Christa Pike, sobrevivente de execução fracassada, relata dores persistentes e cobra explicações do Tennessee

Pike, de 50 anos, sobreviveu a duas injeções letais, ficou em estado crítico, sofre dor física e psicológica e segue sob custódia.
"Se curar não é o mesmo que estar bem."
Pike diz estar se recuperando após sobreviver à tentativa de execução no Tennessee, mas segue com dores.
Mark

Por que essa declaração importa agora?

Mimi

É a primeira vez que Pike fala publicamente desde setembro. Ela descreve dor constante, no corpo e também na mente, e diz que ainda tem dificuldade para falar.

Mark

O que se sabe do estado de saúde dela?

Mimi

Os advogados disseram que ela teve pneumonia, inchaço nos braços e não conseguia engolir. Ficou em estado crítico após duas injeções de pentobarbital e saiu do hospital no final do mês passado.

Luke

Esses detalhes vêm dos advogados e dela própria. Há confirmação independente do quadro clínico atual?

Mimi

Pelo que foi publicado, não. São relatos da defesa e o comunicado dela.

Mark

E o estado do Tennessee, o que diz?

Mimi

O Departamento Correcional não explicou por que a execução falhou, mas defendeu o método. Recusou comentar a declaração de Pike.

Luke

Então a causa da falha segue desconhecida. Dizer que foi incompetência é opinião dela, não conclusão apurada.

Mark

O que vem a seguir?

Mimi

O governador Bill Lee suspendeu as execuções do ano e ordenou uma revisão independente. Ele disse suspeitar que a sentença continue a mesma, salvo decisão dos tribunais.

Luke

Vale notar que não há decisão sobre nova tentativa. É uma expectativa do governador, não um plano anunciado.

  • Uma tentativa de execução por injeção letal falhou em setembro, e a condenada sobreviveu em estado crítico, algo raro e perturbador.
  • Pike diz sentir dor nos braços, nas mãos e na garganta desde aquela noite, e mal consegue falar.
  • O Departamento Correcional do Tennessee segue sem explicar a falha, enquanto defende o método usado.
  • O governador suspendeu todas as execuções do ano e encomendou uma revisão independente, e o caso pode voltar aos tribunais.

Num tempo em que a sociedade ainda debate os limites da punição que pode infligir, Christa Pike, condenada há três décadas pela morte de uma jovem de 19 anos, tornou-se o rosto de uma pergunta incômoda: o que significa um Estado falhar na tentativa de executar alguém. No Tennessee, após uma tentativa de injeção letal em setembro que a deixou em estado crítico, ela relata agora uma dor que não cessa, no corpo e na mente. Sua voz, ainda com dificuldade, lembra que o sofrimento humano não termina quando o veredito é dado, e que a resposta institucional para o erro ainda está por ser escrita.

Na sexta-feira (30/10), Christa Pike, de 50 anos, fez sua primeira declaração pública desde que sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal no Tennessee, em setembro. O texto é breve: "Desde aquela noite, não houve um momento sequer em que eu não tenha sentido dor". Ela descreve dor nos braços, nas mãos e na garganta, dificuldade persistente para falar e uma dor que, segundo ela, também habita a mente e a alma. Diz que está se recuperando, mas que "se curar não é o mesmo que estar bem".

A tentativa envolveu duas injeções de pentobarbital que a deixaram em estado crítico. Após a alta hospitalar, foi levada de volta à prisão onde está há 30 anos. Seus advogados já haviam relatado pneumonia, inchaço nos braços e dificuldade para engolir. Acredita-se que ela seja a única pessoa a sobreviver a uma execução por injeção letal.

Pike foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995, crime cometido quando ela tinha 18 anos, com o então namorado Tadaryl Shipp, que escapou da pena de morte por ser menor de idade na época. Ela seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos. No comunicado, afirma-se "profundamente magoada com a incompetência" que a colocou nessa situação. O governador Bill Lee suspendeu as execuções do ano e pediu uma revisão independente. A resposta sobre o que deu errado ainda depende dela, e o futuro de Pike, de decisões judiciais.

Na sexta-feira (30/10), Christa Pike, de 50 anos, divulgou a primeira declaração pública desde que sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal no Tennessee, em setembro. O texto é curto e direto. "Desde aquela noite, não houve um momento sequer em que eu não tenha sentido dor", escreveu ela.

Pike descreveu o que sente no corpo: dor nos braços, nas mãos e na garganta, além de dificuldade persistente para falar. E acrescentou que a dor não é só física. "Há dor na minha mente e na minha alma", disse. Afirmou ainda que está se recuperando e sabe que está ficando mais forte, mas ponderou que "se curar não é o mesmo que estar bem".

A tentativa de execução envolveu duas injeções letais de pentobarbital, que a deixaram em estado crítico. Ela recebeu alta do hospital no final do mês passado e foi levada de volta à prisão onde passou os últimos 30 anos. Acredita-se que seja a única pessoa a ter sobrevivido a uma tentativa de execução por injeção letal. Seus advogados já haviam informado que ela teve pneumonia, apresentou inchaço significativo nos braços e não conseguia engolir.

Pike foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995. Ela tinha 18 anos quando, com o então namorado, Tadaryl Shipp, espancou, torturou e matou a jovem. Os três se conheceram em um acampamento de treinamento profissional para jovens de baixa renda. Shipp escapou da pena de morte porque ainda era legalmente menor de idade na época do crime, e continua preso.

Pike foi a primeira mulher com execução marcada no Tennessee em mais de 200 anos. Seus advogados passaram décadas recorrendo do caso. Nos dias que antecederam a data, tanto a Suprema Corte dos EUA quanto o governador Bill Lee se recusaram a impedir a execução.

No comunicado, Pike diz que não havia imaginado a vida além daquela noite e se declara "profundamente magoada com a incompetência que colocou tantas pessoas nesta situação terrível". O Departamento Correcional do Tennessee ainda não explicou por que o procedimento não saiu como planejado, embora tenha defendido o método utilizado. Procurado pela BBC, o órgão se recusou a comentar a declaração dela.

Lee suspendeu todas as execuções pelo resto do ano e determinou uma revisão independente para "determinar exatamente o que aconteceu". Questionado por repórteres nesta semana sobre uma eventual segunda tentativa, respondeu: "Suspeito que sua sentença será a mesma de antes, a menos que os tribunais determinem o contrário."

Portanto, a resposta sobre o que deu errado depende da revisão independente, e o destino de Pike, de eventuais decisões judiciais.

Desde aquela noite, não houve um momento sequer em que eu não tenha sentido dor.
— Christa Pike, em comunicado
Suspeito que sua sentença será a mesma de antes, a menos que os tribunais determinem o contrário.
— Bill Lee, governador do Tennessee
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