Christa Pike pode ser primeira mulher executada no Tennessee em 200 anos

Colleen Slemmer foi espancada, torturada e morta aos 18 anos; mãe da vítima continua a sofrer trauma diário; Christa Pike permaneceu em isolamento no corredor da morte durante mais de 25 anos.
O produto de um passado de abuso quase insuportável
Descrição de Christa Pike por uma psicóloga forense que avaliou o seu histórico de infância.
Mark

Como é que um crime cometido por uma rapariga de 18 anos continua a ser tão central, 30 anos depois?

Mimi

Porque o crime foi brutal e porque a vítima também era jovem. Mas também porque Pike permaneceu no corredor da morte durante décadas — ela tornou-se um símbolo, não apenas uma pessoa.

Luke

Mas há uma questão que o artigo não resolve completamente: se Pike era menor de idade quando cometeu o crime, porque é que recebeu pena de morte enquanto o namorado, também menor, recebeu prisão perpétua?

Mimi

Porque tinha 18 anos — tecnicamente adulta. O namorado tinha 17. Essa diferença de um ano mudou tudo legalmente.

Mark

E a mãe da vítima — como é que ela vive com isto durante 30 anos?

Mimi

Revivendo o trauma diariamente, segundo as suas próprias palavras. Ela quer que Pike sinta a mesma dor que Colleen sentiu.

Luke

Isso é compreensível, mas a Amnistia Internacional está a dizer que Pike também foi vítima — de abusos, negligência, danos cerebrais diagnosticados depois. Como é que o tribunal não considerou isto em 1996?

Mimi

Porque os advogados de defesa não apresentaram adequadamente essas circunstâncias. Os diagnósticos vieram depois, em avaliações posteriores.

Mark

Então a questão real é: deveria uma rapariga de 18 anos, com esse histórico, ter recebido pena de morte?

Luke

Essa é a questão. E a resposta legal hoje seria não — as leis mudaram. Mas em 1996 foi sim.

Mimi

Por isso é que a Amnistia pede clemência agora. Não estão a negar o crime. Estão a dizer que o contexto muda tudo.

Mark

E o governador — qual é a probabilidade de ele conceder clemência?

Luke

O artigo não diz. Sabemos que o Supremo Tribunal rejeitou a suspensão, mas clemência é uma decisão política diferente.

  • Christa Pike, 18 anos, matou Colleen Slemmer em 1995 com o namorado Tadaryl Shipp, 17 anos
  • Condenada à morte em 1996; execução marcada para 30 de setembro de 2026
  • Primeira mulher a ser executada no Tennessee desde 1819 se a pena for cumprida
  • Pike sofreu abusos físicos e sexuais na infância, negligência parental, e foi diagnosticada com bipolaridade e stress pós-traumático
  • Apenas 18 mulheres foram executadas nos EUA desde 1970, comparado com 1663 homens

Pike tinha 18 anos quando matou Slemmer com o namorado; condenada à morte em 1996 após crime com forte repercussão mediática em Knoxville. Amnistia Internacional argumenta que abusos físicos, sexuais e negligência na infância não foram devidamente considerados; diagnósticos posteriores incluem bipolaridade e stress pós-traumático.

Christa Pike, condenada à morte em 1996 pelo homicídio de Colleen Slemmer em 1995, pode ser executada a 30 de setembro, tornando-se a primeira mulher no Tennessee em 200 anos. Amnistia Internacional pede suspensão, citando abusos na infância não apresentados ao júri.

Christa Pike tem marcada a execução para 30 de setembro no Tennessee. Se a pena for cumprida, ela será a primeira mulher executada no estado em mais de dois séculos — desde 1819. Pike foi condenada à morte em 1996 pelo homicídio de Colleen Slemmer, cometido cinco anos antes, quando ambas tinham apenas 18 anos.

O crime ocorreu num acampamento de formação profissional para jovens com dificuldades. Pike e o seu namorado na altura, Tadaryl Shipp, então com 17 anos, espancaram, torturaram e mataram Slemmer após insultos que a vítima teria dirigido a Pike, supostamente interessada no namorado. O corpo foi encontrado com um pentagrama gravado no peito — um detalhe que marcou profundamente a cobertura mediática em Knoxville e que permanece na memória pública do caso até hoje.

May Martinez, mãe de Colleen, mantém uma posição firme: Pike deve ser executada. "Ela cometeu o crime. Acho que deve pagar por isso", disse à estação local WBIR em 2021, uma convicção que reafirmou esta semana em declarações à BBC. Martinez descreve um sofrimento contínuo, revivendo o trauma diariamente. Chegou mesmo a expressar o desejo de que Pike sentisse a mesma dor que a filha experimentou antes de morrer. Para a mãe, a execução representaria o encerramento de um capítulo que a tem perseguido durante três décadas.

Mas a Amnistia Internacional vê o caso de forma diferente. A organização lançou uma ação urgente pedindo ao governador do Tennessee, Bill Lee, que suspenda a execução e comute a pena. Não contestam a gravidade do homicídio, mas argumentam que as circunstâncias da vida de Pike nunca foram adequadamente apresentadas ao tribunal. Segundo a documentação da organização, Pike sofreu abusos físicos e sexuais desde criança, foi negligenciada pelos pais e viveu num ambiente marcado pela violência. Avaliações posteriores diagnosticaram-lhe perturbação bipolar, stress pós-traumático e danos cerebrais. Uma psicóloga forense que a avaliou em 1995 descreveu-a como "o produto de um passado de abuso quase insuportável". Outra especialista, Bethany Brand, que a examinou em 2023, sublinhou que os abusos e a negligência vieram de "muitas pessoas que deveriam tê-la protegido".

Os advogados de Pike argumentam que, se o crime tivesse sido julgado hoje, com Pike ainda considerada adolescente, a pena de morte não seria aplicável. Durante mais de 25 anos, Pike foi a única mulher no corredor da morte do Tennessee, permanecendo em isolamento extremo até 2024. O Supremo Tribunal do Estado rejeitou esta semana um pedido para suspender a execução, mas os seus advogados continuam a explorar alternativas legais.

O contexto nacional amplifica o peso desta execução. Desde a década de 1970, apenas 18 mulheres foram executadas em todo os Estados Unidos, em comparação com 1663 homens. A disparidade é notória. A Amnistia Internacional, que se opõe à pena de morte em qualquer circunstância, apela agora ao governador que conceda clemência. O que acontecer em 30 de setembro não será apenas o desfecho de um caso de 1995 — será um marco raro e controverso na história da justiça criminal americana.

Ela cometeu o crime. Acho que deve pagar por isso
— May Martinez, mãe de Colleen Slemmer, à estação WBIR em 2021 e à BBC esta semana
O meu coração parte-se todos os dias porque continuo a reviver tudo isto sem parar
— May Martinez
Fale Conosco FAQ