Quando uma empresa entra em colapso, a primeira batalha raramente é financeira — é narrativa. Fernando Cinelli, sócio-fundador afastado da presidência da Apex Partners em 5 de agosto, recorreu à Justiça uma semana depois para exigir acesso a documentos que possam contradizer a versão oficial de sua culpa. Com um endividamento de quase R$ 1 bilhão e uma auditoria externa da qual ele está excluído, Cinelli trava uma corrida contra o tempo: contestar, com provas, uma história que outros já começaram a escrever sem ele.
Cinelli recorre à Justiça para acessar documentos da Apex após afastamento
A narrativa unilateral se consolide como verdade incontestada
Por que Cinelli acha que precisa desses documentos agora, neste momento específico?
Porque a auditoria está acontecendo sem ele. A Apex está construindo uma narrativa sobre o que deu errado, e ele não está na sala quando isso acontece. Se a história ficar pronta antes dele ter chance de falar, fica muito mais difícil mudar a percepção depois.
Mas ele não poderia simplesmente dizer que as decisões eram compartilhadas? Por que precisa de papéis?
Porque ninguém acredita em palavras quando há R$ 985 milhões em dívida no meio do caminho. Os documentos são a única coisa que pode provar que outras pessoas também assinaram, também aprovaram, também participaram.
Os outros sócios estão fazendo o mesmo — tentando se proteger?
Provavelmente. Mas eles têm uma vantagem: estão dentro da auditoria, vendo tudo em tempo real, moldando como a história é contada. Cinelli está do lado de fora, tentando entrar.
E se os documentos mostrarem que ele realmente agiu sozinho?
Então ele perde. Mas se não conseguir ver os documentos, perde de qualquer forma — porque a história já foi decidida sem ele.
El Pulso
- A Apex Partners revelou um endividamento de R$ 985,6 milhões — mais que o dobro do registrado em janeiro de 2025 — expondo uma crise de proporções que sacudiu investidores e o mercado.
- Cinelli e o ex-diretor financeiro Eduardo Siqueira foram afastados abruptamente pelos demais sócios, acusados de gestão temerária e má-fé nas operações com CVC, debêntures da Rhino e o fundo Carbyne.
- Excluído da auditoria externa contratada pela própria empresa, Cinelli vê a narrativa oficial se consolidar enquanto ele permanece sem acesso a atas, contratos e correspondências essenciais para sua defesa.
- Seus advogados argumentam que as decisões eram tomadas coletivamente, por comitês e grupos de trabalho, diluindo a responsabilidade individual que a empresa agora tenta concentrar em dois nomes.
- A ação judicial é uma corrida contra o relógio: a recuperação judicial da Apex avança, e a percepção do juiz, dos investidores e do mercado pode ser moldada antes que Cinelli apresente sua versão dos fatos.
Quando uma empresa entra em colapso, a primeira batalha raramente é financeira — é narrativa. Fernando Cinelli, sócio-fundador afastado da presidência da Apex Partners em 5 de agosto, recorreu à Justiça uma semana depois para exigir acesso a documentos que possam contradizer a versão oficial de sua culpa. Com um endividamento de quase R$ 1 bilhão e uma auditoria externa da qual ele está excluído, Cinelli trava uma corrida contra o tempo: contestar, com provas, uma história que outros já começaram a escrever sem ele.
Fernando Cinelli entrou na Justiça na quarta-feira, 12 de agosto, exigindo acesso a documentos que a Apex Partners e outras onze empresas do grupo se recusavam a entregar. Atas, contratos, correspondências — tudo o que pudesse esclarecer as operações que levaram a companhia ao colapso. Uma semana antes, os demais sócios o haviam removido da presidência, acusando-o de gestão temerária e má-fé. Cinelli, sócio-fundador, não aceitou a narrativa.
A crise gira em torno de três operações: um investimento na CVC, debêntures emitidas pela Rhino e participação no fundo Carbyne. O endividamento da Apex chegou a R$ 985,6 milhões — mais que o dobro do registrado em janeiro de 2025. Junto com Cinelli, o ex-diretor financeiro Eduardo Siqueira também foi afastado, ambos apontados como responsáveis pelo desastre financeiro.
Os advogados de Cinelli, dos escritórios Dickstein Advogados e Vieira Rabelo Advogados, contestam a versão de responsabilidade individual. Segundo eles, as decisões eram tomadas por comitês e grupos de trabalho, dentro de uma estrutura de gestão coletiva. As mesmas operações hoje classificadas como irregulares teriam sido aprovadas por esse modelo compartilhado.
O que mais preocupa Cinelli é o tempo. Ele está sendo excluído da auditoria externa contratada pela Apex, e teme que a narrativa unilateral da empresa se solidifique como verdade antes que ele possa apresentar provas. Com a recuperação judicial em andamento, a percepção do juiz e dos investidores pode ser definida por uma versão dos fatos que ele ainda não consegue contestar. A disputa por acesso aos documentos é, no fundo, uma disputa pelo direito de contar sua própria história.
Fernando Cinelli entrou na Justiça na quarta-feira, 12 de agosto, exigindo acesso a documentos que a Apex Partners e onze outras empresas do grupo se recusavam a entregar. Atas, contratos, correspondências — tudo o que pudesse esclarecer as operações que levaram a companhia ao colapso. Uma semana antes, em 5 de agosto, os demais sócios o haviam removido da presidência, acusando-o de gestão temerária e má-fé. Cinelli, que é sócio-fundador, não aceitou a narrativa.
A crise da Apex envolve três operações específicas: um investimento na CVC, debêntures emitidas pela Rhino e participação no fundo Carbyne. Segundo a própria empresa, o endividamento chegou a R$ 985,6 milhões — mais que o dobro do que era em janeiro de 2025. Junto com Cinelli, o ex-diretor financeiro Eduardo Siqueira também foi afastado, ambos acusados de irregularidades que supostamente originaram o desastre financeiro.
Os advogados de Cinelli, dos escritórios Dickstein Advogados e Vieira Rabelo Advogados, apresentaram uma defesa que aponta para a estrutura interna da companhia. Segundo eles, as decisões nunca foram centralizadas em uma ou duas pessoas. A administração do grupo funcionava através de comitês e grupos de trabalho que compartilhavam responsabilidades. As mesmas operações agora apontadas como origem da crise, argumentam os advogados, foram tomadas dentro dessa estrutura de decisão coletiva.
O que preocupa Cinelli é o tempo. Ele está sendo excluído da auditoria externa que a Apex contratou para investigar as inconsistências financeiras. Sem acesso aos documentos, sem participação no processo de investigação, ele teme que a narrativa construída unilateralmente pela empresa se solidifique como verdade antes que ele tenha oportunidade de apresentar suas próprias provas. A recuperação judicial da Apex está em andamento, e a percepção do mercado, dos investidores e do juiz responsável pelo caso pode ser moldada por uma versão dos fatos que ele não consegue contestar.
A ação judicial de Cinelli é, portanto, uma tentativa de nivelar o campo. Ele busca não apenas os documentos, mas também o tempo e a plataforma para oferecer sua versão dos acontecimentos antes que a história da Apex seja escrita de forma definitiva. O resultado dessa disputa por acesso à informação pode determinar não apenas sua reputação, mas também sua responsabilidade legal nos meses que virão.
Citas Notables
A administração do Grupo Apex sempre envolveu uma estrutura de decisão compartilhada que se refletia nos comitês e grupos de trabalho, nunca centralizada em uma ou duas pessoas— Defesa de Fernando Cinelli
Excluído da auditoria, Cinelli tem fundado receio de que a narrativa construída unilateralmente pela Apex se consolide como verdade incontestada antes que possa opor prova documental— Advogados de Fernando Cinelli