Em Minas Gerais, estado que historicamente espelha o destino eleitoral do país, a primeira pesquisa Datafolha após o registro oficial das candidaturas revela Cleitinho Azevedo à frente com 32% das intenções de voto, enquanto Patrus Ananias e Alexandre Kalil dividem o segundo lugar com 12% cada. A corrida começa marcada por indecisões, candidaturas de última hora e um eleitorado ainda amplamente indefinido — sinais de que a disputa está longe de encontrar seu eixo.
Cleitinho lidera corrida ao governo de MG com 32%, aponta Datafolha
Todos os presidentes eleitos desde a redemocratização também venceram em Minas
Por que Cleitinho consegue liderar apesar de toda essa confusão sobre sua candidatura?
Porque liderança em pesquisa não é o mesmo que confiança. Ele tem 32%, mas 14% votariam em branco ou nulo. Há espaço para movimento.
E essa história de vídeo de IA e chamado do Espírito Santo — isso é real ou exagero?
É real. A indefinição dele foi tão pública e tão estranha que marcou a campanha antes dela começar. Isso deixa cicatrizes.
Patrus tem mais rejeição que Cleitinho, mas menos intenção de voto. Como se explica?
Rejeição alta não mata candidatura se o eleitor não tem alternativa clara. Patrus é conhecido, polariza, mas quem quer PT em Minas ainda vota nele.
Minas sempre elege o presidente que vence nacionalmente. Isso significa que essa pesquisa já aponta o vencedor?
Não. Minas é espelho, mas não é determinada. O que acontece aqui reflete o que acontece no país, mas também influencia. É um termômetro, não um destino.
Por que Lula e Bolsonaro demoraram tanto para escolher seus candidatos?
Porque ninguém queria. Minas é importante, mas é também um estado difícil. Escolher errado aqui é perder o estado inteiro.
Le Pouls
- Cleitinho Azevedo lidera com folga, mas sua trajetória errática — com ao menos três mudanças de posição sobre a candidatura — fragiliza a solidez dessa vantagem.
- Patrus Ananias e Alexandre Kalil disputam o segundo lugar empatados, enquanto o governador em exercício, Mateus Simões, aparece distante com apenas 4%.
- Lula e Flávio Bolsonaro demoraram tanto para definir seus candidatos em Minas que acabaram lançando nomes de última hora, revelando a dificuldade dos partidos nacionais de organizar o palanque no estado mais estratégico do país.
- Quase um quinto do eleitorado ainda não se decidiu — 14% pretendem votar em branco ou nulo e 13% seguem indecisos —, deixando o campo aberto para reviravoltas.
- No campo da rejeição, Patrus lidera negativamente com 29%, seguido por Kalil com 23%, o que complica a consolidação de qualquer candidatura de centro-esquerda.
- Minas Gerais, espelho eleitoral do Brasil desde a redemocratização, torna essa disputa estadual um termômetro decisivo para a corrida presidencial.
Em Minas Gerais, estado que historicamente espelha o destino eleitoral do país, a primeira pesquisa Datafolha após o registro oficial das candidaturas revela Cleitinho Azevedo à frente com 32% das intenções de voto, enquanto Patrus Ananias e Alexandre Kalil dividem o segundo lugar com 12% cada. A corrida começa marcada por indecisões, candidaturas de última hora e um eleitorado ainda amplamente indefinido — sinais de que a disputa está longe de encontrar seu eixo.
A primeira pesquisa Datafolha divulgada após o registro oficial das candidaturas ao governo de Minas Gerais coloca Cleitinho Azevedo, senador pelo Republicanos, na liderança com 32% das intenções de voto. O levantamento, feito com 1.204 eleitores mineiros, marca o ponto de partida de uma disputa que já chegou ao início oficial carregada de confusão.
O segundo lugar é dividido pelos ex-prefeitos de Belo Horizonte Patrus Ananias, do PT, e Alexandre Kalil, do PDT, ambos com 12%. O governador em exercício Mateus Simões aparece empatado com Flávio Roscoe e Gabriel Azevedo, todos com 4%. Um quinto do eleitorado ainda não se posicionou: 14% pretendem votar em branco ou nulo, e 13% seguem indecisos.
O que torna a corrida particularmente tumultuada é a trajetória de seu atual líder. Cleitinho mudou de ideia sobre a candidatura ao menos três vezes nos últimos meses, causando constrangimento dentro do próprio partido — episódio marcado por um vídeo de inteligência artificial e por um alegado chamado espiritual. Quando os nomes não são apresentados ao eleitor, ele ainda lidera com 15%, mas 64% permanecem sem escolha definida.
A desordem não é exclusiva de Cleitinho. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro demoraram para definir seus apoiados no estado e acabaram lançando nomes de última hora. A candidatura de Patrus só surgiu após intervenção direta do presidente, já que o senador Rodrigo Pacheco havia recusado repetidamente o convite. O PL oficializou Roscoe para garantir presença no estado após as idas e vindas do senador dos Republicanos.
No campo da rejeição, o cenário se inverte: Patrus lidera negativamente com 29%, seguido por Kalil com 23% e Roscoe com 17%. Cleitinho e Mateus Simões empatam com 14% de rejeição cada. A margem de erro é de 3 pontos percentuais.
Minas Gerais carrega peso que vai além de suas fronteiras. Desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos também venceram no estado — o que faz da disputa pelo governo mineiro um termômetro privilegiado para a eleição presidencial.
A primeira pesquisa Datafolha divulgada após o registro oficial das candidaturas ao governo de Minas Gerais mostra um cenário em que Cleitinho Azevedo, senador pelo Republicanos, sai na frente com 32% das intenções de voto. O levantamento, realizado entre terça e quinta-feira da semana anterior com 1.204 eleitores mineiros, marca o ponto de partida de uma disputa que já se revelou caótica antes mesmo de começar oficialmente.
O segundo lugar é dividido por dois ex-prefeitos de Belo Horizonte: Patrus Ananias, do PT, e Alexandre Kalil, do PDT, ambos com 12%. O governador em exercício, Mateus Simões do PSD, aparece mais atrás, empatado com Flávio Roscoe do PL e Gabriel Azevedo do MDB, todos marcando 4%. Túlio Lopes do PCB ficou com 2%, enquanto Rafael Duda, Ben Mendes e Indira Xavier somaram 1% cada. Henrique Áreas do PCO não pontuou. Um quinto dos eleitores ainda não se decidiu: 14% pretendem votar em branco ou nulo, e 13% seguem indecisos.
O que torna essa corrida particularmente tumultuada é a trajetória errática de seu atual líder. Cleitinho Azevedo mudou de ideia sobre sua candidatura ao governo estadual pelo menos três vezes nos últimos meses, causando constrangimento dentro de seu próprio partido. Sua indefinição foi marcada por um vídeo de inteligência artificial e por um chamado do Espírito Santo — detalhes que ilustram a confusão que cercou sua decisão. Quando questionados espontaneamente, sem que os nomes fossem apresentados, Cleitinho ainda lidera com 15%, mas nesse formato a maioria dos eleitores — 64% — permanece indecisa.
A bagunça não é exclusiva de Cleitinho. Os dois principais candidatos presidenciais, Lula pelo PT e Flávio Bolsonaro pelo PL, demoraram tanto para definir seus apoiados no estado que acabaram lançando nomes de última hora: um deputado federal e um empresário, respectivamente. A candidatura de Patrus surgiu após o próprio Lula intervir, já que o senador Rodrigo Pacheco havia recusado repetidamente o convite. O PL, por sua vez, oficializou Roscoe para garantir um palanque no estado após as idas e vindas de Cleitinho.
Minas Gerais não é um estado qualquer nessa eleição. Desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos também venceram nas urnas mineiras. O estado funciona como um espelho do país, com características sociodemográficas diversas que o tornam representativo do eleitorado nacional. Por isso, a disputa pelo governo estadual carrega peso que vai além das fronteiras de Minas.
No quesito rejeição, o cenário muda. Patrus Ananias lidera nesse aspecto negativo, com 29% dos eleitores dizendo que não votariam nele sob nenhuma circunstância. Alexandre Kalil vem em seguida com 23% de rejeição. Flávio Roscoe marca 17%, enquanto Cleitinho e Mateus Simões ficam empatados com 14% cada. A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
Citations marquantes
A corrida pelo governo mineiro é uma das mais tumultuadas deste ciclo eleitoral— Análise da Folha de S.Paulo