Cinco dias depois que a terra tremeu sob Pereira, o silêncio dos resgates cedeu ao ronco das máquinas pesadas — sinal de que a Colômbia atravessa aquela fronteira dolorosa entre a esperança de encontrar vivos e a necessidade de reconstruir o que restou. Com ao menos 287 mortos, 260 desaparecidos e 140 mil afetados, o país enfrenta agora a longa e árida tarefa de acolher os sem-teto, remover os escombros e recompor uma cidade que, em segundos, perdeu sua forma. O governo anuncia decretos e visitas presidenciais, mas é nos colchonetes estendidos no chão de um parque que a verdadeira dimensão hum
Colômbia passa de buscas por sobreviventes para remoção de escombros e acolhimento
O silêncio deu lugar ao rugido das máquinas
Por que o silêncio dos primeiros dias foi tão importante para os resgatistas?
Porque em um terremoto, o silêncio permite que os cães farejadores e os equipamentos de detecção funcionem melhor. Qualquer ruído interfere na capacidade de ouvir sinais de vida sob os escombros. Mas depois de alguns dias, as chances de encontrar alguém vivo diminuem drasticamente, então o silêncio deixa de ser necessário.
Como as pessoas desabrigadas reagem aos abrigos provisórios?
De formas muito diferentes. Alguns, como Sebastian e Daiana, aceitam porque precisam proteger seus filhos. Outros se sentem presos pelas regras — não podem entrar e sair livremente. Uma mulher que encontraram em um parque sob um plástico resistiu em ficar, mesmo com crianças pequenas. O abrigo oferece segurança, mas também remove a liberdade.
O que significa que 260 pessoas estão desaparecidas?
Significa que suas famílias não sabem se estão vivas ou mortas. Alguns podem estar em hospitais sem identificação. Outros podem estar sob os escombros. É uma incerteza que prolonga o sofrimento além do momento do terremoto.
Por que o presidente visitou Pereira duas vezes em poucos dias?
Porque a cidade é o epicentro da crise. Com 94 mortos, 260 desaparecidos e 140 mil afetados, Pereira precisa de atenção especial. O decreto de emergência econômica que ele prometeu é essencial para a reconstrução começar.
O que o odor de morte nos arredores dos escombros revela sobre o estado da operação?
Que o tempo está passando. Corpos começam a se decompor. É um sinal de que a busca por sobreviventes virou busca por vítimas, e que a urgência mudou de ritmo.
Il Polso
- As chances de encontrar sobreviventes diminuem a cada hora, e as retroescavadeiras substituem as equipes de resgate nas ruas devastadas de Pereira.
- O odor de morte paira sobre os escombros da Praça Bolívar enquanto funcionários pedem aos curiosos que se afastem para evitar registros de corpos.
- Abrigos provisórios acolhem 152 pessoas no parque Olaya Herrera, mas regras restritivas afastam quem prefere acampar a abrir mão da liberdade de ir e vir.
- Famílias vulneráveis — como um casal de 18 e 27 anos com uma recém-nascida — aguardam na fila por um colchonete e um kit de higiene como primeira forma de dignidade.
- O presidente anuncia decreto de emergência econômica e promete que nenhum município de Risaralda ficará sem ajuda, mas o desafio real é integrar desabrigados a um sistema ainda em formação.
Cinco dias depois que a terra tremeu sob Pereira, o silêncio dos resgates cedeu ao ronco das máquinas pesadas — sinal de que a Colômbia atravessa aquela fronteira dolorosa entre a esperança de encontrar vivos e a necessidade de reconstruir o que restou. Com ao menos 287 mortos, 260 desaparecidos e 140 mil afetados, o país enfrenta agora a longa e árida tarefa de acolher os sem-teto, remover os escombros e recompor uma cidade que, em segundos, perdeu sua forma. O governo anuncia decretos e visitas presidenciais, mas é nos colchonetes estendidos no chão de um parque que a verdadeira dimensão humana da catástrofe se revela.
Cinco dias após o terremoto, as ruas de Pereira mudaram de som: o silêncio pedido pelos resgatistas nos primeiros momentos deu lugar ao rugido das retroescavadeiras. Máquinas pesadas removem escombros enquanto caminhões carregam os restos de edifícios desabados. A mudança é também de propósito — as chances de encontrar vivos diminuem drasticamente, e as operações se voltam agora para a localização de corpos e a limpeza urbana. Cães farejadores ainda trabalham em alguns pontos, mas nas áreas centrais, como os arredores da Praça Bolívar, o movimento de resgate cessou. Sob o calor intenso, o odor de morte era perceptível perto das montanhas de entulho.
O presidente Abelardo de la Espriella quantificou a tragédia: 94 mortos só em Pereira, 260 desaparecidos na cidade e 140 mil pessoas afetadas. No total, ao menos 287 morreram. Diante dessa escala, a crise humanitária se desloca do resgate para o acolhimento. A Prefeitura instalou abrigos provisórios em vários pontos, incluindo um no parque Olaya Herrera, que oferece atendimento médico e psicológico, três refeições diárias, itens de higiene e uma área dedicada às crianças. Animais de estimação são aceitos. Cerca de 152 pessoas vivem atualmente no local, com prioridade para os mais vulneráveis.
Na entrada do abrigo, Sebastian Valencia, de 18 anos, e sua esposa Daiana Diaz, de 27, aguardavam com uma filha recém-nascida e outra de três anos. Pagavam 25 mil pesos por dia em um hotel que desabou. Dentro, uma mulher encontrada sob um plástico em um parque, chorando com três crianças, resistia aos apelos da equipe de saúde mental para permanecer. Nem todos se adaptam: as regras que proíbem entrar e sair livremente afastam quem prefere acampar nos arredores. Após esperar, Sebastian e Daiana foram aceitos — abriram dois colchonetes no chão e receberam um kit de higiene.
O presidente visitou Pereira pela segunda vez, percorrendo pontos simbólicos da destruição, e anunciou um decreto de emergência econômica para financiar a reconstrução. Afirmou que nenhum município de Risaralda ficou sem ajuda. O desafio agora é transformar essa promessa em estrutura capaz de abrigar, com dignidade, os milhares que perderam tudo.
Cinco dias após o terremoto que sacudiu a Colômbia na segunda-feira, o silêncio que os resgatistas pediam nos primeiros dias deu lugar ao rugido das retroescavadeiras. Nas ruas de Pereira, a cidade mais devastada, máquinas pesadas removem escombros enquanto caminhões carregam os restos dos edifícios que desabaram. A mudança de som marca também uma mudança de propósito: as chances de encontrar pessoas vivas sob os destroços diminuem drasticamente com o passar dos dias, e as operações se transformam agora em busca de corpos e limpeza urbana.
Os cães farejadores ainda trabalham nos locais onde as operações continuam, treinados tanto para identificar sobreviventes quanto para localizar vítimas fatais. Embora casos de pessoas encontradas vivas mais de uma semana após sismos sejam raros, as equipes mantêm a busca. Nas áreas centrais de Pereira, como a região ao redor da Praça Bolívar, onde um prédio foi filmado desabando durante o tremor, os escombros permanecem, mas o movimento de resgate cessou. Um funcionário que controlava o acesso à zona de trabalho pediu aos curiosos que se afastassem e não tirassem fotos, explicando que a medida visava evitar registros de corpos. Sob o calor intenso de Pereira, o odor de morte era perceptível nos arredores da montanha de entulho.
O terremoto deixou um rastro de morte e desaparecimento que o presidente Abelardo de la Espriella quantificou em pronunciamento na sexta-feira: 94 mortos apenas em Pereira, 260 desaparecidos na cidade e 140 mil pessoas afetadas. No total, ao menos 287 pessoas morreram em decorrência do sismo, enquanto 260 foram resgatadas com vida. Diante dessa escala de destruição, a crise humanitária se desloca do resgate para o acolhimento.
A Prefeitura de Pereira instalou abrigos provisórios em diversos pontos da cidade, incluindo um no parque Olaya Herrera, na região central, próximo a uma estação do Megacable. O abrigo oferece atendimento médico e psicológico, três refeições diárias, medicamentos, itens básicos de higiene e banheiros separados por gênero e para crianças. Uma área dedicada às crianças permite que brinquem, desenhem e assistam a filmes em horários determinados. A professora Mariana Salcedo, de 21 anos, trabalha constantemente organizando brinquedos e respondendo aos chamados das crianças. Animais de estimação também são aceitos. Segundo Carolina Palacios, coordenadora do abrigo, cerca de 152 pessoas vivem atualmente no local, com novas admissões ainda possíveis, embora a prioridade agora seja reservar vagas para pessoas em maior vulnerabilidade, como mulheres com crianças.
Sebastian Valencia, de 18 anos, e sua esposa Daiana Diaz, de 27, aguardavam na entrada do abrigo com sua filha recém-nascida de um mês e outra filha de três anos. Os dois pagavam 25 mil pesos, pouco mais de 40 reais, por dia para viver em um quarto de hotel que desabou. Dentro do abrigo, uma mulher acompanhada de três crianças era consolada pela equipe médica após ter sido encontrada em um parque sob um plástico, chorando. Os profissionais de saúde mental e pediatras tentavam convencê-la a permanecer no abrigo, mas ela resistia, querendo partir com as crianças. Nem todos se sentem confortáveis nos abrigos: as regras restritivas, que proíbem entrar e sair livremente, afastam algumas pessoas que preferem acampar nos arredores do parque.
Após esperar, Sebastian e Daiana foram aceitos. Entraram, abriram dois colchonetes no chão e receberam um kit de higiene. Ao redor das tendas brancas que formam o abrigo, barracas de camping ocupam boa parte do parque Olaya Herrera, refletindo a concentração de serviços essenciais em um momento crítico. O presidente Abelardo de la Espriella visitou Pereira pela segunda vez desde o terremoto, passando por pontos como o parque La Libertad, a Praça Bolívar e o prédio Invico. Em pronunciamento, afirmou que nenhum município do estado de Risaralda, onde Pereira está localizada, deixou de receber ajuda. Anunciou também que apresentará um decreto de emergência econômica que incluirá tudo o que for necessário para a reconstrução da região.
Citazioni salienti
Não há nenhum município do estado de Risaralda onde não há chegado ajuda— Presidente Abelardo de la Espriella
Cerca de 152 pessoas vivem atualmente no local, com prioridade para mulheres com crianças— Carolina Palacios, coordenadora do abrigo