Colocações no Ensino Superior atingem máximo da década com 50 mil estudantes

Menos pessoas ficaram nas suas primeiras opções
Apesar do crescimento geral, 84,5% dos alunos foram colocados nas três primeiras escolhas, queda face aos 90,9% do ano anterior.
Mark

Porque é que este número de 50 mil é tão significativo? Parece um bom resultado, mas o que muda realmente?

Mimi

Muda porque é o maior em dez anos. Significa que mais gente conseguiu entrar no Ensino Superior, e as instituições estão mais cheias. Mas há um pormenor: menos pessoas ficaram nas suas primeiras opções.

Luke

Espera, isso é importante clarificar. O crescimento de 13,9% é real, mas estamos a comparar com 2025, não com a década toda. E 2020 foi excepcional por razões que não se repetem.

Mimi

Verdade. Mas o que importa é que as politécnicas cresceram 26,5% em colocações. Isso é uma mudança real na distribuição.

Mark

E quanto às diferenças entre regiões? Porto com 99% e Bragança com 41,5% é um abismo.

Mimi

É exatamente isso. O Interior tem 52,4% das vagas da segunda fase, mas apenas 19,8% das vagas iniciais. Há um desequilíbrio estrutural.

Luke

Mas sabemos porquê? É porque as pessoas não querem ir para lá, ou porque as instituições do Interior têm menos vagas de qualidade? O artigo não explica a causa.

Mark

E os cursos de agricultura com 65% de ocupação — isso é preocupante?

Mimi

É um sinal de que há áreas que não atraem candidatos. Agricultura, serviços, engenharia — todas com taxas baixas.

Luke

Mas a educação cresceu 10%. Portanto há movimento. Não é tudo negativo, apenas seletivo.

Mark

Então o que vem a seguir? A segunda fase vai preencher essas vagas?

Mimi

Há 6.639 vagas na segunda fase, mas é 42,3% menos do que no ano passado. Portanto, nem todas as vagas sobrantes vão ser oferecidas.

  • 49.991 colocações representam o melhor resultado da última década, com um crescimento de 13,9% face ao ano anterior — um sinal de que mais jovens do que nunca procuram o Ensino Superior.
  • Apesar do recorde, apenas 53,6% dos estudantes entraram na sua primeira opção, e a percentagem dos que ficaram nas três primeiras escolhas caiu de 90,9% para 84,5%, revelando uma distribuição mais forçada e menos alinhada com as preferências reais.
  • A distância entre universidades e politécnicas estreitou-se, mas persiste: 95,7% de ocupação nas primeiras contra 77,9% nas segundas, num sinal de que o prestígio institucional ainda pesa mais do que a vocação profissional.
  • O Interior sangra vagas: Bragança com 41,5% de ocupação e Guarda com 50,5% contrastam com os 99% do Porto e os 98,4% de Lisboa, e as regiões do interior concentram mais de metade das vagas que sobram para a segunda fase.
  • A segunda fase abre com 6.639 vagas disponíveis — menos 42,3% do que em 2025 —, e os estudantes colocados têm até 27 de agosto para formalizar a matrícula, com os resultados completos previstos para domingo.

A cada geração, o acesso ao conhecimento revela tanto as aspirações de um povo como as suas fraturas internas. Em 2026, quase 50 mil jovens portugueses encontraram lugar no Ensino Superior — o maior número em dez anos —, mas este recorde convive com uma realidade mais complexa: menos estudantes chegaram à sua primeira escolha, e o Interior do país continua a ver as suas instituições esvaziadas, como se o futuro gravitasse irresistivelmente para o Litoral. O resultado é simultaneamente um motivo de celebração e um espelho das desigualdades que o sistema ainda não soube resolver.

Quase 50 mil estudantes garantiram lugar no Ensino Superior português na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso, num resultado que marca o pico da última década. O Instituto para o Ensino Superior confirmou que 49.991 alunos foram colocados — um crescimento de 13,9% face a 2025 —, com uma taxa global de ocupação de 88,9%. O único ano comparável foi 2020, mas as circunstâncias excecionais da pandemia tornam esse resultado incomparável.

Nem tudo, porém, é motivo de celebração. Apenas 53,6% dos estudantes entraram na sua primeira opção, e a percentagem dos colocados nas três primeiras escolhas desceu de 90,9% para 84,5%. Houve ainda menos 876 colocados na primeira opção do que no ano anterior, sinalizando uma mudança nos padrões de distribuição — mais candidatos, mas nem sempre onde queriam estar.

A diferença entre universidades e politécnicas reduziu-se: as primeiras mantêm 95,7% de ocupação, enquanto as segundas subiram para 77,9%, com um crescimento de 26,5% em colocações. A Universidade do Porto lidera com 99,1%, seguida pela Universidade de Lisboa e pelo ISCTE.

As disparidades territoriais continuam a ser o nó mais difícil de desatar. O distrito do Porto regista 99% de ocupação; Bragança, apenas 41,5%. O Litoral ocupa 94,1% das suas vagas; o Interior, apenas 69,2%. Apesar de concentrar menos de 20% das vagas iniciais, o Interior representa mais de metade das vagas disponíveis na segunda fase — um desequilíbrio que cresceu cerca de 9 pontos percentuais face ao ano anterior, mas que permanece como um desafio estrutural.

Nos domínios de estudo, a agricultura regista a taxa mais baixa (65%), deixando uma em cada três vagas por preencher. Engenharia e serviços também ficaram abaixo da média. Em sentido contrário, artes, humanidades e saúde atingiram 96%, e a educação cresceu 10%, com apenas cerca de cem vagas por ocupar.

A segunda fase decorre entre 24 de agosto e 20 de setembro, com 6.639 vagas disponíveis — menos 42,3% do que em 2025. Os estudantes colocados têm até 27 de agosto para se matricular, e os resultados completos serão divulgados no domingo.

Quase 50 mil estudantes conseguiram lugar no Ensino Superior português na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso, um resultado que marca o pico da última década. O Instituto para o Ensino Superior divulgou esta sexta-feira que 49.991 alunos foram colocados, representando um crescimento de 13,9% relativamente ao ano anterior. A taxa global de ocupação das instituições atingiu 88,9%, refletindo uma procura robusta pelas vagas disponíveis. Trata-se do melhor desempenho em dez anos, com a única exceção sendo 2020, quando regras excecionais foram aplicadas devido à pandemia e aos exames nacionais.

O número de candidatos válidos também cresceu significativamente, chegando aos 60.513 após a conclusão das reapreciações e reclamações de classificações de exames. Contudo, nem tudo neste resultado é positivo. Enquanto 26.819 estudantes (53,6% do total) foram colocados na sua primeira opção, este número representa uma queda face ao ano anterior. No concurso de 2025, 90,9% dos alunos conseguiram lugar numa das suas três primeiras escolhas; este ano, essa percentagem desceu para 84,5%. Houve ainda menos 876 colocados na primeira escolha do que em 2025, sinalizando uma mudança no padrão de distribuição de candidatos pelas instituições.

A disparidade entre o subsistema universitário e o politécnico estreitou-se, embora continue significativa. As universidades mantêm uma taxa de ocupação de 95,7%, enquanto as politécnicas subiram para 77,9%, um crescimento de 26,5% em colocações. A diferença entre os dois subsistemas reduziu-se de 28,7 pontos percentuais em 2025 para 17,8 pontos percentuais este ano. A Universidade do Porto lidera o país com 99,1% de ocupação, seguida pela Universidade de Lisboa (98,9%) e pelo ISCTE (98,8%).

As disparidades territoriais permanecem profundas. O distrito do Porto apresenta a melhor taxa de ocupação (99%), seguido de Lisboa (98,4%) e Aveiro (95,7%). No extremo oposto, Bragança regista apenas 41,5%, Guarda 50,5% e Santarém 61,6%. A diferença entre o Litoral e o Interior é ainda mais pronunciada: 94,1% de ocupação no Litoral contra 69,2% no Interior. Apesar de as instituições do Interior concentrarem apenas 19,8% das vagas iniciais, elas representam 52,4% das vagas que permanecerão disponíveis na segunda fase. A taxa de ocupação no Interior cresceu cerca de 9 pontos percentuais face ao ano anterior, mas a lacuna territorial mantém-se como um desafio estrutural.

Certos domínios de estudo enfrentam dificuldades de preenchimento. Os cursos de agricultura registaram a taxa mais baixa, com apenas 65% de ocupação, deixando uma em cada três vagas vazia. Os cursos ligados aos serviços também tiveram baixa procura (79%), assim como engenharia, indústria e construção (80%), com 38% de vagas sobrantes nesta última área. Em contraste, artes e humanidades e saúde e proteção social atingiram 96% de ocupação. A educação emergiu como uma área de crescimento, com 1.755 colocações e um aumento de 10% face ao ano anterior, deixando apenas cerca de cem vagas por preencher.

Os estudantes colocados têm até 27 de agosto para realizar matrícula e inscrição nas suas instituições. A segunda fase do Concurso Nacional decorre entre 24 de agosto e 20 de setembro, oferecendo 6.639 vagas — uma redução de 42,3% relativamente a 2025. Os resultados completos, incluindo as notas dos últimos colocados, serão divulgados no domingo.

84,5% dos estudantes ficaram colocados numa das suas três primeiras opções
— Ministério da Educação, Ciência e Inovação
A taxa de ocupação das instituições de Ensino Superior foi de 88,9%
— Instituto para o Ensino Superior
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