Uma vez por ano, a Terra atravessa o rastro invisível deixado pelo cometa Halley, e o céu do Hemisfério Sul se acende com até 60 meteoros por hora. Na madrugada entre segunda e terça-feira, brasileiros têm uma janela privilegiada para contemplar fragmentos cósmicos com milênios de história se consumindo na atmosfera — sem precisar de nenhum equipamento, apenas de escuridão, paciência e o desejo de olhar para cima.
Chuva de meteoros Eta Aquáridas atinge pico na madrugada; até 60 por hora
Cada traço luminoso é um pedaço do Halley queimando na atmosfera
Por que exatamente o Hemisfério Sul tem uma vantagem tão grande nesta observação?
O radiante — o ponto de onde os meteoros parecem irradiar — fica muito mais alto no céu quando você está ao sul do equador. Isso significa que os meteoros têm mais céu para cruzar antes de desaparecer no horizonte, e você consegue vê-los por mais tempo.
E por que 2h e 4h da manhã especificamente?
Nesse horário, o ponto de origem dos meteoros está em sua posição mais elevada no céu. É quando você tem o melhor ângulo para vê-los. Além disso, é quando a Lua já se pôs, então não há aquela luminosidade competindo com os meteoros.
Esses fragmentos vêm realmente do Halley?
Sim. O Halley passa perto do Sol a cada 76 anos, e quando faz isso, pedaços dele se desprendem e ficam flutuando no espaço. A Terra cruza essa trilha de detritos duas vezes por ano — em maio e em outubro — e é por isso que temos essas chuvas previsíveis.
Se o Halley foi visto em 1986, como sabemos que esses detritos vêm dele?
Porque os astrônomos conseguem rastrear a órbita dos meteoroides e conectá-los à órbita do cometa. É como seguir as migalhas de pão deixadas no caminho.
Qual é a diferença entre um meteoro e um meteorito?
Um meteoro é o brilho que você vê — o fragmento queimando na atmosfera. Se ele conseguir atravessar a atmosfera e cair na Terra, aí ele vira um meteorito. Na maioria das vezes, os fragmentos da Eta Aquáridas são tão pequenos que se queimam completamente antes de chegar ao solo.
Então não há risco de algo cair na minha cabeça?
Praticamente nenhum. Esses fragmentos são minúsculos — muitos têm o tamanho de um grão de areia. Queimam na atmosfera e se dispersam. É seguro olhar para cima.
O Pulso
- O pico da chuva de meteoros Eta Aquáridas ocorre exatamente agora, entre 5 e 6 de maio, com uma janela de observação ideal que se fecha rapidamente após a terça-feira.
- A Lua, ainda ausente no período entre 2h e 4h da manhã, logo voltará a iluminar o céu e comprometer a visibilidade — cada noite que passa reduz a oportunidade.
- O Hemisfério Sul vive uma vantagem rara: enquanto o Norte enxerga entre 10 e 15 meteoros por hora, o Brasil pode registrar até 60, com o radiante alto no céu.
- Nenhum telescópio é necessário — apenas um local afastado das luzes urbanas, uma posição confortável e 15 a 20 minutos de adaptação ocular à escuridão.
- Mesmo em Porto Alegre, onde o céu deve ficar parcialmente nublado, há expectativa de boa visibilidade em pontos específicos da cidade e arredores.
Uma vez por ano, a Terra atravessa o rastro invisível deixado pelo cometa Halley, e o céu do Hemisfério Sul se acende com até 60 meteoros por hora. Na madrugada entre segunda e terça-feira, brasileiros têm uma janela privilegiada para contemplar fragmentos cósmicos com milênios de história se consumindo na atmosfera — sem precisar de nenhum equipamento, apenas de escuridão, paciência e o desejo de olhar para cima.
Na madrugada desta semana, o céu brasileiro oferece um dos espetáculos mais aguardados do ano astronômico. A chuva de meteoros Eta Aquáridas atinge seu pico entre segunda e terça-feira, com até 60 traços luminosos por hora — e o Hemisfério Sul está excepcionalmente bem posicionado para assistir.
Cada brilho no céu é um fragmento do cometa Halley queimando ao entrar na atmosfera terrestre. O cometa, que orbita o Sol a cada 76 anos e foi visto pela última vez em 1986, libera partículas de poeira e rocha ao passar próximo ao Sol. Essas partículas originam duas chuvas anuais: a Eta Aquáridas em maio e as Oriônidas em outubro. Segundo o astrônomo Marcelo de Cicco, do projeto Exoss e colaborador do Observatório Nacional, o horário ideal é entre 2h e 4h da manhã, antes que a luminosidade lunar comece a interferir após terça-feira.
Não é preciso nenhum equipamento sofisticado. O recomendado é deitar-se confortavelmente, apontar o olhar para a constelação de Aquário, na direção leste, e aguardar de 15 a 20 minutos para que os olhos se adaptem à escuridão. O essencial é estar longe das luzes da cidade, em uma noite de céu limpo.
Além da beleza, o fenômeno tem relevância científica: as chuvas de meteoros ajudam astrônomos a estimar a frequência de entrada de detritos na Terra, proteger satélites e estudar a formação do Sistema Solar. Cada meteoro que cruza o firmamento é, em última análise, um fragmento de história cósmica se consumindo diante de quem souber olhar.
Na madrugada desta semana, o céu brasileiro oferece um dos seus espetáculos mais aguardados do ano. A chuva de meteoros Eta Aquáridas atinge seu pico entre segunda e terça-feira, com até 60 traços luminosos cruzando o firmamento a cada hora — um show que o Hemisfério Sul está particularmente bem posicionado para presenciar.
Cada um desses brilhos no céu é um fragmento do cometa Halley queimando ao atravessar nossa atmosfera. A Terra, em sua órbita, passa pela trilha de detritos que esse famoso cometa deixa no espaço. O fenômeno já era visível no Rio Grande do Sul na semana anterior — mais de 150 meteoros foram registrados no estado. Mas o melhor ainda está por vir. Segundo Marcelo de Cicco, astrônomo coordenador do projeto Exoss e colaborador do Observatório Nacional, o horário ideal para observação será entre 2h e 4h da manhã. Nesse período, a Lua não deve interferir, pois se põe antes do amanhecer. Após terça-feira, a luminosidade lunar começará a atrapalhar.
O radiante — o ponto de origem aparente dos meteoros — estará localizado alto no céu, o que torna a observação particularmente privilegiada para quem está no Brasil. No Hemisfério Norte, o número de meteoros visíveis cai drasticamente para entre 10 e 15 por hora. Aqui, em condições ideais, é possível ver até 60.
Não é necessário equipamento sofisticado. Nenhum telescópio, nenhum binóculo. O ideal é deitar-se em uma cadeira reclinável ou no chão, apontar o olhar para a constelação de Aquário, na direção leste, e ter paciência. Os olhos precisam de 15 a 20 minutos para se adaptar à escuridão — esse é o tempo de espera antes que o espetáculo se revele em toda sua intensidade. Cobertores ou cadeiras ajudam no conforto. O essencial é escolher um local longe das luzes da cidade, em uma noite de céu limpo e sem nuvens. Em Porto Alegre, a previsão é de céu parcialmente nublado, o que ainda deve permitir boa visibilidade em alguns pontos.
O fenômeno das chuvas de meteoros ocorre quando fragmentos de cometas ou asteroides — chamados meteoroides — entram na atmosfera terrestre em altíssima velocidade. Esse processo gera o brilho que conhecemos como estrela cadente. No caso da Eta Aquáridas, tudo vem do Halley, um cometa que completa uma volta ao redor do Sol a cada 76 anos. Ele foi visto pela última vez em 1986 e só retornará ao interior do Sistema Solar em 2061. Quando passa próximo ao Sol, parte de sua superfície evapora, liberando partículas de poeira e rocha que permanecem flutuando no espaço. Essas partículas originam duas chuvas de meteoros: a Eta Aquáridas em maio e a Oriônidas em outubro.
Além da beleza, esses eventos têm importância científica real. As chuvas de meteoros ajudam astrônomos a estimar o volume e a frequência da entrada de detritos na Terra — informações essenciais para proteger satélites e espaçonaves. Contribuem também para estudos sobre a formação do Sistema Solar e as características físicas dos cometas. Cada meteoro que cruza o céu é, portanto, um pedaço de história cósmica se queimando diante de nossos olhos.
Para quem perder a Eta Aquáridas, o calendário astronômico de 2025 oferece outras oportunidades. As Perseidas em agosto promete até 150 meteoros por hora. As Geminídeas em dezembro chegam a 120. Há ainda eclipses, superluas e outros cometas a observar ao longo do ano. Mas por enquanto, a atenção deve estar voltada para o céu desta madrugada — quando a Terra e o Halley se encontram novamente, deixando seu rastro luminoso para quem souber olhar.
Citações Notáveis
O melhor horário para assistir ao fenômeno será entre 2h e 4h da manhã— Marcelo de Cicco, astrônomo coordenador do projeto Exoss