Durante dez anos e 466 colunas, Sergio Rodrigues ocupou um espaço raro na imprensa brasileira: aquele em que a língua não era julgada, mas habitada. Ao se despedir da Folha de S.Paulo em agosto de 2026, ele traça um arco que começa na pós-verdade de 2016 e termina numa era em que modelos de linguagem escrevem colunas e teses, enquanto regiões inteiras do cérebro humano adormecem por falta de uso. Sua saída não é apenas a de um colunista — é o fechamento de um ciclo que testemunhou a linguagem migrar de ferramenta do pensamento para produto de mercado.