CNS entrega petição pedindo manutenção do orçamento da saúde para 2021

Pacientes com doenças crônicas e que necessitam de cirurgias eletivas e exames complexos tiveram atendimentos suspensos durante a pandemia.
O SUS precisará ter orçamento para a aquisição desse insumo
Fernando Pigatto alertava sobre a necessidade de recursos para quando a vacina contra covid-19 fosse aprovada.
Mark

Por que o CNS decidiu fazer uma petição pública agora, em setembro, para um orçamento que seria votado meses depois?

Mimi

Porque o processo orçamentário se move devagar. Se você espera até dezembro para reclamar, já é tarde. O projeto já está pronto, as negociações já aconteceram nos bastidores. Você precisa mobilizar a sociedade antes, criar pressão política enquanto ainda há tempo de mudar as coisas.

Mark

E essas 50 mil assinaturas — quem assinou? Médicos? Pacientes? Organizações?

Mimi

O texto não especifica, mas o CNS é um órgão que reúne representantes de usuários, trabalhadores de saúde, gestores e prestadores. Então provavelmente foi uma mistura. O importante é que 50 mil pessoas concordaram que o SUS merecia mais dinheiro.

Mark

O ministro Pazuello disse que achou justo. Então por que o CNS estava preocupado?

Mimi

Porque dizer que algo é justo não é a mesma coisa que fazer acontecer. O ministro não controla o orçamento sozinho. Isso passa pelo Congresso, pela Economia, por negociações políticas complexas. Uma declaração de apoio é importante, mas não garante nada.

Mark

Qual era o risco real se o orçamento não fosse mantido?

Mimi

Que o SUS teria que escolher: continuar respondendo à pandemia, ou recuperar os serviços que foram suspensos. Não poderia fazer os dois. Cirurgias continuariam adiadas. Pacientes com diabetes, hipertensão, câncer — seus tratamentos continuariam comprometidos.

Mark

E a vacina? Por que era tão importante mencionar isso?

Mimi

Porque em setembro ainda não havia vacina aprovada. Mas o CNS sabia que em algum momento haveria. E quando chegasse, o SUS precisaria de dinheiro para comprar e distribuir para 210 milhões de pessoas. Não era especulação — era planejamento.

  • O orçamento federal para 2021 ameaçava deixar de fora os recursos extraordinários que haviam sustentado o SUS durante a pandemia, criando um vácuo financeiro no momento mais delicado.
  • Enquanto o vírus consumia atenção e verbas, cirurgias eletivas, exames complexos e tratamentos de doenças crônicas foram silenciosamente suspensos — uma fila invisível que crescia mês a mês.
  • O CNS propôs uma equação concreta: manter os R$ 168,7 bilhões já destinados, somar os créditos extraordinários da crise e ainda corrigir pelo IPCA de 2,3%, além de estabelecer um piso emergencial mínimo.
  • O ministro interino Eduardo Pazuello sinalizou concordância com o pedido, mas a petição ia além — exigia a revogação do teto de gastos, expondo a tensão entre austeridade fiscal e capacidade de resposta sanitária.
  • Com nenhuma vacina aprovada pela OMS no horizonte imediato, o SUS precisaria de orçamento para adquiri-la, distribuí-la e, ao mesmo tempo, recuperar meses de serviços paralisados — um desafio simultâneo sem precedentes.

Em setembro de 2020, o Conselho Nacional de Saúde chegou ao Congresso carregando 50 mil assinaturas — um peso coletivo que traduzia não apenas números orçamentários, mas vidas interrompidas: cirurgias adiadas, exames não realizados, tratamentos suspensos. A petição 'O SUS Merece Mais em 2021' colocava uma questão que transcende a contabilidade pública: pode um sistema de saúde construído para o ordinário sobreviver — e recuperar — o extraordinário, quando as regras de austeridade não foram feitas para crises?

Na manhã de 9 de setembro de 2020, representantes do Conselho Nacional de Saúde entregaram ao coordenador da Comissão Externa de Enfrentamento da Covid-19 na Câmara dos Deputados uma petição com 50 mil assinaturas. O documento, intitulado 'O SUS Merece Mais em 2021', pedia que o orçamento da saúde para o ano seguinte não sofresse cortes e que os recursos extraordinários mobilizados durante a pandemia fossem mantidos.

O problema era concreto: o Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2021 não contemplava esses recursos adicionais. O CNS propunha preservar os R$ 168,7 bilhões já destinados à saúde, incorporar os créditos extraordinários da crise e aplicar a variação do IPCA — então em 2,3% —, além de criar um piso emergencial mínimo para o setor.

Fernando Pigatto, presidente do CNS, explicou a dupla urgência do pedido. Sem vacina aprovada pela OMS, o SUS precisaria de verba para adquiri-la e distribuí-la quando chegasse. Mas havia também uma dívida acumulada: durante meses, cirurgias eletivas foram adiadas, exames de alta complexidade não foram realizados e pacientes com doenças crônicas viram seus tratamentos interrompidos. Recuperar esse atraso exigiria investimento significativo.

Pigatto relatou que o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, havia considerado o pedido justo. A petição, porém, carregava também uma posição mais ampla: o CNS pedia a revogação do teto de gastos federal, argumentando que essa regra impedia o sistema de responder adequadamente a crises. A questão que se projetava para 2021 era se o SUS teria fôlego orçamentário para enfrentar, ao mesmo tempo, a continuação da pandemia, a chegada de uma vacina e a recuperação de tudo que havia ficado para trás.

Na manhã de 9 de setembro de 2020, representantes do Conselho Nacional de Saúde entregaram nas mãos de Luiz Antonio Teixeira Jr., coordenador da Comissão Externa de Enfrentamento da covid-19 na Câmara dos Deputados, um documento que carregava o peso de 50 mil assinaturas. A petição, intitulada "O SUS Merece Mais em 2021", era um apelo direto: que o orçamento da saúde para o ano seguinte não sofresse cortes, que mantivesse os recursos extraordinários liberados durante a crise do coronavírus.

O pano de fundo era uma batalha orçamentária que se desenrolava nos corredores do Congresso. O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2021, em discussão, não contemplava aqueles recursos adicionais que haviam sido essenciais para o enfrentamento da pandemia. O CNS propunha algo específico: manter os R$ 168,7 bilhões já destinados à saúde, acrescentar os créditos extraordinários que haviam sido liberados durante a crise, e ainda incorporar a variação anual do IPCA, que naquele momento estava em 2,3%. Além disso, pediam o estabelecimento de um piso emergencial mínimo para o setor.

Fernando Pigatto, presidente do Conselho Nacional de Saúde, explicou a urgência por trás do pedido. O Brasil se aproximava de um cenário pós-pandemia ainda incerto. Não havia vacina aprovada pela Organização Mundial de Saúde. Quando uma vacina chegasse, o SUS precisaria de orçamento para adquiri-la e distribuí-la. Mas havia também outra camada de preocupação: durante meses, enquanto a pandemia consumia recursos e atenção, outras demandas de saúde haviam ficado suspensas. Cirurgias eletivas foram adiadas. Exames de grande complexidade não foram realizados. Pacientes com doenças crônicas tiveram seus tratamentos interrompidos ou comprometidos. Recuperar esse atraso exigiria investimento.

Pigatto informou que havia conversado naquele mesmo dia com Eduardo Pazuello, ministro interino da Saúde. Segundo o presidente do CNS, Pazuello havia considerado o pedido justo. Mas havia também uma posição política mais ampla embutida na petição: o CNS pedia a revogação do teto de gastos do governo federal, argumentando que essa limitação impedia que o sistema de saúde respondesse adequadamente às crises.

O que a petição revelava era uma tensão fundamental. De um lado, um sistema de saúde que havia sido acionado em emergência, que havia gasto recursos extraordinários para responder a uma crise sem precedentes. Do outro, um orçamento federal estruturado sob regras de austeridade que não previam esse tipo de flexibilidade. E no meio, pacientes cujos tratamentos haviam sido adiados, cirurgias que não aconteceram, exames que não foram feitos. A questão que se colocava para 2021 era se o SUS teria recursos para lidar simultaneamente com a continuação da pandemia, com a vacinação em massa quando chegasse, e com a recuperação de todos os serviços que haviam sido suspensos.

Para o próximo ano, o SUS precisa lidar com o contexto de pós-pandemia, sem uma vacina estabelecida e aprovada pela OMS
— Fernando Pigatto, presidente do CNS
Quer a matéria completa? Leia o original em UOL Notícias ↗
Fale Conosco FAQ