Pelo menos 46 eurodeputadas e quatro eurodeputados foram encontrados em pornografia deepfake em 200 domínios, com material ainda acessível online. A IA generativa tornou a produção destas imagens mais barata e rápida, enquanto a legislação europeia só atua após o dano ocorrer.
Cerca de 50 eurodeputados em pornografia 'deepfake' gerada por IA sem consentimento
É uma sensação horrível descobrir fotografias suas nuas online
Porque é que isto está a acontecer agora? Deepfakes existem há anos.
Existem, mas a IA generativa tornou tudo muito mais acessível. Antes era preciso conhecimento técnico real. Agora qualquer pessoa com um computador consegue fazer isto em minutos.
Mas a investigação não explica o motivo. Porque é que estas imagens estão a ser criadas especificamente de eurodeputados? É um ataque coordenado ou é apenas porque são figuras públicas?
A investigação não responde a isso. Sabemos que as imagens existem e estão online, mas não sabemos se há um padrão intencional ou se é oportunismo.
E as mulheres são desproporcionalmente afetadas. Porquê?
Porque a violência sexual — real ou sintética — é usada como ferramenta de controlo contra as mulheres. Isto não é novo. É apenas uma ferramenta nova para um problema antigo.
A investigação cita a Hate Aid dizendo que 22% das políticas consideram abandonar os cargos. Mas é importante notar que isto é um número de uma organização de defesa dos direitos humanos, não um estudo independente dos eurodeputados afetados. Não sabemos quantas das 46 mulheres nesta investigação estão realmente a considerar sair.
Então a lei de dezembro vai resolver isto?
Vai ajudar, mas apenas se for implementada. O problema é que muito deste conteúdo está em sítios pequenos e offshore, fora da jurisdição europeia.
E a lei só se aplica a grandes plataformas. Portanto, há um vazio legal significativo que a legislação não cobre.
Der Puls
- Pelo menos 46 eurodeputadas e quatro eurodeputados em pornografia deepfake
- 147 casos encontrados em parlamentos nacionais europeus, 138 envolvendo mulheres
- Prazo de 2 de dezembro para plataformas se adaptarem à lei europeia da IA
- Aproximadamente 22% das políticas afetadas consideram abandonar os cargos
Pelo menos 46 eurodeputadas e quatro eurodeputados foram encontrados em pornografia deepfake em 200 domínios, com material ainda acessível online. A IA generativa tornou a produção destas imagens mais barata e rápida, enquanto a legislação europeia só atua após o dano ocorrer.
Investigação divulga que cerca de 50 eurodeputados, maioritariamente mulheres, aparecem em imagens pornográficas deepfake geradas por IA sem consentimento, revelando lacunas na legislação europeia.
Uma investigação divulgada no Parlamento Europeu revelou que pelo menos 50 eurodeputados — 46 mulheres e quatro homens — aparecem em imagens pornográficas sintéticas geradas por inteligência artificial, publicadas sem o seu consentimento em centenas de sítios online. O estudo, conduzido pela plataforma alemã Agora Digitale Transformation sob a liderança do investigador Benjamin Shultz, rastreou 200 domínios conhecidos por alojarem este tipo de conteúdo e pesquisou os nomes de todos os membros do Parlamento Europeu. Os 50 casos encontrados envolvem políticos de sete dos oito grupos parlamentares. Alguns desses materiais permanecem acessíveis diretamente na internet; outros ligam os nomes dos eurodeputados a aplicações de nudismo; há ainda conteúdo que foi indexado antes de ser removido por ordem judicial.
A investigação não identificou publicamente as vítimas, mas alguns eurodeputados decidiram falar abertamente sobre a experiência. Lena Schilling, dos Verdes alemães, descreveu o choque de descobrir imagens falsas de si mesma nua online — fotografias que nunca tirou, em sítios que nunca autorizou. "Estou tão indignada que preciso de falar sobre isto," disse em conferência de imprensa. "É uma sensação horrível." A sua decisão de tornar pública a sua história reflete uma estratégia de algumas vítimas de quebrar o silêncio que frequentemente rodeia este tipo de violência digital.
O fenómeno não se limita aos eurodeputados. Um segundo relatório da mesma organização examinou membros dos parlamentos nacionais europeus e identificou 147 casos de pornografia deepfake, 138 deles envolvendo mulheres. Os números revelam um padrão claro: estas imagens sintéticas são usadas de forma desproporcional contra mulheres na vida pública. A organização de defesa dos direitos humanos Hate Aid documentou que aproximadamente 22% das políticas que sofreram violência digital consideram abandonar os seus cargos. O impacto vai além do constrangimento pessoal — trata-se de um mecanismo de intimidação que afasta mulheres da política.
Os investigadores sublinham que a inteligência artificial generativa não criou este problema, mas transformou-o. A tecnologia tornou a produção destas imagens mais barata, mais rápida e significativamente mais difícil de detetar. O que antes exigia competências técnicas sofisticadas agora pode ser feito com ferramentas acessíveis. Ao mesmo tempo, a qualidade das imagens sintéticas melhorou a ponto de serem frequentemente indistinguíveis das fotografias reais, aumentando o seu potencial de dano.
A legislação europeia, segundo o relatório, é insuficiente para proteger as vítimas. As leis atuais atuam apenas depois de o dano já ter ocorrido e dependem de as próprias vítimas encontrarem o conteúdo e o denunciarem — um processo que coloca o ónus da proteção nas pessoas prejudicadas. Além disso, a maioria das obrigações legais aplica-se apenas a grandes plataformas online, enquanto a maior parte do conteúdo prejudicial circula em sítios pequenos e frequentemente baseados fora da Europa, escapando à jurisdição europeia.
Há, porém, uma data crítica no horizonte. A 2 de dezembro, as plataformas têm o prazo final para se adaptarem às alterações mais recentes à lei europeia da inteligência artificial. Esta legislação proíbe sistemas de IA que geram material de abuso sexual infantil ou criam conteúdo que mostre as partes íntimas de uma pessoa identificável ou atividades sexualmente explícitas sem consentimento. Schilling foi clara sobre a urgência: "Não pode haver lacunas nem atrasos." A implementação desta lei será um teste crucial para saber se a Europa consegue acompanhar a velocidade da tecnologia e proteger efetivamente os seus cidadãos.
Bemerkenswerte Zitate
Estou tão indignada que preciso de falar sobre isto. Imagine chegar ao trabalho um dia, abrir o portátil e descobrir que há fotografias suas, nua, online, fotografias que nunca tirou.— Lena Schilling, eurodeputada dos Verdes alemães
As deepfakes sexualizadas não são tanto um novo fenómeno tecnológico, mas antes uma nova ferramenta para um problema antigo: a violência contra as mulheres.— Hate Aid, organização de defesa dos direitos humanos