Em Bragança Paulista, o que nasceu como uma horta durante a pandemia tornou-se uma mansão de 1.700 metros quadrados que desafia a separação entre luxo e responsabilidade ambiental. A atriz Claudia Raia e o arquiteto Léo Shehtman ergueram uma residência de três pavimentos onde garrafas PET substituem madeira, painéis solares aquecem a água e a chuva é reaproveitada — gestos que não apagam o peso de uma obra dessa magnitude, mas que colocam uma pergunta legítima no centro do debate: pode a sustentabilidade habitar o andar de cima?
Claudia Raia constrói mansão sustentável de 1.700 m² com garrafas PET e energia solar
Sustentabilidade e arquitetura de luxo podem dividir o mesmo projeto
Por que uma atriz decidiu construir uma mansão de 1.700 metros quadrados em vez de simplesmente reformar uma casa menor?
A casa não começou como um projeto de mansão. Começou como uma horta durante a pandemia. A família estava em contato com a natureza e quis cultivar alimentos. O que era para ser um pequeno abrigo no jardim cresceu organicamente até virar o que é hoje.
E a sustentabilidade veio depois, ou foi pensada desde o início?
Veio durante o processo. O filho mais velho de Claudia, Enzo, influenciou as discussões sobre sustentabilidade. Ela pediu ao arquiteto que priorizasse alternativas que reduzissem o uso de recursos naturais novos. Não foi uma imposição externa — foi um desejo genuíno da família.
Garrafas PET no lugar de madeira soa como um compromisso. Funciona de verdade?
Funciona esteticamente e ambientalmente. O material recebeu acabamento semelhante ao da madeira, então não é uma solução visível de longe. Mas a questão real é: quanto dessa sustentabilidade é simbólica em uma casa de quase 1.700 metros quadrados?
Ótima pergunta. A energia solar aquece água, mas aquece toda a casa?
Não. Os painéis solares ajudam principalmente a aquecer a água. O controle de temperatura vem de outras estratégias — tijolos refratários, brises, ventilação natural, tetos verdes. É um sistema integrado, não uma solução única.
E a água da chuva? Quanto da casa depende dela?
Não sabemos. Os dados disponíveis não informam a capacidade dos reservatórios nem a economia anual. Sabemos que ela é usada para irrigação e limpeza, mas não é possível calcular o impacto real no consumo total.
Então há transparência limitada sobre o quanto isso realmente funciona?
Exatamente. O projeto é impressionante visualmente e conceitualmente, mas os números que provariam seu impacto ambiental real não foram divulgados. É uma mansão sustentável, mas sustentável até que ponto?
O Pulso
- Uma horta planejada durante o isolamento pandêmico cresceu sem parar até se tornar uma mansão de três pavimentos — a escala da ambição surpreendeu até o projeto original.
- Garrafas PET recicladas, tapetes feitos de plástico retirado do oceano e tijolos refratários criam uma tensão visível entre o vocabulário do luxo e o da consciência ambiental.
- Painéis solares, captação de chuva e brises reduzem a dependência de recursos externos, mas os dados concretos sobre economia real de energia e água ainda não foram divulgados.
- O projeto navega entre a demonstração genuína de viabilidade sustentável e a crítica inevitável: uma construção de 1.700 m² carrega um impacto ambiental que nenhuma garrafa PET apaga por completo.
- A casa de Claudia Raia chega ao debate público como um argumento arquitetônico — de que sofisticação e responsabilidade ecológica podem, ao menos em parte, dividir o mesmo telhado verde.
Em Bragança Paulista, o que nasceu como uma horta durante a pandemia tornou-se uma mansão de 1.700 metros quadrados que desafia a separação entre luxo e responsabilidade ambiental. A atriz Claudia Raia e o arquiteto Léo Shehtman ergueram uma residência de três pavimentos onde garrafas PET substituem madeira, painéis solares aquecem a água e a chuva é reaproveitada — gestos que não apagam o peso de uma obra dessa magnitude, mas que colocam uma pergunta legítima no centro do debate: pode a sustentabilidade habitar o andar de cima?
Aos 59 anos, Claudia Raia viu um projeto modesto — uma horta para cultivar alimentos orgânicos durante a pandemia — crescer até se tornar uma mansão de quase 1.700 metros quadrados na zona rural de Bragança Paulista, a cerca de 85 quilômetros de São Paulo. A família, que incluía o marido Jarbas Homem de Mello e os filhos, passou tempo em uma chácara no interior paulista e saiu de lá com o desejo de plantar, colher e, no fim, construir. Dois anos depois, o que seria um simples abrigo de jardim havia se transformado em uma residência de três pavimentos.
O arquiteto Léo Shehtman conduziu o projeto com uma premissa central: a natureza como protagonista. Suítes e espaços de convivência foram posicionados para preservar as vistas da mata e da represa ao redor. Amplos painéis de vidro dissolvem a fronteira entre o interior luxuoso e a paisagem exterior, enquanto madeira certificada, tijolos refratários e grandes aberturas garantem iluminação e ventilação naturais sem abrir mão da sofisticação.
Um dos detalhes mais incomuns da construção está nos elementos externos produzidos com plástico reciclado de garrafas PET, acabados de forma a imitar a madeira convencional. No interior, tapetes e revestimentos foram feitos com materiais recicláveis, incluindo plástico retirado do oceano. A própria atriz pediu ao arquiteto que priorizasse alternativas capazes de reduzir o uso de recursos naturais novos — uma conversa que, segundo relatos, contou com a influência do filho Enzo Celulari.
Os painéis solares instalados na propriedade aquecem a água dos moradores. Os tijolos refratários conservam o calor no inverno e, combinados com brises e ventilação natural, reduzem significativamente a necessidade de climatização artificial nos meses quentes. Tetos verdes reforçam o isolamento térmico e integram a arquitetura ao paisagismo. Um sistema de captação de água da chuva abastece a irrigação e a limpeza das áreas externas, diminuindo o consumo de água tratada — embora os dados sobre capacidade e economia real ainda não tenham sido divulgados.
O projeto não escapa de uma contradição honesta: uma mansão dessa escala exige volumes consideráveis de materiais e energia para existir, e nenhuma escolha sustentável apaga completamente esse peso. Ainda assim, a casa de Claudia Raia oferece um argumento concreto — de que tecnologias ambientais e arquitetura de alto padrão podem, sim, ocupar o mesmo espaço, mesmo que a equação nunca seja perfeita.
Aos 59 anos, Claudia Raia transformou um projeto que começou simples — uma horta para cultivar alimentos orgânicos — em uma mansão de quase 1.700 metros quadrados erguida na zona rural de Bragança Paulista, a cerca de 85 quilômetros de São Paulo. A história nasceu durante a pandemia, quando a atriz, seu marido Jarbas Homem de Mello e os filhos passaram tempo em uma chácara no interior paulista. O contato constante com a natureza despertou na família o desejo de plantar e colher seus próprios alimentos. O que era para ser apenas uma pequena construção no jardim — um abrigo para apoiar a estrutura da horta — cresceu durante o desenvolvimento até virar uma residência de três pavimentos, concluída após aproximadamente dois anos de trabalho.
O arquiteto Léo Shehtman assinou o projeto com uma premissa clara: a natureza deveria ser protagonista. As suítes, salas e espaços de convivência foram posicionados para preservar as vistas da mata e da represa que cercam a propriedade. Amplos painéis de vidro aproximam os ambientes internos da paisagem externa, criando uma continuidade visual entre o interior luxuoso e o exterior selvagem. A construção mantém a madeira certificada, tijolos refratários, brises e grandes aberturas que aproveitam iluminação e ventilação naturais — escolhas que refletem tanto a estética quanto a funcionalidade ambiental.
Um dos detalhes mais incomuns da mansão aparece nos elementos externos produzidos com plástico reciclado de garrafas PET. O material recebeu acabamento semelhante ao da madeira e permitiu substituir parte dos componentes que normalmente seriam utilizados na fachada e nas áreas de convivência. A preocupação ambiental também chegou ao interior: tapetes e revestimentos foram produzidos com materiais recicláveis, incluindo plástico retirado do oceano. Segundo informações sobre o projeto, Enzo Celulari, filho mais velho de Claudia, influenciou parte das discussões sobre sustentabilidade. A própria atriz pediu ao arquiteto que priorizasse alternativas capazes de reduzir o uso de recursos naturais novos.
Os painéis solares instalados na propriedade ajudam principalmente a aquecer a água utilizada pelos moradores. As paredes receberam tijolos refratários, escolhidos para auxiliar no controle da temperatura — durante o inverno, o material conserva o calor dentro da residência, enquanto nos meses mais quentes, brises reduzem a entrada direta dos raios solares. A combinação entre sombreamento, ventilação natural e comportamento térmico das paredes diminui significativamente a necessidade de climatização artificial. Tetos verdes instalados sobre algumas áreas externas reforçam o isolamento térmico e integram visualmente a arquitetura ao paisagismo.
A mansão também recebeu um sistema para captar e reaproveitar a água da chuva. Depois de armazenada, essa água pode atender atividades que não exigem água potável, como irrigação do jardim e limpeza das áreas externas. Assim, a residência reduz o consumo de água tratada nessas tarefas. As informações disponíveis, porém, não apresentam a capacidade dos reservatórios nem a economia anual alcançada, tornando impossível calcular quanto do consumo total da propriedade depende da chuva.
É importante reconhecer que uma mansão de quase 1.700 metros quadrados exige grande quantidade de materiais e energia para ser construída — o impacto ambiental dessa escala de obra não desaparece com escolhas sustentáveis. Mas o projeto revela algo significativo: tecnologias ambientais e arquitetura de luxo podem ocupar o mesmo espaço. A casa de Claudia Raia demonstra que sustentabilidade não é incompatível com conforto e sofisticação, mesmo que a construção em si carregue o peso de sua própria magnitude.
Citações Notáveis
Claudia pediu ao arquiteto que priorizasse alternativas capazes de reduzir o uso de recursos naturais novos— Informações sobre o projeto