China realiza raro teste de míssil lançado por submarino no Pacífico

A região não deve permitir que esses testes se tornem normalizados
Winston Peters, ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, alertando sobre o padrão crescente de testes chineses no Pacífico.

Marinha chinesa confirmou lançamento de míssil estratégico com ogiva simulada em águas do Pacífico como parte de treinamento militar anual programado. EUA monitorou teste de ICBM com capacidade nuclear e expressou preocupação com expansão rápida e pouco transparente do arsenal nuclear chinês.

  • Submarino chinês lançou míssil balístico estratégico com ogiva simulada no Pacífico Sul em 7 de julho de 2026
  • EUA identificou o projétil como ICBM com capacidade nuclear; China não revelou o tipo específico
  • Marinha chinesa opera seis submarinos Tipo 094 equipados com mísseis JL-2 e JL-3
  • Teste ocorreu em zona desnuclearizada estabelecida pelo Tratado de Rarotonga em 1986
  • Último teste chinês de ICBM no Pacífico foi em setembro de 2024, primeiro em 44 anos

China testou míssil balístico lançado por submarino no Pacífico Sul, causando indignação de Nova Zelândia e Austrália que alertam sobre desestabilização regional e violação de zona desnuclearizada.

A Marinha chinesa lançou um míssil balístico de um submarino em direção ao Oceano Pacífico na segunda-feira, atingindo com precisão uma zona de águas abertas previamente designada. O porta-voz da Marinha, capitão sênior Wang Xuemeng, descreveu o disparo como parte do calendário anual de treinamento militar do país e afirmou que os "países relevantes" haviam sido informados com antecedência. Segundo Wang, a operação respeitou o direito internacional e as práticas internacionais, sem visar nenhuma nação específica.

O Departamento de Estado americano, porém, identificou o projétil como um míssil balístico intercontinental com capacidade de transportar armas nucleares, embora sem ogiva real. Os EUA pediram que a China se engaje em "discussões significativas sobre controle de armamentos" e expressaram preocupação profunda com o que descrevem como uma "rápida e pouco transparente expansão do arsenal nuclear chinês". Pequim não revelou qual tipo específico de míssil foi utilizado no teste.

A reação dos países do Pacífico foi imediata e crítica. O ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, chamou o evento de "indesejado e preocupante", lembrando que o lançamento ocorreu em direção às águas da Zona Livre de Armas Nucleares do Pacífico Sul, estabelecida pelo Tratado de Rarotonga em 1986. Embora a China tenha assinado os protocolos II e III do acordo em 1987, Peters alertou que a região não deseja que Pequim use o Pacífico Sul como campo de testes para suas capacidades de mísseis. A ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, classificou o teste como "desestabilizador para a região" e pediu que a China explicasse suas intenções, contextualizando o disparo dentro de uma "rápida expansão militar" que carece de transparência. O Japão também expressou "sérias preocupações" com as atividades militares cada vez mais intensas de Pequim.

Este não é um evento isolado. Peters apontou que em 2024 o Exército de Libertação Popular já havia realizado um lançamento de teste de míssil balístico intercontinental na região, e alertou que "como região, não devemos simplesmente permitir que esses testes se tornem normalizados ou rotineiros". Em setembro de 2024, a China disparou um míssil DF-31B com capacidade nuclear a partir da ilha de Hainan em direção ao Pacífico aberto, próximo à Polinésia Francesa — o primeiro teste chinês de um ICBM lançado em alto-mar em 44 anos.

A Marinha chinesa opera dois tipos de mísseis balísticos lançados por submarinos: o JL-2 e o JL-3. Especialistas em mísseis apontam que o JL-3 possui alcance suficiente para atingir o território continental dos Estados Unidos a partir de águas próximas à costa chinesa, incluindo o Mar do Sul da China. O principal submarino de mísseis balísticos chinês é o Tipo 094, também conhecido como classe Jin, do qual o país opera seis unidades. Pequim vem ampliando sua frota de submarinos movidos a energia nuclear como parte de um esforço geral para fortalecer suas forças nucleares.

Os testes de mísseis, contudo, são prática comum entre potências nucleares. A Marinha dos Estados Unidos realizou quatro testes de seu míssil balístico Trident em setembro passado em águas próximas à Flórida. A Índia testou um míssil balístico lançado por submarino em dezembro, enquanto a Rússia realizou um teste com um SLBM em outubro. Um relatório do Departamento de Defesa dos EUA de dezembro de 2025 sobre o poder militar chinês afirma que o Exército de Libertação Popular considera esses testes "uma opção para operações de dissuasão nuclear de média a alta intensidade". Embora a China normalmente realize testes dentro de seu próprio território, a decisão de disparar no Pacífico Sul marca uma mudança tática que preocupa seus vizinhos regionais.

A Nova Zelândia considera isso um acontecimento indesejado e preocupante. Nós, assim como nossos vizinhos em outros países do Pacífico, não temos interesse que a China use o Pacífico Sul como local de testes para sua capacidade de mísseis
— Winston Peters, ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia
O teste deve ser analisado no contexto de uma rápida expansão militar da China, que carece da transparência e da garantia sobre suas intenções que a região espera
— Penny Wong, ministra das Relações Exteriores da Austrália
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a Nova Zelândia e a Austrália reagiram tão fortemente a um teste que a China diz ser rotineiro?

Model

Porque o teste ocorreu em uma zona que eles ajudaram a estabelecer como desnuclearizada em 1986. Não é apenas sobre o míssil em si — é sobre a China testando capacidades nucleares em um espaço que foi designado especificamente para ser livre disso.

Inventor

Mas outros países nucleares também testam mísseis. Por que isso é diferente?

Model

A diferença está no padrão. Quando os EUA testam, fazem perto da Flórida. A Rússia testa em suas águas. A China está testando cada vez mais longe de casa, na região do Pacífico Sul, onde há pequenas nações que não têm capacidade de defesa nuclear.

Inventor

A China diz que informou os países com antecedência. Isso não deveria acalmar as preocupações?

Model

Informar não é a mesma coisa que pedir permissão ou explicar intenções. Winston Peters deixou claro: eles querem saber por quê, não apenas ser notificados de que vai acontecer.

Inventor

Qual é o significado militar real do JL-3?

Model

É um míssil que pode atingir a costa americana a partir de submarinos chineses operando perto da China. Isso muda o equilíbrio de poder no Pacífico de forma fundamental.

Inventor

Isso significa que uma guerra está próxima?

Model

Não necessariamente. Significa que a China está consolidando uma capacidade de dissuasão nuclear credível. O problema é que ninguém sabe exatamente o que ela planeja fazer com isso, e a falta de transparência alimenta a desconfiança.

Inventor

E o que vem a seguir?

Model

Os testes provavelmente continuarão. A questão é se a China vai normalizá-los no Pacífico Sul ou se a pressão diplomática consegue contê-los. Os próximos meses dirão muito.

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