CNA acompanhará COP17 da Biodiversidade em Yerevan para defender interesses do agro

A agropecuária deve ocupar posição estratégica na agenda climática global
A CNA defende que o setor seja reconhecido tanto por sua vulnerabilidade quanto por sua capacidade de contribuir com soluções.
Mark

Por que a CNA considera tão importante estar presente em Yerevan neste momento específico?

Mimi

Porque a COP17 é a primeira avaliação global de como os países estão cumprindo o Marco de Kunming-Montreal. Se a CNA não estiver lá apresentando dados e argumentos sobre o papel da agropecuária na conservação, as decisões podem ser tomadas sem considerar a realidade dos produtores rurais brasileiros.

Luke

Mas a CNA tem assento formal nas negociações, ou está lá como observadora?

Mimi

A confederação participa através de reuniões paralelas e contribuições técnicas, em coordenação com a delegação oficial do Brasil. Não é um assento de negociação direta, mas é um canal de influência.

Mark

Quais são os temas específicos que mais preocupam o setor?

Mimi

Financiamento, principalmente. As metas de 2030 exigem investimentos em capacitação, transferência de tecnologia e cooperação técnica. Sem recursos concretos, fica difícil implementar.

Luke

O documento menciona que os produtores rurais "contribuem para a conservação". Isso é consenso científico ou é a posição que a CNA quer defender?

Mimi

É ambos. Há evidências de que práticas de manejo sustentável e manutenção de vegetação nativa por produtores contribuem para a biodiversidade. Mas é verdade que a CNA está ali para garantir que essa contribuição seja reconhecida nas negociações.

Mark

E quanto à COP31, em Antalya? Como a agropecuária se encaixa naquela agenda?

Mimi

A COP31 é sobre mudanças climáticas, não biodiversidade. Mas para a CNA, a agropecuária é central em ambas porque é vulnerável aos eventos climáticos e pode oferecer soluções de mitigação e adaptação.

Luke

Há números sobre quanto financiamento o setor está buscando ou quanto já foi comprometido?

Mimi

O documento não especifica valores. Fala em "ampliar o acesso a financiamento", mas não diz quanto isso representa.

Mark

Qual é o risco se a CNA não conseguir seus objetivos em Yerevan?

Mimi

Que as metas de biodiversidade sejam implementadas de forma que restrinja a produção agrícola sem oferecer alternativas viáveis ou financiamento para transição. Daí a importância de estar na mesa.

  • COP17 em Yerevan, 19 a 30 de outubro de 2026
  • Marco de Kunming-Montreal estabelece 23 metas para 2030 e objetivos para 2050
  • Delegação brasileira composta por 11 diplomatas do MRE
  • COP31 em Antalya, Turquia, em novembro de 2026

A COP17 revisará o progresso global na implementação do Marco de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que estabelece 23 metas para 2030 e objetivos de longo prazo para 2050. A agropecuária é essencial para a biodiversidade através da polinização, qualidade dos solos e conservação de vegetação nativa, enquanto produtores rurais contribuem ativamente para a conservação.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil participará da COP17 em Yerevan de 19 a 30 de outubro para defender os interesses do setor agropecuário nas negociações sobre biodiversidade e implementação do Marco de Kunming-Montreal.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil — a CNA — está se posicionando para participar ativamente da 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, que acontecerá em Yerevan, na Armênia, entre 19 e 30 de outubro. O evento, conhecido como COP17, reunirá negociadores de diversos países sob o tema "Agindo pela Natureza", e a confederação vê nele uma oportunidade crucial para defender os interesses do setor agropecuário brasileiro nas discussões globais sobre biodiversidade.

O foco central da conferência será a primeira avaliação global do progresso coletivo na implementação do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal. Esse marco, adotado na COP15, estabeleceu 23 metas de ação para 2030 e quatro objetivos de longo prazo para 2050, todos voltados à conservação, ao uso sustentável da biodiversidade, à repartição de benefícios e aos meios necessários para sua implementação. A avaliação permitirá identificar avanços, lacunas e necessidades de apoio para o cumprimento desses compromissos internacionais.

Para a CNA, a participação é essencial porque as discussões têm relação direta com a agropecuária. A diversidade genética, a polinização, a qualidade dos solos e a disponibilidade de água são elementos fundamentais à produção de alimentos. Ao mesmo tempo, os produtores rurais contribuem ativamente para a conservação por meio da manutenção da vegetação nativa e da adoção de práticas de manejo sustentável. Temas como negócios e biodiversidade, financiamento, bioeconomia, mudanças climáticas, conservação e uso sustentável das florestas estarão entre as discussões com implicações diretas para o setor produtivo.

Durante as duas semanas de negociações, a confederação acompanhará os debates e contribuirá com o governo brasileiro e outras partes interessadas nos temas que impactam o setor agropecuário. A entidade também participará de reuniões e eventos paralelos, levando as perspectivas dos produtores rurais para as discussões internacionais. Esse trabalho será realizado em coordenação com uma delegação de 11 diplomatas do Ministério das Relações Exteriores, e a CNA fará reportes regulares com as informações mais importantes durante os dias de negociação.

O posicionamento do setor defende que o avanço da agenda de biodiversidade considere as diferentes realidades produtivas, seja baseado em ciência e inovação e venha acompanhado de condições concretas para sua implementação — como financiamento, capacitação, cooperação técnica e transferência de tecnologia. A confederação busca garantir que as decisões internacionais reconheçam o papel da agropecuária na conservação e no uso sustentável da biodiversidade, além de defender a segurança jurídica e o respeito às particularidades da agricultura tropical.

Essa participação na COP17 se insere em um contexto mais amplo de engajamento do setor agropecuário nas agendas climáticas globais. A 31ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima — a COP31 — será realizada em novembro, em Antalya, na Turquia, sob presidência cooperativa da Turquia e da Austrália. Para a CNA, a agropecuária deve ocupar posição estratégica nessa agenda, tanto por sua vulnerabilidade aos eventos climáticos quanto por sua capacidade de contribuir com soluções de mitigação, adaptação, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável. O setor segue articulando propostas para garantir que as negociações reconheçam as diferentes realidades produtivas, ampliem o acesso a financiamento e tecnologia e valorizem as práticas sustentáveis já adotadas pelos produtores rurais brasileiros.

A agropecuária deve ocupar posição estratégica nessa agenda, tanto por sua vulnerabilidade aos eventos climáticos quanto por sua capacidade de contribuir com soluções de mitigação, adaptação, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável.
— Posicionamento da CNA
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