Enquanto Xi Jinping e Donald Trump se preparam para se encontrar na Coreia do Sul, à margem da cimeira da APEC, a China envia uma mensagem filosófica e política ao mundo: as guerras comerciais pertencem a uma ordem que está a ser superada. O ministro Wang Yi invocou o 'sentido da História' para argumentar que o multilateralismo e a emergência de um mundo multipolar tornam o protecionismo não apenas prejudicial, mas anacrónico. Com uma trégua tarifária a expirar a 10 de novembro, o encontro de quinta-feira transcende a diplomacia bilateral — é um teste à capacidade das grandes potências de tran
China pede fim das guerras comerciais antes de encontro Xi-Trump
O sentido da História não pode ser revertido
Porque é que Wang Yi escolheu este momento, dias antes do encontro, para fazer estas declarações públicas sobre guerras comerciais?
Porque está a tentar estabelecer o terreno antes da negociação. Quando diz que "o sentido da História não pode ser revertido", está a sugerir que a China não vai recuar, mas também que o mundo está a mudar e que os EUA precisam de aceitar isso.
Mas isso é retórica. O que sabemos de concreto é que há um consenso preliminar sobre terras raras e soja — isso é verificável. O resto é posicionamento.
Verdade, mas o posicionamento importa. Wang está a dizer que a China quer negociar, mas não a qualquer preço. Está a estabelecer limites.
E quanto à trégua que expira a 10 de novembro? Isso é uma ameaça implícita?
Não é implícita, é explícita. Se não houver acordo até lá, as tarifas voltam. Mas não sabemos ainda o que Trump vai fazer — ele pode estender a trégua, pode aumentar as tarifas, pode negociar algo completamente diferente.
Exatamente. Por isso é que este encontro é tão importante. Não é apenas sobre soja e terras raras — é sobre se conseguem evitar uma escalada maior.
Wang disse que o mundo está a caminhar para uma "ordem multipolar". Isso significa que a China está a recusar a liderança americana?
Significa que a China acredita que o poder está a ser distribuído de forma diferente no mundo. Não é apenas Washington e Pequim — há outros atores, outras economias.
Mas isso também é uma forma de dizer: "Não vamos aceitar que os EUA ditem as regras sozinhos." É uma posição de força, mesmo que embrulhada em linguagem diplomática.
The Pulse
- A trégua tarifária entre Washington e Pequim expira a 10 de novembro, criando uma pressão de tempo que transforma o encontro Xi-Trump numa corrida contra o relógio.
- Wang Yi lançou críticas veladas mas inequívocas ao protecionismo americano, condenando a 'politização das questões económicas' e a 'fragmentação artificial dos mercados globais'.
- Do lado americano, Trump expressou otimismo num 'bom acordo', enquanto o secretário do Tesouro Scott Bessent antecipou um compromisso concreto sobre terras raras chinesas e soja norte-americana.
- O representante chinês para o Comércio Internacional foi mais longe, afirmando que os dois países já alcançaram um 'consenso preliminar' — sinal de que as negociações avançaram nos bastidores.
- Se o encontro de quinta-feira não produzir resultados tangíveis, o espectro de novas tarifas e de uma escalada comercial volta a pairar sobre as duas maiores economias do mundo.
Enquanto Xi Jinping e Donald Trump se preparam para se encontrar na Coreia do Sul, à margem da cimeira da APEC, a China envia uma mensagem filosófica e política ao mundo: as guerras comerciais pertencem a uma ordem que está a ser superada. O ministro Wang Yi invocou o 'sentido da História' para argumentar que o multilateralismo e a emergência de um mundo multipolar tornam o protecionismo não apenas prejudicial, mas anacrónico. Com uma trégua tarifária a expirar a 10 de novembro, o encontro de quinta-feira transcende a diplomacia bilateral — é um teste à capacidade das grandes potências de transformarem retórica em compromisso real.
Wang Yi, ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, aproveitou um fórum em Pequim para lançar um apelo ao abandono das guerras comerciais, dias antes de Xi Jinping e Donald Trump se reunirem na Coreia do Sul, à margem da cimeira da APEC em Gyeongju. O diplomata condenou a 'politização das questões económicas', a fragmentação dos mercados globais e o recurso a batalhas tarifárias, argumentando que 'o sentido da História não pode ser revertido' e que um mundo multipolar está em consolidação.
As críticas de Wang surgem num momento de renovada tensão entre Washington e Pequim, com referências implícitas ao protecionismo americano que tem marcado os últimos meses. O ministro alertou ainda contra a 'retirada frequente de acordos' e a formação de blocos e alianças, práticas que, na sua visão, colocam o multilateralismo sob pressão sem precedentes.
Apesar do tom crítico de Pequim, há sinais de aproximação. Trump manifestou esperança num 'bom acordo', e o secretário do Tesouro Scott Bessent indicou que os dois líderes deverão validar um compromisso em torno das exportações chinesas de terras raras e da compra de soja norte-americana. O representante chinês para o Comércio Internacional foi ainda mais direto, garantindo que já existe um 'consenso preliminar' entre os dois países.
O encontro de quinta-feira decorre com um prazo concreto em pano de fundo: a trégua tarifária entre as duas potências expira a 10 de novembro. Sem um acordo formalizado, a possibilidade de nova escalada comercial regressa à equação — tornando este momento não apenas um teste diplomático, mas um ponto de inflexão para a ordem económica global.
Wang Yi, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, usou um fórum em Pequim para fazer um apelo direto: o mundo precisa de abandonar as guerras comerciais. As suas palavras chegam dias antes de Xi Jinping e Donald Trump se sentarem à mesa, numa reunião marcada para quinta-feira na Coreia do Sul, à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico em Gyeongju.
O diplomata chinês foi claro na sua crítica. Condenou o que chamou de "politização das questões económicas e comerciais", a "fragmentação artificial dos mercados globais" e o recurso a "guerras comerciais e batalhas tarifárias" — uma referência velada ao protecionismo americano que tem marcado os últimos meses. Wang insistiu que "o sentido da História não pode ser revertido" e que "um mundo multipolar está a emergir", sugerindo que a ordem internacional está em transformação e que os países precisam de se adaptar a essa realidade.
O tom das declarações reflete a tensão que tem caracterizado as relações comerciais entre Washington e Pequim. Wang alertou ainda contra o que descreveu como "retirada frequente de acordos, a inversão de compromissos e a formação entusiástica de blocos e alianças", práticas que, na sua perspetiva, colocam o multilateralismo sob "desafios sem precedentes". Estas críticas surgem num contexto de renovada tensão comercial entre as duas maiores economias do mundo.
Do lado americano, há sinais de otimismo. Donald Trump, que regressou à presidência em janeiro de 2024, manifestou esperança na possibilidade de alcançar um "bom acordo" com a China. No domingo, Scott Bessent, secretário do Tesouro norte-americano, sugeriu que os dois líderes deverão validar um compromisso específico: um acordo em torno das exportações chinesas de terras raras e da compra de soja norte-americana por Pequim. Li Chenggang, o representante chinês para o Comércio Internacional, foi mais longe, garantindo que os dois países já alcançaram um "consenso preliminar".
Mas há um relógio a contar. Uma trégua tarifária entre os dois lados expira a 10 de novembro, deixando uma janela de tempo limitada para que qualquer acordo seja formalizado. Se não houver progresso, a possibilidade de novas tarifas e escalada comercial volta à mesa. O encontro de quinta-feira será, portanto, um momento crítico — não apenas para definir o tom das relações sino-americanas nos próximos meses, mas também para sinalizar se a retórica de Wang sobre um mundo multipolar e a necessidade de abandonar guerras comerciais encontra eco nas negociações reais.
Notable Quotes
O mundo está a caminhar para uma ordem multipolar e as guerras comerciais precisam de terminar— Wang Yi, ministro dos Negócios Estrangeiros da China
Os dois países alcançaram um consenso preliminar— Li Chenggang, representante chinês para o Comércio Internacional