Na tribuna da Assembleia Geral da ONU, Rússia e China ergueram suas vozes em defesa de Cuba, contestando o bloqueio econômico americano que, segundo o chanceler Lavrov, priva a ilha de petróleo e mergulha sua população em apagões. O episódio, ocorrido em 26 de setembro de 2026, revela uma fratura crescente na ordem internacional: enquanto Washington mantém a pressão e não descarta opções militares, Moscou e Pequim invocam a soberania como princípio inegociável. Entre discursos e declarações contraditórias, é o povo cubano que vive no escuro, à espera de que a diplomacia encontre uma saída.
Chanceler russo pede fim do bloqueio dos EUA contra Cuba na ONU
O petróleo raramente consegue chegar à ilha, deixando populações inteiras sem eletricidade
Por que Lavrov escolheu a ONU para fazer esse apelo agora? Não é algo que a Rússia já vinha pedindo há anos?
Sim, mas o contexto mudou. Os apagões em Cuba ficaram piores, e a Rússia está usando a Assembleia Geral como palco para isolar os EUA diplomaticamente. É também um sinal para aliados de que Moscou não abandonou seus parceiros.
Mas precisamos ser claros: Lavrov pediu, a China apoiou, mas nenhum deles tem poder de voto para forçar mudanças. A ONU não pode obrigar os EUA a fazer nada.
E quanto ao que Trump disse sobre um acordo? Isso parece sincero?
Trump fala em negociação, o que é diferente da postura anterior. Mas sua porta-voz deixou a porta aberta para ação militar, então há uma contradição clara entre o que o presidente diz e o que sua administração prepara.
Exatamente. Uma coisa é Trump fazer uma declaração otimista para a imprensa. Outra é saber se há realmente negociações em andamento. O material não confirma que conversas estejam acontecendo.
Os apagões são reais, então?
Completamente. O bloqueio impediu que petróleo chegasse a Cuba, e isso causa falta de eletricidade. Não é especulação — é consequência direta da pressão econômica.
O que não sabemos é a escala exata. Quantas pessoas são afetadas? Por quanto tempo? O material diz "devastadores" mas não quantifica.
E a China? Por que ela se envolveu nisso?
Porque Cuba é um aliado estratégico, e a China quer mostrar que não aceita que os EUA usem bloqueios econômicos como ferramenta de política externa. É também uma forma de se alinhar com a Rússia em um momento de tensão global.
Mas note que Han Zheng não mencionou os EUA pelo nome. Isso é diplomacia cuidadosa — ele fez o ponto sem criar um confronto direto.
El Pulso
- O bloqueio americano impede a chegada de petróleo a Cuba, provocando apagões prolongados que atingem hospitais, escolas e residências em toda a ilha.
- Lavrov usou o plenário da ONU para enquadrar o cerco econômico não como medida de segurança, mas como causa direta de sofrimento humanitário.
- A China, que dias antes celebrava Trump com jantares de gala em Washington, virou-se contra os EUA na tribuna internacional, exigindo o fim das ameaças à soberania cubana.
- Trump afirmou que um acordo com Cuba é possível sem uso do exército, mas a porta-voz do Departamento de Estado não descartou operações militares como ferramenta disponível.
- A tensão se instala entre a retórica negociadora do presidente americano e os sinais mais duros de sua própria burocracia, deixando o desfecho em aberto.
Na tribuna da Assembleia Geral da ONU, Rússia e China ergueram suas vozes em defesa de Cuba, contestando o bloqueio econômico americano que, segundo o chanceler Lavrov, priva a ilha de petróleo e mergulha sua população em apagões. O episódio, ocorrido em 26 de setembro de 2026, revela uma fratura crescente na ordem internacional: enquanto Washington mantém a pressão e não descarta opções militares, Moscou e Pequim invocam a soberania como princípio inegociável. Entre discursos e declarações contraditórias, é o povo cubano que vive no escuro, à espera de que a diplomacia encontre uma saída.
Na Assembleia Geral das Nações Unidas, no sábado 26 de setembro, o chanceler russo Sergei Lavrov fez um apelo direto aos Estados Unidos: suspender o bloqueio econômico contra Cuba e retirar a ilha da lista de países que supostamente apoiam o terrorismo. No centro do seu discurso estava uma consequência concreta da pressão americana — a escassez de petróleo que deixa Cuba mergulhada em apagões devastadores, afetando hospitais, escolas e famílias inteiras.
Na mesma sessão, a China se posicionou ao lado de Moscou. O vice-presidente Han Zheng, sem citar os EUA pelo nome, exigiu que o "país em questão" parasse de ameaçar Cuba e respeitasse sua soberania. A convergência sino-russa foi ainda mais marcante pelo contraste com o que havia acontecido dias antes: Trump havia recebido Xi Jinping na Casa Branca com desfiles militares e um jantar de Estado, mas a cordialidade evaporou rapidamente diante das divergências na tribuna internacional.
O próprio Trump, em coletiva de imprensa em Washington no mesmo dia, adotou tom conciliatório, prevendo que os dois países chegariam a um acordo sem necessidade de ação militar. Mas a porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, havia declarado à CNN Brasil que opções militares não estão descartadas e que Washington trabalha por uma mudança em Cuba — sem especificar os meios.
O resultado é uma tensão contida: Rússia e China questionam a legitimidade do bloqueio na arena multilateral, enquanto os EUA mantêm a pressão econômica e enviam sinais ambíguos sobre seus próximos passos. Cuba permanece no centro da disputa, com sua população vivendo as consequências mais imediatas enquanto o mundo debate qual será o próximo movimento.
Na Assembleia Geral das Nações Unidas, o chanceler russo Sergei Lavrov levantou-se para fazer um apelo direto aos Estados Unidos: suspender o bloqueio econômico contra Cuba e remover a ilha da lista de nações que supostamente apoiam o terrorismo. O discurso, proferido no sábado 26 de setembro, colocou em foco uma das consequências mais visíveis dessa pressão americana — a escassez de petróleo que deixou Cuba mergulhada em apagões devastadores.
A campanha de restrições comerciais dos EUA contra Cuba tem funcionado como um cerco econômico. O petróleo, insumo essencial para manter a geração de energia elétrica, raramente consegue chegar à ilha. O resultado é concreto: populações inteiras enfrentam períodos prolongados sem eletricidade, afetando hospitais, escolas, negócios e casas. Lavrov, ao trazer essa realidade para o plenário da ONU, buscava enquadrar o bloqueio não como uma medida de segurança, mas como uma ação que causa sofrimento humanitário.
Na mesma sessão, a China também se posicionou contra a pressão americana. O vice-presidente Han Zheng não mencionou os Estados Unidos pelo nome, mas foi claro ao exigir que o "país em questão" parasse de ameaçar Cuba e suspendesse o bloqueio. Han argumentou que os principais países têm responsabilidades especiais na salvaguarda da paz internacional e que a soberania dos países — incluindo os do Oriente Médio — deve ser respeitada. A convergência entre Rússia e China neste ponto marcou uma fratura visível nas relações internacionais, especialmente considerando o contexto de uma guerra em curso entre EUA e Irã que começou com ataques conjuntos americanos e israelenses em fevereiro.
O posicionamento chinês ganhou peso adicional pela mudança abrupta de tom em relação aos EUA. Apenas dias antes, na Casa Branca, o presidente Donald Trump havia homenageado o líder chinês Xi Jinping com desfiles aéreos militares e um jantar de Estado luxuoso. A cordialidade daquele encontro evaporou rapidamente quando os dois países voltaram a se confrontar na tribuna internacional sobre questões de soberania e segurança.
Trump, por sua vez, ofereceu uma perspectiva diferente sobre o impasse com Cuba. Durante uma coletiva de imprensa em Washington no mesmo sábado, o presidente americano previu que os EUA e Cuba chegariam a um acordo, descartando a necessidade de ação militar. "Eu diria que Cuba e nós chegaremos a um acordo. Não acho que vamos precisar do exército", afirmou Trump aos repórteres.
No entanto, essa declaração otimista contrasta com sinais anteriores vindos da administração. Amanda Roberson, porta-voz do Departamento de Estado, havia dito em entrevista exclusiva à CNN Brasil que o governo americano não descarta uma operação militar em Cuba e que o presidente Trump dispõe de diferentes ferramentas para garantir a segurança americana. Roberson também afirmou que Washington trabalha por uma mudança no país, deixando em aberto quais seriam os meios para alcançá-la.
O cenário que emerge é de tensão contida. De um lado, Rússia e China usam a tribuna internacional para questionar a legitimidade do bloqueio americano e defender a soberania cubana. Do outro, os EUA mantêm a pressão econômica enquanto seu presidente fala em negociação, mas sua burocracia não descarta opções militares. Cuba permanece no centro dessa disputa geopolítica, com sua população enfrentando as consequências imediatas — os apagões que Lavrov denunciou — enquanto diplomatas e líderes discutem qual será o próximo passo.
Citas Notables
Eu diria que Cuba e nós chegaremos a um acordo. Não acho que vamos precisar do exército— Donald Trump, presidente dos EUA
Os principais países devem assumir responsabilidades especiais pela salvaguarda da paz e da segurança internacionais— Han Zheng, vice-presidente da China