No Brasil de 2026, a aritmética eleitoral começa a escrever um desfecho antes mesmo do segundo turno chegar. O cientista político Bruno Soller observa que os votos órfãos de candidatos eliminados tendem a se agrupar em torno de Flávio Bolsonaro, enquanto Lula deposita suas esperanças em 33 milhões de ausentes — uma aposta que revela tanto a dimensão do desengajamento cívico brasileiro quanto a fragilidade de quem governa mas não conseguiu mobilizar os próprios.
Chance de virada de Lula é cada vez mais remota, diz analista
A chance de virada se torna cada vez mais remota
Como Soller chegou à conclusão de que esses eleitores de Caiado, Cury e Santos vão para Bolsonaro e não para Lula?
Ele analisou padrões de voto e comportamento eleitoral. Esses candidatos ocupavam espaço no centro-direita do espectro político, então seus eleitores tendem a migrar para outro candidato de direita quando forçados a escolher entre duas opções.
Mas isso é uma projeção, certo? Não é algo que já aconteceu. Soller está dizendo que tende a acontecer, não que vai acontecer com certeza.
Exato. São tendências identificadas em pesquisas e análises históricas de comportamento eleitoral em segundo turno.
E quanto aos 33 milhões que não votaram? Lula realmente tem chance de mobilizá-los?
Teoricamente sim, mas Soller sugere que é cada vez mais difícil. Essas pessoas já demonstraram desinteresse ao não comparecer.
Aqui está o ponto: não sabemos por que essas 33 milhões pessoas se abstiveram. Foram por apatia? Dificuldade de acesso? Protesto? As razões importam para saber se Lula consegue trazê-las de volta.
Então o segundo turno está praticamente decidido?
Segundo Soller, a tendência aponta para Flávio, mas eleições sempre têm variáveis. Campanhas acontecem, mensagens mudam, pessoas mudam de ideia.
E vale lembrar que essa é a análise de um instituto. Outras análises podem chegar a conclusões diferentes. A confiança nessa previsão é média, não alta.
El Pulso
- A vantagem de Flávio Bolsonaro se consolida: análise do Real Time Big Data indica que o favoritismo cresce à medida que os dados do primeiro turno são processados.
- Os 7,5% de votos conquistados por Caiado, Cury e Santos formam um bloco decisivo que, segundo Soller, tende a migrar para o campo bolsonarista no segundo turno.
- Lula enfrenta uma equação cada vez mais adversa: sem esses votos e com desvantagem já robusta, suas margens de reversão se estreitam a cada análise.
- A estratégia do presidente se volta para os 33 milhões de abstencionistas — a maior abstenção desde a redemocratização —, apostando em mobilização massiva em curtíssimo prazo.
- Soller não vê horizonte favorável para essa aposta: convencer dezenas de milhões de desengajados a votar, e votar em Lula, é considerado tarefa de proporções quase intransponíveis.
No Brasil de 2026, a aritmética eleitoral começa a escrever um desfecho antes mesmo do segundo turno chegar. O cientista político Bruno Soller observa que os votos órfãos de candidatos eliminados tendem a se agrupar em torno de Flávio Bolsonaro, enquanto Lula deposita suas esperanças em 33 milhões de ausentes — uma aposta que revela tanto a dimensão do desengajamento cívico brasileiro quanto a fragilidade de quem governa mas não conseguiu mobilizar os próprios.
A matemática do segundo turno se torna cada vez mais hostil a Lula. Bruno Soller, cientista político do Real Time Big Data, analisou os resultados do primeiro turno e concluiu que o favoritismo de Flávio Bolsonaro só se aprofunda conforme os números são processados.
O ponto central da análise gira em torno dos eleitores de três candidatos eliminados — Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos —, que juntos somaram 7,5% dos votos válidos. Segundo Soller, diante da escolha binária do segundo turno, esses eleitores tendem a migrar para Bolsonaro, e não para o presidente incumbente. Essa tendência, se confirmada, torna ainda mais difícil qualquer virada lulista.
Ciente do desafio, Lula concentra sua estratégia em um contingente de 33 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas — a maior abstenção desde a redemocratização. Para o presidente, esses ausentes representam a única via realista de reversão do quadro.
Mas o próprio analista não alimenta otimismo nessa frente. Mobilizar tantos eleitores desengajados em poucos dias, e ainda convencê-los a votar nele especificamente, é uma tarefa de escala quase impossível. A avaliação de Soller é direta: mantidas as tendências, a chance de virada se torna cada vez mais remota.
A matemática do segundo turno está se tornando cada vez mais desfavorável para Luiz Inácio Lula da Silva. Bruno Soller, cientista político do instituto Real Time Big Data, analisou os números que emergem do primeiro turno das eleições presidenciais e chegou a uma conclusão que não deixa margem para otimismo no campo da esquerda: o favoritismo de Flávio Bolsonaro só se consolida conforme os dados são processados.
O cenário que se desenha depende crucialmente de um grupo específico de eleitores. Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos, três candidatos que não avançaram para o segundo turno, juntos conquistaram 7,5% dos votos válidos na eleição de domingo. A pergunta que define o resultado final é simples mas determinante: para onde irão esses eleitores quando tiverem de escolher entre Lula e Flávio Bolsonaro?
Segundo a análise de Soller, a resposta aponta para Bolsonaro. Os eleitores desses três candidatos, quando colocados diante da escolha binária do segundo turno, tendem a migrar para o bolsonarista em vez de para o presidente incumbente. Essa tendência, se confirmada, reduz significativamente as possibilidades de Lula reverter uma desvantagem que já se mostra robusta nos números.
O próprio Lula parece ter identificado onde está sua última chance de virada. Sua estratégia agora se concentra em um contingente massivo de brasileiros que simplesmente não compareceu às urnas: 33 milhões de pessoas, um número que equivale aproximadamente à população inteira do estado de São Paulo. O domingo de votação registrou a maior abstenção eleitoral desde que o Brasil retornou ao regime democrático, décadas atrás. Para o presidente, esses eleitores ausentes representam a única via realista de mobilização que poderia alterar o resultado.
Mas mobilizar 33 milhões de pessoas em poucos dias é uma tarefa de proporções gigantescas. Não se trata apenas de convencê-los a votar, mas de convencê-los a votar nele, em um contexto onde a abstenção em si já é um sinal de desengajamento político. Soller não oferece esperança nessa frente. Sua avaliação é que, mantidas as tendências observadas, a chance de uma virada lulista se torna cada vez mais remota conforme o segundo turno se aproxima.
Citas Notables
O que o Lula tem tentado fazer? Buscar aqueles 33 milhões de brasileiros, que é quase um estado de São Paulo, que não foram às urnas nessa eleição— Bruno Soller, cientista político do Real Time Big Data