Investigadores encontraram 50 casos de eurodeputados em pornografia deepfake em 200 domínios, com 46 envolvendo mulheres de sete grupos parlamentares europeus. A eurodeputada Lena Schilling descreveu a experiência como "sensação horrível", alertando para o efeito intimidatório que leva 22% das políticas a considerar abandonar cargos.
Cerca de 50 eurodeputados em pornografia deepfake sem consentimento
É uma sensação horrível descobrir fotografias suas nua online
Como é que investigadores conseguem encontrar estas imagens se estão espalhadas por sites offshore e pequenos domínios?
Eles pesquisaram 200 domínios conhecidos por hospedar pornografia deepfake e procuraram sistematicamente pelos nomes de cada eurodeputado. É trabalho tedioso, mas possível quando se sabe onde procurar.
Mas isso significa que o número real é provavelmente muito maior, certo? Se só procuraram 200 sites, há certamente mais por aí.
Porque é que as mulheres são tão desproporcionalmente afetadas?
Porque a violência sexual — mesmo quando é digital e falsa — é uma ferramenta de controlo direcionada contra mulheres. É misoginia com uma nova ferramenta tecnológica.
Verdade, mas também é importante notar que o estudo encontrou apenas quatro homens afetados. Isso é um dado real, não uma interpretação.
Se 22% das políticas consideram abandonar, quantas realmente saem?
O relatório não especifica. Sabemos que consideram, mas não sabemos quantas efetivamente deixam os cargos.
Exatamente. É uma estatística importante, mas incompleta. Precisamos de dados sobre quantas realmente se vão embora para entender o impacto real.
A lei de dezembro vai resolver isto?
Vai ajudar, mas só se for implementada com rigor. O problema é que muitos sites estão fora da jurisdição europeia.
E mesmo dentro da Europa, a lei depende de vítimas denunciarem. Não há monitoramento proativo. É um sistema reativo, não preventivo.
O Pulso
- 50 eurodeputados em pornografia deepfake (46 mulheres, 4 homens) em 200 domínios
- 147 casos em parlamentos nacionais europeus (138 mulheres)
- 22% das políticas afetadas consideram abandonar cargos
- Lei europeia de IA entra em vigor a 2 de dezembro
Investigadores encontraram 50 casos de eurodeputados em pornografia deepfake em 200 domínios, com 46 envolvendo mulheres de sete grupos parlamentares europeus. A eurodeputada Lena Schilling descreveu a experiência como "sensação horrível", alertando para o efeito intimidatório que leva 22% das políticas a considerar abandonar cargos.
Um estudo revelou que cerca de 50 eurodeputados aparecem em imagens pornográficas deepfake geradas por IA sem consentimento, 46 deles mulheres, levantando preocupações sobre violência digital e intimidação na política.
Cinquenta eurodeputados — 46 mulheres e quatro homens — descobriram que suas imagens aparecem em pornografia gerada por inteligência artificial em sites especializados neste tipo de conteúdo, tudo sem seu conhecimento ou consentimento. A revelação veio de um estudo divulgado segunda-feira pela plataforma alemã Agora Digitale Transformation, liderada pelo investigador Benjamin Shultz, que vasculhou 200 domínios conhecidos por hospedar deepfakes pornográficos e pesquisou os nomes de todos os membros do Parlamento Europeu.
O que os investigadores encontraram foi perturbador em sua escala e alcance. Os 50 casos envolvem políticos de sete dos oito grupos parlamentares europeus. Parte do material está acessível diretamente nos sites; outra parte liga os nomes dos eurodeputados a aplicações de nudismo; há ainda conteúdo que foi indexado mesmo depois de tribunais terem mandado remover as páginas. O documento da investigação preservou o anonimato dos afetados, mas alguns decidiram falar publicamente. Lena Schilling, eurodeputada pelos Verdes alemães, foi uma delas. "Estou tão indignada que preciso de falar sobre isto. Imagine chegar ao trabalho um dia, abrir o portátil e descobrir que há fotografias suas, nua, online, fotografias que nunca tirou. Foi o que aconteceu comigo e com muitas outras mulheres. É uma sensação horrível", disse ela numa conferência de imprensa.
O fenômeno é mais amplo do que apenas o Parlamento Europeu. Um segundo relatório da mesma organização examinou membros de parlamentos nacionais europeus e identificou 147 casos de deepfakes pornográficos — 138 envolvendo mulheres. Os números revelam um padrão claro: a violência digital através de imagens sexualizadas falsas é quase exclusivamente direcionada contra mulheres na vida pública. A organização de defesa dos direitos humanos Hate Aid documentou que cerca de 22% das políticas que sofrem este tipo de violência digital consideram abandonar seus cargos. O impacto não é apenas psicológico; é profundamente intimidatório, funcionando como uma ferramenta para afastar mulheres da política.
Os investigadores enfatizam que a inteligência artificial generativa não criou este problema — a violência sexual contra mulheres é antiga — mas a tornou exponencialmente mais fácil de executar. A IA tornou a produção de deepfakes pornográficos mais barata, mais rápida e muito mais difícil de detectar. Como nota o relatório, as raízes deste fenômeno são as mesmas do assédio e bullying offline: misoginia pura. A tecnologia apenas forneceu uma nova arma para um problema antigo.
A proteção legal existente é inadequada. A legislação europeia sobre pornografia deepfake só atua depois que o dano já ocorreu e depende inteiramente de as próprias vítimas encontrarem o conteúdo e o denunciarem — um fardo que coloca a responsabilidade nos ombros de quem foi prejudicado. Além disso, a maioria das obrigações legais se aplica apenas a grandes plataformas online, enquanto a maior parte do dano ocorre em sites pequenos, frequentemente baseados fora da Europa, onde a aplicação da lei é praticamente impossível.
Há, porém, um ponto de virada próximo. Em 2 de dezembro, entra em vigor a data limite para as plataformas se adaptarem às últimas alterações à lei europeia de inteligência artificial. Esta legislação proíbe sistemas de IA que geram material de abuso sexual infantil ou criam conteúdo que mostre as partes íntimas de uma pessoa identificável ou atividades sexualmente explícitas sem consentimento. Lena Schilling foi clara: "Não pode haver lacunas nem atrasos". Os investigadores e as vítimas estão atentos a esta data, sabendo que a implementação adequada desta lei pode ser o primeiro passo real para proteger políticos — e, por extensão, todas as mulheres — desta forma de violência digital.
Citações Notáveis
Imagine chegar ao trabalho um dia, abrir o portátil e descobrir que há fotografias suas, nua, online, fotografias que nunca tirou. É uma sensação horrível.— Lena Schilling, eurodeputada pelos Verdes alemães
As deepfakes sexualizadas não são um novo fenómeno tecnológico, mas uma nova ferramenta para um problema antigo: a violência contra as mulheres.— Agora Digitale Transformation