Ciclone com pressão central de 970 hPa gera rajadas de 100+ km/h na Argentina e Uruguai entre domingo e segunda-feira. Ar polar avança para o Rio Grande do Sul com mínimas entre 5°C e 10°C, geada em várias regiões e ventos de 50-90 km/h.
Ciclone intenso no Atlântico Sul traz ventos acima de 100 km/h e ar frio ao Sul
O ar polar avança desde as Malvinas em direção ao sul do Brasil
Por que esse ciclone não toca o Brasil diretamente, mas ainda assim causa tanto impacto?
A circulação do sistema funciona como um grande redemoinho. Mesmo que o centro permaneça em alto-mar, longe da costa gaúcha, os ventos e a massa de ar frio que giram ao redor dele chegam até aqui. É como estar perto de um ventilador ligado — você sente o ar mesmo não estando exatamente onde a hélice está.
E essa geada que vocês mencionam — é realmente um risco para a agricultura?
Sim. Quando o ar polar desce com essas temperaturas abaixo de 5 graus, especialmente nas serras, culturas sensíveis como café, citrus e algumas hortaliças sofrem danos reais. Os produtores já estão monitorando porque uma geada forte em abril pode comprometer a safra.
Quanto tempo dura esse frio todo?
Surpreendentemente pouco. O episódio mais intenso é entre segunda e quarta-feira. Depois disso, as temperaturas sobem gradualmente. Mas é justamente essa rapidez que torna imprevisível — o corpo da natureza e das plantas não tem tempo de se adaptar.
E a ressaca no litoral — isso é perigoso para quem mora lá?
Muito. Ressaca significa ondas maiores, correntes mais fortes, erosão acelerada. Banhistas podem ser arrastados, embarcações pequenas correm risco. É por isso que a defesa civil recomenda cuidado especial com áreas litorâneas durante toda a semana.
Parece que Argentina e Uruguai levam a pior nesse ciclone.
Exatamente. Eles estão no caminho direto do sistema. Buenos Aires e Montevidéu vão enfrentar chuva persistente e ventos de 100 quilômetros por hora — isso causa transtornos reais em infraestrutura, energia, logística. O Brasil fica com os efeitos secundários, mas ainda assim significativos.
El Pulso
- Ciclone com pressão central de 970 hPa no Atlântico Sul
- Rajadas acima de 100 km/h entre Bahía Blanca e Mar del Plata na Argentina
- Mínimas entre 5°C e 10°C no Rio Grande do Sul entre segunda e quarta-feira
- Geada esperada em várias regiões do Rio Grande do Sul e Santa Catarina
- Ventos de 50 a 90 km/h no sul e leste gaúcho na segunda-feira
Ciclone com pressão central de 970 hPa gera rajadas de 100+ km/h na Argentina e Uruguai entre domingo e segunda-feira. Ar polar avança para o Rio Grande do Sul com mínimas entre 5°C e 10°C, geada em várias regiões e ventos de 50-90 km/h.
Um ciclone extratropical intenso forma-se no Atlântico Sul com ventos acima de 100 km/h e massa de ar frio que atinge o Rio Grande do Sul a partir de domingo, afetando Argentina, Uruguai e Brasil.
Um ciclone extratropical de considerável intensidade começou a se formar neste sábado no Atlântico Sul, trazendo consigo um padrão de tempo turbulento que vai afetar toda a região do Cone Sul. O sistema se caracteriza por uma zona de baixa pressão profunda — em torno de 970 hectopascais em águas abertas — e vai impulsionar chuvas torrenciais e ventos que ultrapassam os 100 quilômetros por hora em várias localidades. A massa de ar frio associada ao ciclone já começa sua jornada rumo ao Rio Grande do Sul, onde deve chegar a partir de domingo à noite.
O centro de baixa pressão se aprofunda na costa da Patagônia argentina neste fim de semana, movimentando-se depois em direção norte e nordeste até a foz do Rio da Prata. De lá, o sistema segue seu trajeto para leste e sudeste, afastando-se gradualmente do continente no início da próxima semana. Essa trajetória deixa a Argentina e o Uruguai como os territórios mais diretamente atingidos, enquanto o Brasil recebe os efeitos indiretos através da circulação do sistema e da chegada do ar polar.
Na Argentina, o litoral de Buenos Aires enfrenta o impacto mais severo entre domingo e segunda-feira. A região entre Bahía Blanca e Mar del Plata registra rajadas de vento próximas ou superiores a 100 quilômetros por hora, com potencial para causar danos significativos em estruturas e vegetação. No Uruguai, os departamentos do sul e leste — particularmente Montevidéu, San José, Canelones e Maldonado — enfrentam um temporal de considerável magnitude. As previsões indicam rajadas entre 75 e 100 quilômetros por hora, com picos isolados acima de 100 quilômetros por hora em áreas como a Costa del Oro e Punta del Este. O risco de queda de árvores e interrupções no fornecimento de energia é real em ambos os países.
O Rio Grande do Sul não sofre o impacto direto do ciclone, mas sua influência é inegável. O ar polar, impulsionado pela circulação do sistema, avança desde as Malvinas em direção ao sul do Brasil. Entre a tarde e a noite de domingo, essa massa de ar frio começa a entrar pelo oeste e sul gaúcho, intensificando-se na segunda-feira. As temperaturas mínimas devem variar entre 5 e 10 graus Celsius nas madrugadas mais frias, entre segunda e quarta-feira. Em regiões de maior altitude — como a Serra do Sudeste, os Campos de Cima da Serra e o Planalto Sul Catarinense — os termômetros podem marcar abaixo de 5 graus. Geada é esperada em várias regiões do Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina, especialmente na terça e quarta-feira, o que preocupa produtores rurais com lavouras sensíveis ao frio.
Os ventos acompanham a chegada do ar frio. No final de domingo, o sul e a Campanha gaúcha registram intensificação dos ventos. Na segunda-feira, rajadas de 50 a 70 quilômetros por hora sopram sobre grande parte do sul e leste do estado. Pontos do litoral sul podem experimentar rajadas de 80 a 90 quilômetros por hora. Em mar aberto, esses ventos geram ressaca na costa gaúcha ao longo da semana, exigindo atenção redobrada de navegantes e moradores de áreas litorâneas. Equipes de defesa civil nos municípios gaúchos acompanham a evolução do sistema, recomendando a fixação de estruturas soltas e precaução com árvores em vias públicas.
O episódio de frio intenso, embora significativo, é de curta duração. A partir de quarta-feira, as temperaturas começam a subir gradualmente, normalizando-se até quinta e sexta-feira. No entanto, uma nova frente fria deve se aproximar no fim de semana, mantendo a região sob vigilância meteorológica. Meteorologistas acompanham os modelos em tempo real, e atualizações ocorrem conforme o deslocamento do ciclone. A população é orientada a consultar alertas oficiais de órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia e a defesa civil estadual para se manter informada sobre as mudanças nas condições do tempo.
Citas Notables
O ciclone não toca diretamente o território brasileiro, mas sua circulação influencia o Sul do país— Análise meteorológica do sistema