Cientistas descobrem duas novas espécies de aranhas marinhas no Canadá

Sem saber o que existe aqui, não podemos proteger
O biólogo Cormac Toler-Scott explica por que documentar espécies marinhas é essencial para conservação.
Mark

Por que essas duas aranhas marinhas importam? Elas são raras ou apenas nunca tinham sido descritas?

Mimi

Nunca tinham sido descritas. Existem quase 1.400 espécies de aranhas marinhas conhecidas, mas o Mar de Salish, apesar de biodiverso, tinha apenas 17 documentadas. Essas duas são adições importantes ao registro.

Luke

Mas qual é a ameaça real? O estudo fala sobre mudanças climáticas e perturbação humana, mas não vejo números sobre declínio populacional ou impacto específico.

Mimi

Você tem razão. O estudo documenta as espécies, mas o ponto maior é que sem saber o que existe, não podemos proteger. Toler-Scott disse que queria estudar como essas aranhas são afetadas, mas não conseguiu encontrar dados porque ninguém sabia quais espécies viviam ali.

Mark

Então a descoberta é mais sobre preencher um vazio de conhecimento do que sobre uma crise iminente?

Mimi

Exatamente. É inventário. Mas em um contexto onde o litoral está densamente povoado e em desenvolvimento rápido, esse inventário se torna urgente.

Luke

A Callipallene pilosuspedes usando seus apêndices para se limpar — isso é comportamento novo ou apenas observado pela primeira vez?

Mimi

Observado pela primeira vez, pelo menos em detalhe. Sob microscópio viram o animal enrolando os apêndices nas pernas e usando espinhos em forma de pente. É um mecanismo de higiene altamente eficiente.

Mark

E a Tanystylum kiixin não consegue fazer isso?

Mimi

Não. Seus ovígeros são muito menores e menos ágeis, então o animal fica frequentemente coberto de parasitas. Duas estratégias evolutivas completamente diferentes no mesmo ambiente.

  • Duas novas espécies descobertas entre setembro de 2023 e agosto de 2024
  • Profundidade de até 18 metros no Mar de Salish, entre Colúmbia Britânica e Washington
  • Callipallene pilosuspedes possui espinhos curvos nas patas e três lábios; Tanystylum kiixin tem abdômen em forma de ampulheta
  • Apenas 17 espécies de aranhas marinhas haviam sido documentadas na região apesar da biodiversidade rica

A Callipallene pilosuspedes possui espinhos curvos nas patas e usa apêndices especiais para se limpar, enquanto a Tanystylum kiixin tem abdômen em forma de ampulheta. As descobertas ocorreram entre setembro de 2023 e agosto de 2024, a até 18 metros de profundidade no Mar de Salish, entre Colúmbia Britânica e Washington.

Pesquisadores canadenses descobriram duas espécies desconhecidas de aranhas marinhas no Mar de Salish, com características inusitadas como três lábios e espinhos nas patas.

Mergulhadores canadenses encontraram duas espécies de aranhas marinhas nunca antes catalogadas nas águas do Mar de Salish, entre a Colúmbia Britânica e Washington, durante expedições que se estenderam de setembro de 2023 a agosto de 2024. Os animais foram descobertos a profundidades de até 18 metros, em um trabalho que acaba de ser publicado no periódico Organisms Diversity & Evolution.

A primeira espécie, batizada Callipallene pilosuspedes, apresenta características que a tornam particularmente notável. Seu corpo é fino e alongado, com olhos vermelhos e três lábios circundando uma boca triangular. O que mais chama atenção, porém, são os espinhos longos e curvos que recobrem a parte inferior de suas pernas — daí o nome científico, em que "pilosus" significa peludo em latim e "pedes" refere-se aos pés. A criatura também possui estruturas chamadas ovígeros, apêndices que se assemelham a pernas mas não servem para locomoção. Sob microscópio, pesquisadores observaram o animal usando esses apêndices de forma engenhosa: enrolava-os ao redor das próprias pernas e utilizava os espinhos em formato de pente para se limpar, funcionando como ferramentas de higiene altamente eficientes.

A segunda espécie descoberta, Tanystylum kiixin, contrasta significativamente com a primeira. Seu abdômen tem formato de ampulheta, olhos negros e garras que lembram botões. Diferentemente da Callipallene pilosuspedes, seus ovígeros são muito menores e menos ágeis, impedindo que o animal se limpe de maneira eficaz. O nome "kiixin", pronunciado "Kee-hin", foi escolhido em homenagem ao som das ondas quebrando na base de um antigo sítio de uma aldeia indígena onde a espécie foi encontrada. Cientistas notaram que esses animais eram frequentemente cobertos por minúsculos parasitas.

Essas aranhas marinhas não são, tecnicamente, aranhas verdadeiras, mas parentes próximos delas, assim como de escorpiões e caranguejos-ferradura. Pertencem a um grupo de artrópodes marinhos que surgiram há aproximadamente 500 milhões de anos. Atualmente, quase 1.400 espécies de aranhas marinhas foram identificadas globalmente. Esses animais possuem quatro segmentos no tronco e quatro pares de pernas longas, embora algumas espécies possam ter até 12 pernas. Sua boca é desproporcionalmente grande em relação ao corpo — usam-na para sugar fluidos de invertebrados de corpo mole. Seus sistemas digestivo e reprodutivo se estendem pelas pernas, e os machos carregam seus ovos em um par específico de pernas até que eclodam. O tamanho varia enormemente, de menos de um centímetro até 70 centímetros de comprimento.

Cormac Toler-Scott, biólogo e autor principal do estudo, conduziu a pesquisa como parte de seu mestrado em zoologia na Universidade da Colúmbia Britânica. Ele explicou que seu interesse inicial era compreender como as aranhas marinhas são afetadas por mudanças climáticas e perturbação humana, particularmente porque os invertebrados marinhos do Mar de Salish enfrentam riscos significativos. Porém, descobriu que praticamente nada havia sido documentado sobre o tema. "Isso se deve principalmente ao fato de que as pessoas não sabem muito sobre quais espécies existem aqui e qual é o seu estilo de vida", afirmou em comunicado.

A razão pela qual os pesquisadores focaram especificamente em aranhas marinhas de águas rasas no Mar de Salish é reveladora: apesar da região possuir uma biodiversidade marinha rica, apenas 17 espécies haviam sido documentadas de forma confiável até então. Com o litoral agora densamente povoado e em rápido desenvolvimento, os cientistas argumentam que documentar a biodiversidade existente é um passo crucial para identificar onde os esforços de conservação terão maior impacto, ajudando a proteger essas águas das ameaças decorrentes da atividade humana.

Eu estava interessado em saber como as aranhas-do-mar são afetadas pelas mudanças climáticas e pela perturbação humana, porque os invertebrados marinhos no Mar de Salish estão particularmente em risco, e não consegui encontrar nada
— Cormac Toler-Scott, biólogo e autor principal do estudo
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