Santis deixou a operação de 29 restaurantes para investir R$ 7 milhões em um único estabelecimento dedicado à cozinha tradicional italiana. A trattoria produz in loco massas frescas, molhos, pães e embutidos, inspirada pela experiência do chef em sua fazenda em São José dos Campos.
Chef Rodolfo de Santis retorna aos fogos com Santino Trattoria no Itaim Bibi
Essa em particular não quero replicar
Por que sair de uma rede de 29 restaurantes para investir tudo em um único lugar?
Porque depois de dois anos longe, eu entendi que queria cozinhar de novo. Não gerenciar, não expandir — cozinhar. A fazenda me mostrou isso.
E a fazenda mudou sua forma de pensar sobre comida?
Completamente. Quando você planta, cria animal, colhe — você entende de verdade de onde vem a comida. Isso é algo que todo cozinheiro deveria viver.
Por que o nome Santino, especificamente?
É o apelido que minha família sempre me chamou. Queria que fosse pessoal desde o começo. Não é um conceito, é um lugar meu.
Você poderia ter replicado esse modelo em outras cidades, como fez com o Nino Cucina.
Poderia, mas não quero. Essa é a diferença. Dessa vez, quero estar aqui, presente, conectado com as pessoas que vêm comer.
O investimento de R$ 7 milhões em um único restaurante é arriscado.
Sim, mas o mercado de São Paulo mudou. Você precisa de uma casa competitiva, bem feita. E eu precisava de um lugar que refletisse realmente quem eu sou agora.
Le Pouls
- Chef italiano Rodolfo de Santis retorna aos fogos após dois anos afastado
- Santino Trattoria aberta em 14 de julho de 2026 no Itaim Bibi
- Investimento de R$ 7 milhões em um único restaurante
- Santis saiu da operação de 29 restaurantes em 2024
- Produção artesanal in loco: massas, molhos, pães e embutidos
Santis deixou a operação de 29 restaurantes para investir R$ 7 milhões em um único estabelecimento dedicado à cozinha tradicional italiana. A trattoria produz in loco massas frescas, molhos, pães e embutidos, inspirada pela experiência do chef em sua fazenda em São José dos Campos.
Após dois anos afastado, o chef italiano Rodolfo de Santis reabre sua carreira com a Santino Trattoria no Itaim Bibi, projeto pessoal focado em culinária italiana clássica e artesanal.
Rodolfo de Santis passou mais de dois anos longe dos fogos. Depois de comandar uma rede que cresceu até 29 endereços espalhados pelo Brasil, o chef italiano decidiu sair da operação em 2024 e comprou uma fazenda em São José dos Campos, onde plantava, criava animais e cozinhava para a família. Agora, em julho de 2026, ele volta ao Itaim Bibi — o bairro de São Paulo onde construiu sua carreira — com a Santino Trattoria, um projeto que ele descreve como profundamente pessoal.
O nome vem do apelido que a família lhe dava. A descrição no Instagram é igualmente direta: "Vera e semplice cucina di Santino" — a verdadeira e simples cozinha de Santino. O cardápio traz clássicos italianos que marcaram seu trabalho anterior: burrata assada com tomate e manjericão por R$ 65, espaguete à carbonara por R$ 69, cacio e pepe por R$ 73. Há também novidades, como o tonnarelli acompanhado de tomate San Marzano importado da Itália, linguiça, nduja e queijo pecorino. No total, 24 entradas e pratos principais, além de salumeria e sobremesas. "A ideia é trabalhar com cardápio tradicional e também ser uma casa onde eu consiga me conectar com minha raiz de cozinha, minha criatividade", afirma o chef.
O que distingue a Santino Trattoria é o trabalho artesanal que acontece dentro dela. Massas frescas, molhos, pães, linguiças, mortadela, pancetta e guanciale são feitos no local. Os embutidos ficam expostos ao público em uma câmara fria no salão principal — uma escolha que reflete a filosofia que Santis desenvolveu durante seus dois anos longe dos restaurantes. Naquela fazenda em São José dos Campos, ele se reconectou com a origem da comida: plantava, criava animais, colhia. "Isso te conecta com algo que todo cozinheiro deveria passar, de conexão com a comida."
Santis é natural de uma pequena cidade no sul da Itália. Trabalhou em restaurantes estrelados em três países antes de chegar ao Brasil em 2011. Cozinhou em casas como Biondi e Domenico, ambas extintas, e no Tappo, na região central de São Paulo. O Nino Cucina veio depois, aberto em 2015 com menu de clássicos italianos. A expansão foi rápida: filiais em Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Goiânia, além de uma versão para shoppings chamada Ninetto. Em menos de dez anos, Santis havia aberto 29 endereços. Então decidiu parar.
Em 2024, as casas passaram para a gestão do grupo Alife Nino, que também é dono dos bares Tatu Bola e Boa Praça, com menu do chef italiano Marco Renzetti. Fora da operação, Santis começou a procurar o lugar certo para seu novo projeto. "Fiquei dois anos procurando o lugar certo", afirma ele. Encontrou um casarão de esquina no Itaim Bibi, dividido em três ambientes com mesas para grupos, sofás em veludo, plantas e decoração em madeira. O espaço foi pensado para ser aconchegante e um ponto de encontro constante. Por enquanto, funciona de segunda a sábado para almoço e jantar, e aos domingos apenas durante o dia.
O requinte do novo espaço — pé-direito alto, pratos pintados à mão — foi necessário para acompanhar o mercado de restaurantes de São Paulo, que vem mudando com estabelecimentos gastronômicos de altíssimo investimento. No total, foram investidos R$ 7 milhões na tratoria. "Eu precisava de uma casa competitiva", afirma Santis. Mas há uma diferença fundamental em relação ao passado: a Santino Trattoria foi criada para ser um filho único. "Essa em particular não quero replicar", conta o chef. Depois de expandir para quase trinta endereços, Santis escolheu voltar com um único lugar — e ficar nele.
Citations marquantes
A ideia é trabalhar com cardápio tradicional e também ser uma casa onde eu consiga me conectar com minha raiz de cozinha, minha criatividade— Rodolfo de Santis
Isso te conecta com algo que todo cozinheiro deveria passar, de conexão com a comida— Rodolfo de Santis, sobre sua experiência na fazenda