Cloud9 Capital levanta R$ 600 milhões e dobra tamanho de seu segundo fundo

Empresas crescendo 200% ao ano, rentáveis e gerando caixa próprio
Felipe Affonso descreve o cenário atual do mercado de venture capital brasileiro como mais saudável do que em 2021.

Em um mercado de venture capital ainda marcado pela ressaca dos excessos de 2021, a Cloud9 Capital concluiu a captação de seu segundo fundo com R$ 600 milhões — o dobro do primeiro veículo —, sinalizando que disciplina e seletividade podem ser, por si sós, uma forma de diferenciação. A gestora, fundada por Felipe Affonso, Noah Stern e Rafael Serson, aposta em empresas de tecnologia que já geram caixa e crescem com consistência, com olhar especial para empreendedores fora dos grandes centros e, agora, para o universo da inteligência artificial. O resultado não é apenas financeiro: é a confirmação de que uma tese construída com paciência encontrou seu momento.

  • Enquanto cerca de 40 gestoras de venture capital tentam captar recursos no Brasil sem atingir suas metas, a Cloud9 dobrou o tamanho do fundo anterior e manteve todos os cotistas originais.
  • A euforia de 2021 deixou cicatrizes no setor — valuations inflados, capital mal alocado —, e a Cloud9 respondeu sendo deliberadamente cautelosa, acelerando aportes só a partir de 2024.
  • A inteligência artificial abre novas fronteiras, mas também derruba barreiras de entrada, exigindo da gestora uma leitura mais fina sobre quais empresas realmente conseguirão capturar e defender seus mercados.
  • Com R$ 600 milhões em mãos, a Cloud9 planeja investir em até dez empresas, ampliando o escopo do primeiro fundo sem abrir mão do perfil que a define: negócios rentáveis, escaláveis e fundadores fora do eixo Rio-São Paulo.

A Cloud9 Capital encerrou a captação de seu segundo fundo com R$ 600 milhões, exatamente o dobro do que havia levantado três anos antes. Em um setor onde a maioria das gestoras não consegue atingir suas metas, o resultado carrega um peso simbólico além do financeiro: é a validação de uma estratégia construída com cautela em meio ao caos.

Os investidores do primeiro fundo, de R$ 300 milhões, decidiram alocar em média 50% a mais neste novo veículo. Novos cotistas também entraram, atraídos pelo desempenho das empresas já escolhidas pela gestora. Para Felipe Affonso, sócio fundador ao lado de Noah Stern e Rafael Serson, o movimento confirma que a tese funcionou — e que agora há espaço para cheques maiores sem perder a flexibilidade que sempre caracterizou a casa.

A estratégia permanece centrada em empresas de tecnologia em estágio de crescimento que já geram caixa, com modelos escaláveis. A novidade é a ênfase em inteligência artificial e a manutenção do olhar para empreendedores fora do eixo Rio-São Paulo — fundadores que nunca passaram pelas universidades americanas de prestígio e que recebem capital institucional pela primeira vez. O segundo fundo já começou a ser alocado, com investimentos na Canopy e na Uncover.

Affonso reconhece que o mercado mudou desde 2021, quando reinava a euforia e os valuations estavam inflados. A Cloud9 foi deliberadamente lenta naquele período, acelerando os aportes apenas a partir de 2024. Hoje, o sócio vê um cenário mais saudável: empresas crescendo 200% ao ano, rentáveis e com geração própria de caixa. A inteligência artificial, porém, trouxe um novo desafio — as barreiras de entrada caíram, e entender quais empresas realmente conseguirão defender seu espaço competitivo tornou-se tarefa mais complexa e mais urgente.

A Cloud9 Capital fechou a captação de seu segundo fundo com R$ 600 milhões — exatamente o dobro do que havia levantado na primeira rodada, três anos antes. Em um mercado de venture capital que ainda se recupera das turbulências dos últimos anos, o resultado representa mais que um número: é validação de uma tese que funcionou.

Os investidores que já estavam no primeiro fundo, de R$ 300 milhões, decidiram alocar em média 50% a mais de capital neste novo veículo. Alguns nomes novos também entraram na base de cotistas, atraídos pelo desempenho das empresas que a gestora já havia escolhido. Felipe Affonso, um dos sócios fundadores ao lado de Noah Stern e Rafael Serson, vê nesse movimento um sinal claro: a estratégia funcionou, e agora a Cloud9 tem espaço para aumentar o tamanho de seus cheques sem perder a flexibilidade que a caracteriza.

A tese permanece a mesma — encontrar empresas de tecnologia em estágio de crescimento que já geram caixa e possuem modelos de negócio escaláveis — mas com uma nuance importante: inteligência artificial entra agora como um foco adicional. A gestora também mantém seu olhar voltado para empreendedores fora do eixo Rio-São Paulo, aqueles que não passaram pelas universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos e que nunca haviam recebido capital de investidores institucionais antes. Com o dobro de recursos, a Cloud9 pretende fazer investimentos em até dez empresas, ante as sete do primeiro fundo.

No primeiro veículo, a gestora apostou em nomes como Onfly, plataforma de viagens corporativas; Cilia, que oferece inteligência artificial para oficinas e seguradoras; V360, solução de contas a pagar para grandes empresas; e Nexfit, sistema de gestão para academias. O segundo fundo já começou a ser alocado, com investimentos na Canopy, que trabalha com consolidação de software, e na Uncover, plataforma focada em otimização de mídia e performance digital.

Affonso observa que o mercado de venture capital brasileiro mudou significativamente desde 2021, quando o primeiro fundo foi captado. Naquela época, o setor vivia em euforia, com valuations inflados e capital transbordando. A Cloud9, porém, foi cautelosa: fez poucos aportes nos três primeiros anos e só acelerou os investimentos a partir de 2024. Agora, o sócio enxerga um cenário mais saudável. Empresas crescendo 200% ao ano, rentáveis e gerando caixa próprio. O fluxo de oportunidades é melhor do que era em 2021, e a qualidade dos empreendedores subiu.

Mas a inteligência artificial também trouxe novos desafios. Affonso reconhece que há empreendedores excepcionais e produtos muito bons sendo criados, mas as barreiras de entrada caíram. É mais fácil agora lançar uma empresa e colocar um produto no mercado. Isso torna o investimento simultaneamente mais recompensador e mais difícil — é preciso compreender melhor quais são as verdadeiras barreiras competitivas e como cada empresa vai capturar seu mercado.

A captação da Cloud9 acontece em um contexto em que aproximadamente 40 gestoras de venture capital estão tentando levantar recursos no Brasil. A maioria delas, porém, não consegue atingir suas metas ou encerra os fundos com valores abaixo do esperado. Nesse cenário, o resultado da Cloud9 se destaca não apenas pelo tamanho, mas pela confiança que seus investidores depositaram na continuidade da estratégia.

Os investidores do primeiro fundo, em média, alocaram 50% a mais neste veículo. Isso mostra que a tese funcionou e que conseguimos ampliar o tamanho dos cheques com flexibilidade
— Felipe Affonso, sócio da Cloud9 Capital
Estou vendo empresas crescendo 200% ao ano, rentáveis e gerando caixa. O deal flow está muito melhor do que em 2021. A qualidade dos empreendedores está maior
— Felipe Affonso
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que os investidores do primeiro fundo decidiram colocar 50% a mais de capital agora?

Model

Porque viram as empresas que a Cloud9 escolheu crescerem e gerarem caixa. Não era especulação — era resultado real. Isso dá confiança para aumentar a aposta.

Inventor

A gestora está buscando algo diferente desta vez?

Model

A tese é a mesma, mas com inteligência artificial como um foco adicional. E há algo mais importante: eles continuam procurando empreendedores que ninguém mais estava olhando — fora do eixo Rio-São Paulo, sem conexões nas universidades americanas.

Inventor

Qual é o maior risco que Affonso vê agora?

Model

A IA tornou mais fácil criar empresas e lançar produtos. Isso significa que a diferenciação ficou mais difícil. Não basta ter uma boa ideia — é preciso entender como você vai manter uma vantagem competitiva real.

Inventor

Como a Cloud9 se diferencia de outras gestoras que estão captando agora?

Model

Eles foram disciplinados em 2021, quando todos estavam eufóricos. Esperaram, investiram com cuidado, e só aceleraram quando o mercado ficou mais saudável. Agora, enquanto 40 gestoras lutam para bater suas metas, a Cloud9 dobrou a sua.

Inventor

O que mudou no mercado de venture capital desde 2021?

Model

Tudo. Naquela época havia excesso de capital e valuations inflados. Agora há menos dinheiro, mas as empresas que crescem são realmente rentáveis. O deal flow é melhor porque os empreendedores são mais sérios.

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