílias dizem sim.

Inventor

E o aplicativo Aedo — como funciona na prática?

Model

Qualquer pessoa pode registrar que quer ser doadora. Quando um médico se depara com uma morte encefálica, acessa essa informação. Poupa tempo crítico. Mas também é um sinal: a pessoa já tinha pensado nisso, já tinha conversado com a família.

Inventor

O Hospital da Mulher realizou uma captação dois meses após abrir. Isso é rápido demais ou é o normal?

Model

É rápido, sim. Mostra que a equipe foi bem treinada desde o início e que o sistema estadual está funcionando. Mas também é um pouco de sorte — uma morte encefálica acontece, a família autoriza. Não é algo que você possa forçar.

Inventor

Córnea lidera os números. Por quê?

Model

Porque é o órgão mais procurado e porque a captação é menos complexa que a de órgãos internos. Mas também porque devolver a visão a alguém é algo muito concreto. As pessoas entendem o valor disso.

Inventor

Qual é o maior obstáculo agora?

Model

A taxa de recusa familiar. Mesmo com toda a sensibilização, nem todas as famílias autorizam. É aí que o acolhimento humano faz diferença — e é aí que o estado quer investir mais.

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