Cientistas descobrem floresta de corais negros nos Açores comparável às sequoias americanas

Jardins de corais negros que podem viver vários milhares de anos
Telmo Morato descreveu a descoberta de estruturas vivas inesperadas no fundo do oceano Atlântico.

No fundo do Atlântico, ao longo da cicatriz tectónica que divide o oceano ao meio, investigadores portugueses encontraram o que não esperavam: florestas de corais negros tão densas e antigas quanto as sequoias da Califórnia. Durante duas semanas em maio e junho de 2021, a equipa do Instituto Okeanos mapeou a Dorsal Médio-Atlântica nos Açores e revelou ecossistemas marinhos de biodiversidade extraordinária, intocados e até então desconhecidos. A descoberta não é apenas científica — é um lembrete de que o oceano guarda mundos inteiros à espera de serem compreendidos antes de poderem ser protegidos.

  • Corais negros com milhares de anos de vida foram encontrados em densidades que ninguém esperava na Dorsal Médio-Atlântica, reescrevendo o que se sabia sobre a vida no fundo do Atlântico.
  • A comparação com as florestas de sequoias norte-americanas não foi metáfora — foi a medida mais honesta que os cientistas encontraram para descrever a escala e a antiguidade do que viram.
  • Uma hora de vídeo submarino exige um dia inteiro de análise em terra, e meses de processamento de amostras ainda aguardam a equipa antes de os resultados serem definitivos.
  • O ministro do Mar reconheceu a urgência: estes habitats são vulneráveis, e protegê-los exige mais investigação, mais recursos e uma atenção que até agora não existia.
  • A expedição revelou que a região suporta muito mais vida e variedade do que estudos anteriores indicavam, abrindo novas questões sobre o que mais permanece por descobrir.

Telmo Morato desembarcou do navio holandês Pelagia com notícias que alteravam o que se conhecia sobre o fundo do oceano nos Açores. Durante duas semanas em maio e junho de 2021, o investigador do Instituto Okeanos da Universidade dos Açores e a sua equipa percorreram a Dorsal Médio-Atlântica — a grande cicatriz tectónica que atravessa o Atlântico — e encontraram uma floresta de corais negros de densidade e antiguidade comparáveis às sequoias gigantes da Califórnia.

Na conferência de imprensa na Horta, no Faial, Morato apresentou resultados preliminares mas já reveladores: jardins submarinos que ninguém esperava encontrar ali em tal abundância, habitados por organismos em densidades muito superiores ao que estudos anteriores sugeriam. Os corais negros podem viver milhares de anos, crescem lentamente e criam estrutura — são ecossistemas frágeis e extraordinariamente ricos.

Morato foi claro sobre o trabalho que ainda faltava. Meses de análise de amostras estavam pela frente, e cada hora de vídeo gravado no mar correspondia normalmente a um dia inteiro de trabalho em terra. Mas o essencial já estava dito: aquela região do Atlântico suportava mais vida e mais variedade do que ninguém tinha pensado.

O ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, presente na conferência, sublinhou a necessidade de proteger estes habitats e de investir mais em investigação oceânica. Para ele, os jardins de corais negros eram símbolos da biodiversidade dos mares açorianos — e a sua proteção dependia, antes de tudo, de os conhecer. A expedição tinha dado esse primeiro passo: revelado um mundo intocado, à espera de ser compreendido.

Telmo Morato desceu do navio holandês Pelagia com notícias que mudavam o que se sabia sobre o fundo do oceano nos Açores. Durante duas semanas em maio e junho de 2021, o investigador do Instituto Okeanos da Universidade dos Açores e sua equipa mapearam a Dorsal Médio-Atlântica, aquela cicatriz tectónica que corre pelo meio do Atlântico. O que encontraram foi uma floresta de corais negros — não uma metáfora, mas um ecossistema tão denso e antigo quanto as sequoias gigantes da Califórnia.

Morato apresentou os primeiros resultados numa conferência de imprensa na Horta, no Faial, e a comparação saiu direto: zonas do mar profundo que podiam ser equiparadas às florestas de sequoias norte-americanas. Não era uma descoberta menor. Os corais negros que encontraram podem viver milhares de anos. Crescem lentamente, ocupam espaço, criam estrutura. São jardins submarinos que ninguém esperava encontrar ali, ou pelo menos não em tal abundância.

A expedição, batizada "Eurofleets+ IMAR: Avaliação integrada da distribuição dos Ecossistemas Marinhos Vulneráveis ao longo da Dorsal Médio-Atlântica na região dos Açores", tinha objetivos práticos: levantar a batimetria do fundo, captar imagens para cartografar, identificar ecossistemas marinhos vulneráveis e avaliar o seu estado. O que os dados mostraram foi que estas zonas do mar profundo, associadas à Crista Médio Atlântica, eram de "grande produtividade", albergando densidades enormes de organismos e uma biodiversidade muito superior ao que estudos anteriores sugeriam. A região podia suportar mais vida e mais variedade do que ninguém tinha pensado.

Morato foi honesto sobre o trabalho que ainda faltava. Meses de processamento de amostras estavam pela frente. Uma hora de vídeo gravado no mar correspondia, normalmente, a um dia inteiro de análise em terra. Os primeiros resultados eram preliminares, mas já reveladores. Encontraram coisas que não esperavam encontrar nos Açores naquela altura — grandes jardins de corais negros, estruturas vivas que transformavam a compreensão do que o oceano ali continha.

O ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, também presente na conferência, viu na descoberta uma razão para agir. Era importante proteger estes habitats, disse, especialmente os jardins de corais negros naquela zona do Atlântico. Considerava-os símbolos da biodiversidade dos mares da região. Mas a proteção exigia investimento — mais investigação oceânica, mais recursos, mais atenção. O objetivo era garantir que os oceanos continuassem saudáveis, e para isso era preciso conhecê-los primeiro. A expedição tinha feito exatamente isso: revelado um mundo que estava ali, intocado e desconhecido, à espera de ser compreendido e, depois, protegido.

Descobrimos zonas que podem ser comparadas às florestas de sequoias que existem nos Estados Unidos
— Telmo Morato, investigador do Instituto Okeanos
É importante proteger estes habitats, nomeadamente os jardins de corais negros, nesta zona do Atlântico
— Ricardo Serrão Santos, ministro do Mar
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Como é que uma floresta de corais negros se parece com as sequoias?

Model

Não é pela forma — os corais negros são ramificados, delicados. É pela escala temporal e pela função ecológica. Ambos são estruturas vivas que crescem muito lentamente, vivem milhares de anos, e criam um habitat inteiro à sua volta. São cidades submarinas.

Inventor

Porque é que ninguém tinha visto isto antes?

Model

Porque o fundo do oceano é difícil de explorar. Requer navios especializados, equipamento caro, tempo. Os Açores têm águas profundas complexas. Até agora, ninguém tinha mapeado sistematicamente a Dorsal Médio-Atlântica naquela região com este detalhe.

Inventor

E agora que sabem que está lá, o que muda?

Model

Tudo. Se sabes que existe um ecossistema vulnerável, tens responsabilidade de o proteger. Não podes permitir pesca de arrasto, mineração, ou qualquer atividade que o destrua. Mas primeiro tens de convencer as pessoas de que vale a pena.

Inventor

O ministro falou em investimento. Investimento em quê, exatamente?

Model

Em mais campanhas como esta. Em tecnologia melhor para observar o fundo. Em análise de amostras. Em compreender como estes corais funcionam, o que comem, como se reproduzem. Conhecimento é a base de qualquer proteção real.

Inventor

Quantos meses de trabalho ainda faltam?

Model

Morato não foi específico, mas falou em "alguns meses" de processamento. Uma hora de vídeo submarino pode significar um dia inteiro de trabalho em terra. Imagine milhares de horas de vídeo. É trabalho que não acaba rapidamente.

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