Colégio Adventista transforma pesquisa em prática com cidade inteligente e projetos científicos

A ciência ganha sentido quando prepara para transformar a realidade
Diretor da Educação Adventista reflete sobre o propósito de iniciativas como o ECOS na formação de estudantes.
Mark

Por que essa terceira edição do ECOS foi diferente das anteriores?

Mimi

Pela primeira vez, as três séries do Ensino Médio participaram juntas. Cada série tinha um nível de complexidade diferente — o primeiro ano construiu uma cidade inteligente, o segundo apresentou pesquisas em banners, e o terceiro produziu artigos científicos completos com banca avaliadora.

Luke

Mas como você mede o impacto real? Eles aprenderam metodologia científica ou apenas fizeram projetos bonitos para uma noite de apresentação?

Mimi

A professora Rosângela Nobre deixa claro que o objetivo é desenvolver um senso crítico científico desde o Ensino Médio, para que quando cheguem à universidade tenham menos dificuldade com TCC e metodologia. Os alunos participaram ativamente de cada etapa dos experimentos.

Mark

E quanto aos pais? Eles entenderam o valor disso?

Mimi

Simone Borges, mãe de um dos alunos, percebeu o envolvimento total de seu filho e também aprendeu a enxergar a cidade de forma diferente — reconhecendo a importância de conhecer e preservar seus espaços.

Luke

Mas isso é uma observação de uma mãe. Há alguma métrica institucional de aprendizado ou é principalmente um relato qualitativo?

Mimi

O que temos são relatos dos estudantes sobre o que aprenderam — Maria Luiza percebeu problemas reais no posicionamento industrial, Luiz Gabriel descobriu potencial em materiais sustentáveis. O diretor Carlos Matos disse que praticamente cem por cento dos alunos se envolveram positivamente.

Mark

Cem por cento é um número muito redondo. Como ele chegou a isso?

Luke

Exatamente. É uma impressão do diretor, não uma medição sistemática. Mas o que importa é que há evidência de engajamento real — os alunos pesquisaram, testaram, falharam, aprenderam com os erros.

Mimi

E a presença de João Dias, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, mostra que o conhecimento desenvolvido em sala de aula dialogou com questões reais da cidade.

Mark

Então o grande diferencial é conectar teoria com realidade local?

Mimi

Sim. Everton Michels resume bem: a ciência pode começar na sala de aula, mas ganha sentido quando prepara os estudantes para transformar a realidade ao seu redor. Não é apenas aprender conteúdos — é aprender a pesquisar, questionar, apresentar ideias e pensar em soluções.

  • Pela primeira vez, as três séries do Ensino Médio participaram juntas do ECOS, elevando a escala e a ambição do evento a um novo patamar.
  • Alunos do primeiro ano descobriram que o polo industrial de Feira de Santana está mal posicionado — e que planejar uma cidade exige muito mais do que tecnologia.
  • Pesquisas sobre tintas com cúrcuma, tijolos de fibra de coco e tratamentos para melasma mostraram que materiais simples e questões cotidianas podem gerar ciência rigorosa.
  • Terceiranistas produziram artigos científicos completos avaliados por bancas, simulando a experiência universitária ainda no colégio.
  • Familiares, professores e um representante da Secretaria Municipal de Meio Ambiente circularam pelas apresentações, aproximando a escola dos desafios reais da cidade.

Na cidade de Feira de Santana, estudantes do Ensino Médio do Colégio Adventista transformaram uma noite de setembro em um exercício coletivo de imaginação responsável: como seria a cidade em que vivem se fosse mais justa, mais verde e mais inteligente? O ECOS — em sua terceira edição — revelou que a ciência não precisa esperar a universidade para começar, e que o território onde se vive pode ser o melhor laboratório de todos.

Na noite de 29 de setembro, o Colégio Adventista de Feira de Santana virou laboratório vivo. Era a terceira edição do ECOS — Encontro de Conhecimento, Observação e Sustentabilidade — e, pela primeira vez, todas as séries do Ensino Médio participaram juntas, cada uma com um desafio diferente e igualmente sério.

Os alunos do primeiro ano responderam a uma pergunta provocadora — como seria uma Feira de Santana mais inteligente e sustentável? — construindo uma Smart City que exigiu pesquisa real sobre ventos, geografia e planejamento urbano. Maria Luiza Leite percebeu que o polo industrial da cidade está mal posicionado, espalhando poluição por onde não deveria. Pedro Henrique Santos aprendeu que até a localização de um cemitério precisa de justificativa técnica. A conclusão do grupo foi direta: tecnologia sem planejamento e sem cuidado com as pessoas não faz uma cidade inteligente.

O segundo ano apresentou banners científicos fruto de meses de pesquisa. Um grupo testou pigmentos naturais — cúrcuma, páprica e açafrão — para produzir tintas sustentáveis, descobrindo que a cúrcuma gerava a cor mais viva, mas que a páprica apodreceu por falta de secagem adequada. Outro grupo explorou a fibra de coco verde como material para tijolos de construção, surpreendendo Luiz Gabriel Pedra com a resistência e o potencial ecológico de algo encontrado em praias.

No terceiro ano, a experiência chegou mais perto da universidade: oito grupos produziram artigos científicos completos, orientados por professores e avaliados por bancas. Um dos trabalhos investigou melasma e hiperpigmentação, abordando tanto a biologia da condição quanto seu impacto na autoestima feminina. Leandra Araújo, que pretende cursar Medicina, já planeja expandir a pesquisa e talvez lançar uma marca própria de produto hidratante.

A professora Rosângela Nobre destacou que o ECOS prepara os alunos para ler artigos acadêmicos e compreender metodologia científica antes mesmo de chegarem ao ensino superior. Do lado de fora das bancadas, a mãe de um estudante confessou ter aprendido a enxergar Feira de Santana com outros olhos. O diretor Carlos Matos celebrou o envolvimento de praticamente cem por cento dos alunos. E João Dias, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, esteve presente — sinal de que o que começa na sala de aula pode alcançar a cidade de verdade.

Na noite de terça-feira, 29 de setembro, o Colégio Adventista de Feira de Santana transformou-se em um espaço de apresentações científicas e projetos inovadores. Era a terceira edição do ECOS — Encontro de Conhecimento, Observação e Sustentabilidade — e pela primeira vez, estudantes das três séries do Ensino Médio participavam juntos, apresentando pesquisas, experimentos e uma proposta ambiciosa: reimaginar a própria cidade onde vivem.

Tudo começou com uma pergunta simples: como seria viver em uma Feira de Santana mais tecnológica, sustentável e preparada para o futuro? Os alunos do primeiro ano responderam construindo uma cidade inteligente — não apenas uma maquete decorativa, mas um projeto que exigiu pesquisa rigorosa sobre características geográficas do município, padrões de vento e posicionamento estratégico de estruturas urbanas. Precisavam decidir onde colocar áreas residenciais, cemitérios, equipamentos públicos e aerogeradores. Maria Luiza Leite, uma das estudantes envolvidas, percebeu durante o trabalho que o polo industrial de Feira de Santana estava mal posicionado, permitindo que a poluição alcançasse regiões que não deveriam ser afetadas. Pedro Henrique Santos aprendeu que cada detalhe de uma cidade inteligente precisa de justificativa — o cemitério não pode ficar em qualquer lugar, os aerogeradores também não. A lição foi clara: tecnologia sozinha não faz uma cidade inteligente. Planejamento, conhecimento do território e preocupação genuína com a qualidade de vida das pessoas são igualmente essenciais.

Enquanto o primeiro ano construía sua cidade, os alunos do segundo ano apresentavam banners científicos resultado de meses de pesquisa. Um grupo investigou a produção de tintas sustentáveis usando materiais biodegradáveis. Raphaela Viena e seus colegas testaram pigmentos naturais — cúrcuma, páprica e açafrão — descobrindo que a cúrcuma produzia a cor mais viva. Mas a pesquisa também ensinou sobre fracasso: a páprica desenvolveu fungos, e aprenderam que a tinta precisa secar completamente, exposta ao sol ou calor, caso contrário o mofo a arruína. Outro grupo explorou a fibra de coco verde como material para tijolos de construção, buscando uma alternativa mais sustentável para a indústria civil. Luiz Gabriel Pedra ficou impressionado ao descobrir que um material encontrado em praias poderia ser tão resistente e ecológico, despertando nele ainda mais interesse por tecnologia, TI e engenharia.

No terceiro ano, a experiência aproximava-se ainda mais da realidade acadêmica universitária. Oito grupos produziram artigos científicos completos, orientados por professores e apresentados diante de uma banca avaliadora. Um desses trabalhos investigava melasma e hiperpigmentação da pele, abordando não apenas a biologia da condição, mas também seu impacto na autoestima feminina. Leandra Araújo, uma das pesquisadoras, explicou que o grupo identificou um fator hidratante promissor e planeja expandir a pesquisa futuramente, talvez lançando uma marca própria. Ela pretende cursar Medicina e vê nesse projeto uma oportunidade de ajudar outras pessoas.

Para Rosângela Nobre, professora de Biologia que orientou dois grupos, o ECOS cumpre um papel crucial na preparação dos estudantes para a universidade. Ela trabalha com eles a iniciação científica, desenvolvendo um senso crítico que facilitará sua compreensão de artigos acadêmicos e metodologia quando chegarem ao ensino superior. Os alunos participaram ativamente de cada etapa — um grupo trabalhou com tinta orgânica, outro desenvolveu uma resina não tóxica para impressoras 3D.

O aprendizado ultrapassou os muros da escola. Simone Borges, mãe do estudante Caio Borges, acompanhou o envolvimento de seu filho e percebeu como o projeto o mobilizou completamente. Ela também descobriu uma nova forma de enxergar Feira de Santana, reconhecendo a importância de conhecer e preservar os espaços da cidade. Carlos Matos, diretor do colégio, destacou que praticamente cem por cento dos alunos se envolveram positivamente, transformando conteúdos que normalmente permaneceriam nos livros em experiências vivenciadas na prática.

João Dias, diretor de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, acompanhou as apresentações, aproximando ainda mais a experiência escolar dos desafios reais de sustentabilidade e planejamento urbano. Durante a noite, familiares, professores e convidados circularam pela Smart City, observaram banners científicos e conversaram diretamente com os estudantes sobre suas pesquisas. Para Everton Michels, diretor da Educação Adventista da região central da Bahia, iniciativas como o ECOS conectam o aprendizado à realidade dos estudantes — a ciência pode começar na sala de aula, mas ganha sentido quando prepara jovens para transformar o mundo ao seu redor. O ECOS 2026 demonstrou que uma pergunta pode se tornar pesquisa, que pesquisa pode gerar novas possibilidades, e que uma ideia, quando colocada em prática, pode ajudar a imaginar um futuro diferente.

Percebemos que o polo industrial de Feira está mal posicionado, porque a poluição gerada lá pode chegar a lugares que não deveriam
— Maria Luiza Leite, aluna do 1º ano
A ciência pode começar na sala de aula, mas o conhecimento ganha sentido quando prepara os estudantes para transformar a realidade ao seu redor
— Everton Michels, diretor da Educação Adventista da região central da Bahia
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