Brasília tem internet 70% mais rápida que Manaus
Em um país à beira de uma transformação tecnológica profunda, a Ookla revelou, no terceiro trimestre de 2021, que a Claro lidera a corrida pela internet móvel mais veloz do Brasil — mas a disputa vai além da velocidade bruta, tocando questões de latência, cobertura geográfica e a promessa ainda não cumprida do 5G. O levantamento expõe não apenas a competição entre operadoras, mas também as desigualdades silenciosas que separam Brasília de Manaus em mais de 13 megabits por segundo. Enquanto o leilão da Anatel aguarda no horizonte, o Brasil navega uma era de transição, onde o presente ainda não é o futuro prometido.
- A Claro distancia-se das rivais com uma pontuação de 44,76 — quase 12 pontos acima da Vivo, segunda colocada — revelando uma assimetria significativa no mercado de telecomunicações brasileiro.
- A TIM inverte o jogo ao liderar em latência com apenas 26 milissegundos, mostrando que velocidade de download e qualidade de experiência em tempo real são métricas distintas e igualmente relevantes.
- Brasília supera São Paulo e Rio de Janeiro com folga, expondo uma geografia da conectividade que contraria expectativas e aponta para desigualdades estruturais na infraestrutura nacional.
- O 5G DSS surge como solução paliativa enquanto o leilão da Anatel não ocorre, mas nenhuma operadora se destaca nessa tecnologia — sinalizando que a quinta geração ainda é uma promessa em construção.
- A diferença de mais de 13 Mb/s entre Brasília e Manaus traduz em números concretos o abismo de infraestrutura que separa regiões do mesmo país.
A Ookla divulgou, com base nos dados do terceiro trimestre de 2021, um retrato detalhado da internet móvel no Brasil — e a Claro ocupa o topo com uma pontuação de 44,76 em uma escala até 50, deixando Vivo (32,19), TIM (28,21) e Oi (21,88) em posições distantes. O indicador considera tanto a velocidade de download quanto a de upload em condições reais de uso.
O ranking, porém, se reorganiza quando o critério é latência. A TIM assume a liderança com 26 milissegundos medianos — o menor tempo de resposta entre as operadoras —, seguida pela Claro com 28 ms, Vivo com 30 ms e Oi com 32 ms. Para aplicações que exigem respostas imediatas, como videochamadas e jogos online, esse número importa tanto quanto a velocidade bruta.
Em downloads medidos em Mb/s, os clientes da Claro registraram mediana de 65,92 Mb/s, com Vivo (64,61 Mb/s) e TIM (58,15 Mb/s) próximas. São números que refletem o cotidiano real dos usuários, não condições de laboratório.
No mapa das cidades, Brasília surpreende ao liderar com 31,44 Mb/s de download mediano, à frente de Curitiba (29,35 Mb/s), Rio de Janeiro (25,14 Mb/s) e São Paulo (25,08 Mb/s). Manaus fecha a lista com 18,37 Mb/s — uma diferença de mais de 13 Mb/s em relação à capital federal, que traduz em dados a desigualdade de infraestrutura entre regiões do país.
O cenário é de transição: o leilão da Anatel para o 5G de alta capacidade ainda não ocorreu, e as operadoras recorrem ao 5G DSS como solução intermediária. Nenhuma delas se destacou nessa tecnologia, confirmando que a quinta geração, no Brasil, ainda está em fase de consolidação.
A Claro conquistou a primeira posição em um levantamento sobre velocidade de internet móvel no Brasil, segundo dados do velocímetro da Ookla referentes ao terceiro trimestre do ano. A operadora alcançou uma pontuação de 44,76 em uma escala que vai de zero a 50, deixando concorrentes significativamente atrás. A Vivo ficou em segundo lugar com 32,19 pontos, seguida pela TIM com 28,21 e pela Oi com 21,88. O indicador da Ookla leva em conta tanto a velocidade de recebimento quanto a de envio de dados em diferentes cenários de uso.
Quando o assunto é latência — o tempo que leva para uma solicitação sair do dispositivo e chegar ao servidor — o ranking muda. A TIM assume a liderança com uma latência mediana de 26 milissegundos, métrica que reflete diretamente na experiência do usuário em aplicações que exigem respostas em tempo real. A Claro vem logo atrás com 28 milissegundos, seguida pela Vivo com 30 e pela Oi com 32. Quanto maior esse número, pior o desempenho percebido pelo usuário.
Em relação à velocidade de download medida em megabits por segundo, os clientes da Claro experimentaram uma mediana de 65,92 Mb/s. A Vivo registrou 64,61 Mb/s e a TIM, 58,15 Mb/s. Esses números refletem o desempenho real que os usuários encontram em suas operações diárias, não apenas em condições ideais de laboratório.
No mapa das cidades brasileiras, Brasília emergiu como o local com a melhor conexão móvel do país, com velocidade mediana de download de 31,44 Mb/s. Curitiba aparece em segundo lugar com 29,35 Mb/s, enquanto Rio de Janeiro e São Paulo ficam muito próximas, com 25,14 Mb/s e 25,08 Mb/s respectivamente. Salvador segue com 23,66 Mb/s, Goiânia com 21,91 Mb/s, Belo Horizonte com 21,60 Mb/s, Fortaleza com 20,09 Mb/s, Recife com 18,65 Mb/s e Manaus com 18,37 Mb/s. A diferença entre a capital federal e a décima colocada ultrapassa 13 Mb/s, uma margem considerável que reflete desigualdades na infraestrutura de telecomunicações pelo território nacional.
O cenário atual é de transição tecnológica. O Brasil ainda aguarda o leilão da Anatel para a implementação do 5G de alta capacidade, que promete velocidades e capacidades significativamente superiores. Enquanto isso, algumas operadoras já oferecem soluções intermediárias através da tecnologia 5G DSS, que permite usar a infraestrutura existente de forma mais eficiente. Segundo a Ookla, nenhuma operadora se destacou de forma clara quando o assunto é especificamente a conexão de quinta geração, sugerindo que essa tecnologia ainda está em fase de consolidação no mercado brasileiro.
Notable Quotes
Nenhuma operadora se destacou de forma clara em conexão de quinta geração— Ookla
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Por que a Claro saiu na frente se a TIM tem melhor latência? Essas métricas não deveriam andar juntas?
São dimensões diferentes da qualidade. A Claro vence em volume bruto — quanto dado passa por segundo. Mas a TIM é mais responsiva, o que importa para videochamadas ou jogos. Um usuário que baixa arquivos grandes prefere a Claro; quem joga online prefere a TIM.
E por que Brasília tem internet tão melhor que o resto do país?
Brasília é uma capital planejada, com infraestrutura concentrada e mais investimento das operadoras. As cidades menores sofrem com dispersão geográfica e menor densidade de usuários — não compensa investir tanto.
O 5G DSS que mencionam — é um substituto real para o 5G de verdade?
É um remendo. Usa a infraestrutura 4G existente de forma mais inteligente, mas não oferece as velocidades que o 5G puro promete. É o que as operadoras conseguem fazer enquanto aguardam o leilão da Anatel.
Qual operadora deveria escolher alguém que trabalha com videoconferência?
Provavelmente a TIM, pela latência. Mas depende também de onde você está. Em Brasília, qualquer uma funciona bem. Em Manaus, a escolha importa muito mais.
Esses números vão mudar muito quando o 5G real chegar?
Completamente. Os números que vemos agora — 30, 40, 60 Mb/s — vão parecer lentos. O 5G promete centenas de megabits. Mas isso só acontece se o leilão da Anatel realmente sair e as operadoras investirem em infraestrutura.