Quando o petróleo manchou o litoral brasileiro em 2019, uma pesquisadora de Florianópolis transformou a crise em método. Ana Paula Zapelini, doutora pela UFSC, criou o primeiro protocolo oficial do Brasil para detectar contaminantes tóxicos em pescados — adaptando, com engenhosidade rara, uma máquina de café expresso para uso laboratorial. Reconhecida agora pela Forbes como a 13ª mulher mais poderosa do agronegócio nacional, ela encarna algo que a ciência frequentemente promete mas raramente cumpre: conhecimento que chega à mesa de quem precisa.
Cientista de Florianópolis é eleita 13ª mulher mais poderosa do agronegócio pela Forbes
Adaptou uma máquina de café para proteger a segurança alimentar do país
Por que uma pesquisadora de segurança alimentar entra para uma lista de "mulheres poderosas do agronegócio"? Não parece um lugar óbvio para ela.
Porque o agronegócio depende de confiança — confiança de que o alimento é seguro, de que pode ser exportado, de que atende aos padrões internacionais. Ana Paula criou um instrumento que garante isso. Sem seu protocolo, haveria incerteza sobre a qualidade do pescado após o derramamento de 2019.
Mas é importante notar que o protocolo foi desenvolvido em resposta a uma crise específica. A pergunta é: quanto dele é adotado na prática agora? A Forbes reconhece a inovação, mas não sabemos se está sendo usado rotineiramente nos portos e mercados.
A máquina de café é uma solução criativa, mas como ela se compara aos métodos tradicionais? É realmente mais eficiente?
É mais barato e mais fácil de reproduzir — isso é o ponto. Não precisa de equipamento sofisticado importado. Um laboratório em qualquer lugar do Brasil pode montar isso.
Verdade, mas a fonte não detalha a precisão comparativa ou o tempo de análise. Sabemos que funciona e foi validado, mas não temos números sobre quanto mais rápido ou mais barato é em relação às alternativas.
Ela está investigando nanoplásticos agora. Isso é um problema maior que o petróleo?
É um problema diferente e talvez mais insidioso. Nanoplásticos e microplásticos estão em toda parte — nos oceanos, nos peixes. É a próxima fronteira da segurança alimentar marinha.
Certo, mas ainda é pesquisa de pós-doutorado, não um protocolo oficial. É importante não confundir o que ela já conquistou com o que ainda está investigando.
Le Pouls
- Um derramamento de petróleo em 2019 ameaçou a segurança alimentar de milhões de brasileiros que consomem peixes e frutos do mar do litoral afetado.
- A ausência de qualquer protocolo oficial para detectar hidrocarbonetos tóxicos em pescados deixava consumidores e autoridades sem ferramentas confiáveis de resposta.
- Ana Paula Zapelini desenvolveu uma solução de baixo custo e alta reprodutibilidade, adaptando o mecanismo de uma máquina de café expresso para extrair contaminantes de amostras marinhas.
- O método foi validado pelo Ministério da Agricultura e pela União Europeia, tornando-se o primeiro protocolo oficial brasileiro para esse tipo de monitoramento.
- Hoje reconhecida pela Forbes e pela MIT Technology Review, a pesquisadora já avança para o próximo desafio: a contaminação por nanoplásticos e microplásticos em peixes.
Quando o petróleo manchou o litoral brasileiro em 2019, uma pesquisadora de Florianópolis transformou a crise em método. Ana Paula Zapelini, doutora pela UFSC, criou o primeiro protocolo oficial do Brasil para detectar contaminantes tóxicos em pescados — adaptando, com engenhosidade rara, uma máquina de café expresso para uso laboratorial. Reconhecida agora pela Forbes como a 13ª mulher mais poderosa do agronegócio nacional, ela encarna algo que a ciência frequentemente promete mas raramente cumpre: conhecimento que chega à mesa de quem precisa.
Ana Paula Zapelini, pesquisadora de Florianópolis com doutorado em Ciência dos Alimentos pela UFSC, foi eleita pela Forbes a 13ª mulher mais poderosa do agronegócio brasileiro — um reconhecimento que tem raízes em uma catástrofe ambiental.
Em 2019, um derramamento de petróleo varreu o litoral do país do Nordeste até o Espírito Santo, levantando dúvidas urgentes sobre a segurança dos alimentos marinhos. Foi nesse contexto que Ana Paula desenvolveu sua pesquisa de doutorado, criando o primeiro protocolo oficial brasileiro para identificar hidrocarbonetos policíclicos aromáticos — compostos tóxicos derivados do petróleo — em peixes e frutos do mar.
O que distingue a inovação é sua elegância prática: ela adaptou uma máquina de café expresso para uso laboratorial. O mesmo princípio de pressão e temperatura que força água pelo café foi aplicado para extrair contaminantes de amostras marinhas — uma solução de baixo custo, fácil de reproduzir e validada tanto pelo Ministério da Agricultura quanto pelos padrões da União Europeia.
Seu percurso não para aí. Em pós-doutorado na UFSC em parceria com universidade americana, Ana Paula investiga agora a contaminação por nanoplásticos e microplásticos. Cofundadora do UFSC Alt Protein Project, ela acumula ainda o Prêmio Capes de Tese, o reconhecimento Pesquisadora Destaque 2024 concedido em Harvard e a entrada na lista Innovators Under 35 Brasil da MIT Technology Review em 2025.
O que sua trajetória revela é uma cientista capaz de transformar crises em protocolos, laboratórios em proteção real para consumidores — e de fazer isso com os recursos que o mundo já tem à disposição.
Ana Paula Zapelini, pesquisadora de Florianópolis com doutorado em Ciência dos Alimentos pela Universidade Federal de Santa Catarina, acaba de receber um reconhecimento que coloca seu trabalho entre os mais relevantes do agronegócio brasileiro. A revista Forbes a elegeu a 13ª mulher mais poderosa do setor, uma distinção que reflete não apenas sua trajetória acadêmica, mas uma solução prática e inovadora que nasceu de uma crise ambiental.
Em 2019, um derramamento de petróleo atingiu o litoral do país, espalhando-se do Nordeste até o Espírito Santo. O desastre levantou questões urgentes sobre a segurança dos alimentos marinhos e a possível contaminação de peixes e frutos do mar que chegavam às mesas dos brasileiros. Foi nesse contexto que Ana Paula desenvolveu sua pesquisa de doutorado, investigando os efeitos dessa catástrofe ambiental e, mais importante, criando ferramentas para detectar e monitorar os danos.
O protocolo que ela desenvolveu é o primeiro oficial do Brasil voltado especificamente para identificar hidrocarbonetos policíclicos aromáticos — compostos tóxicos derivados do petróleo — em pescados. O que torna essa inovação particularmente notável é sua elegância: diante da necessidade de analisar contaminantes em amostras de peixes e frutos do mar, Ana Paula adaptou uma máquina de café expresso. O equipamento usa pressão e temperatura elevadas para fazer água atravessar o café; em laboratório, o mesmo princípio extrai compostos químicos das amostras, permitindo identificar contaminantes de forma eficiente. É uma solução de baixo custo e fácil de reproduzir — exatamente o tipo de inovação que tem potencial para ser adotada em larga escala.
O método foi validado conforme as diretrizes do Ministério da Agricultura e Pecuária e também atende aos padrões da União Europeia, conferindo-lhe credibilidade internacional. Essa validação transformou a pesquisa de Ana Paula em um protocolo oficial, um instrumento que agora pode ser usado para proteger a segurança alimentar do país.
Seu trabalho não se resume a esse protocolo. Atualmente, ela realiza pesquisa de pós-doutorado na UFSC em parceria com o UC Center for Mind and Brain, nos Estados Unidos, investigando agora a contaminação de peixes por nanoplásticos e microplásticos — uma preocupação ambiental ainda mais contemporânea. Além disso, foi cofundadora e diretora de operações do UFSC Alt Protein Project, expandindo sua atuação para outras frentes da inovação alimentar.
O reconhecimento que recebe agora é apenas o mais recente de uma série de distinções. Em 2025, entrou para a lista Innovators Under 35 Brasil da MIT Technology Review, que reconhece jovens inovadores em todo o mundo. Antes disso, recebeu o Prêmio Capes de Tese em Ciência de Alimentos — conhecido como o Oscar da pesquisa — e o prêmio Pesquisadora Destaque 2024, concedido na Brazil Conference em Harvard. Também conquistou o Grande Prêmio Ennio Candotti na categoria Ciências da Vida.
O que emerge dessa trajetória é um padrão: uma cientista que não apenas produz conhecimento em laboratório, mas que o traduz em soluções práticas para problemas reais. Seu trabalho começou como resposta a uma crise ambiental específica, mas evoluiu para um sistema que agora protege consumidores em todo o país. Enquanto continua investigando novas formas de contaminação marinha, Ana Paula representa uma geração de pesquisadores brasileiros que conseguem ser simultaneamente rigorosos na ciência e pragmáticos na aplicação.
Citations marquantes
Desenvolveu o primeiro protocolo oficial do Brasil para monitorar contaminantes derivados do petróleo em peixes e frutos do mar— Descrição do trabalho de Ana Paula Zapelini pela Forbes