CEO da MicroStrategy defende que empresas do Ibovespa invistam em bitcoin

O dólar tem um vazamento. A matemática e o bitcoin não.
Saylor explica por que moedas tradicionais perdem valor enquanto bitcoin oferece escassez imutável.
Mark

Por que Saylor demorou tanto para entender bitcoin se a ideia parece tão clara agora?

Mimi

Porque bitcoin não é intuitivo. Você precisa entender criptografia, descentralização, escassez digital — conceitos que não fazem parte da educação financeira tradicional. Saylor só começou a estudar quando a pandemia tornou a desvalorização monetária impossível de ignorar.

Mark

Mas e se o bitcoin cair drasticamente? A MicroStrategy perderia bilhões.

Mimi

Saylor não vê isso como risco. Para ele, o bitcoin não é um ativo volátil — é a âncora. O que está caindo é o dólar. A volatilidade que você vê é apenas o mercado descobrindo o preço real de algo que tem oferta fixa.

Mark

Ele está pedindo para empresas brasileiras fazerem a mesma coisa. Isso não é extremamente arriscado?

Mimi

Depende de como você vê risco. Saylor argumenta que manter 100% do caixa em dólar é o risco real — é apostar que a moeda não vai desvalorizar. Ele está apenas escolhendo um ativo diferente.

Mark

E as famílias? Ele realmente acha que pessoas comuns vão colocar suas economias em bitcoin?

Mimi

Ele acha que vão ter que fazer isso, eventualmente. Quando as plataformas de pagamento tornarem bitcoin tão acessível quanto uma conta bancária, e quando os juros em moeda tradicional continuarem em zero, a escolha fica óbvia.

Mark

Qual é o maior risco da visão dele?

Mimi

Que ele está certo. Se bilhões de pessoas e empresas realmente converterem para bitcoin, a volatilidade inicial será catastrófica para quem entrar tarde. Mas para Saylor, isso é exatamente por que as pessoas precisam entrar agora.

  • A expansão monetária pós-pandemia corrói silenciosamente o valor dos caixas corporativos a um ritmo de 1% a 2% ao mês, criando uma urgência que a maioria dos CFOs ainda não nomeou.
  • Saylor transformou a MicroStrategy em um experimento público e irreversível: 71.079 bitcoins, US$ 1,145 bilhão investido, lucro superior a US$ 2 bilhões — e a promessa de nunca vender.
  • A perturbação se espalha: Tesla aporta US$ 1,5 bilhão, Square amplia posição, e Saylor dirige seu argumento diretamente às empresas listadas no Ibovespa, tornando a questão local.
  • A trajetória aponta para uma reconfiguração do balanço corporativo global — não como tendência especulativa, mas como resposta racional a um sistema monetário que, segundo Saylor, já está em colapso silencioso.

Em um momento em que os bancos centrais do mundo expandem suas bases monetárias em ritmo sem precedentes, Michael Saylor, CEO da MicroStrategy, tomou uma decisão que desafia décadas de ortodoxia financeira corporativa: converter integralmente o caixa de sua empresa em bitcoin. Formado em aeronáutica pelo MIT e convertido tardio à criptomoeda, Saylor não fala como especulador, mas como alguém que acredita ter enxergado uma falha estrutural no próprio conceito de dinheiro. Sua tese — de que moedas fiduciárias são reservatórios com vazamento e o bitcoin é o único ativo com escassez matematicamente garantida — começa a encontrar eco em empresas como Tesla e Square, sugerindo que o que parecia excentricidade pode estar se tornando estratégia.

Michael Saylor chegou ao bitcoin em março de 2020, quando a pandemia já acelerava as impressoras dos bancos centrais. Engenheiro formado pelo MIT, ele estudou a matemática da blockchain e concluiu que as moedas tradicionais estavam em colapso silencioso. Em agosto daquele ano, convenceu o conselho da MicroStrategy a fazer algo inédito: converter o caixa da empresa em bitcoin.

Os números cresceram com cada nova aquisição. Hoje a MicroStrategy acumula 71.079 unidades a um custo médio de US$ 16,1 mil, com lucro superior a US$ 2 bilhões. A ação saiu de US$ 120 para US$ 817. Nenhum acionista relevante abandonou o barco — quando Saylor ofereceu recomprar papéis, o mercado empurrou o preço para cima antes mesmo do prazo.

Sua argumentação é direta: o dólar perde entre 1% e 2% ao mês pela expansão monetária. Governos imprimem trilhões da noite para o dia. As bolsas batem recordes não porque as empresas vão bem, mas porque a moeda que as mede está se desvalorizando. O ouro tem vazamento — pode-se minerar mais. O bitcoin não: serão 21 milhões de unidades, e a matemática não mente.

Saylor promete nunca vender. E sua recomendação vai além da própria empresa — abrange Tesla, Square e todas as companhias do mundo, incluindo as listadas no Ibovespa. Nos próximos anos, prevê, veremos mais e mais balanços corporativos convertidos à criptomoeda.

Mas ele enxerga no bitcoin também uma ferramenta para famílias. Com as novas interações entre plataformas de pagamento e blockchain, um poupador poderia usar seus bitcoins como lastro para crédito, sem precisar liquidá-los, enquanto continua acumulando valor. A alternativa — deixar dinheiro em poupança tradicional perdendo 20% em uma década — é, para Saylor, simplesmente inaceitável.

Michael Saylor chegou ao bitcoin tarde. Muito tarde, na verdade. O CEO da MicroStrategy, homem de 56 anos formado em aeronáutica pelo MIT, só começou a estudar seriamente a criptomoeda em março de 2020, quando a pandemia já acelerava as impressoras monetárias dos bancos centrais do mundo. Mas quando finalmente entendeu o que estava acontecendo — quando viu a matemática por trás da blockchain e compreendeu que as moedas tradicionais estavam entrando em colapso silencioso — ele não hesitou. Em agosto daquele ano, enquanto a economia ainda cambaleava, Saylor convenceu o conselho da MicroStrategy a fazer algo que ninguém havia feito antes: uma empresa listada na Nasdaq converteria seu caixa em bitcoin.

Os números cresceram rapidamente. Começou com US$ 250 milhões. Depois vieram mais aquisições, cada uma precedida por ofertas de recompra de ações para acalmar acionistas assustados. Hoje, a MicroStrategy acumula US$ 1,145 bilhão em bitcoin — 71.079 unidades adquiridas a um preço médio de US$ 16,1 mil. O lucro da operação já ultrapassa US$ 2 bilhões. A ação da empresa, que custava US$ 120 quando tudo começou, agora é negociada a US$ 817. Nenhum acionista relevante saiu. Na verdade, quando Saylor ofereceu recomprar ações entre US$ 122 e US$ 140, o mercado acreditava tanto na ideia que empurrou o preço acima de US$ 140 antes mesmo do prazo terminar.

Mas Saylor não é um evangelista silencioso. Ele fala, e fala com a convicção de quem viu a realidade por trás do véu. Sua argumentação é simples e perturbadora: o dinheiro tradicional tem um vazamento. A piscina esvazia, o avião explode, o navio afunda. O dólar perde entre 1% e 2% ao mês — esse é o ritmo atual da expansão monetária. Os governos imprimem trilhões da noite para o dia. Isso não é economia, é roubo de energia dos ativos reais. As ações estão atreladas ao dólar. Os títulos públicos não rendem o suficiente. O custo de capital na última década foi de 5% ao ano; até 2030, espera-se entre 10% e 15%. Qualquer coisa em tesouraria precisa render mais que isso para gerar valor ao acionista, e isso é impossível com dívida privada ou títulos públicos.

Por isso os mercados estão em recordes, ele explica. Nasdaq, Dow Jones, S&P — todos batendo máximas. Mas não é porque as empresas estão arrasando. É porque a moeda usada por elas está entrando em colapso. Você pode ler os picos como sucesso corporativo, ou pode ler como inflação acelerada. Sua cesta de ativos está inflacionando mais rápido que seu salário. O ouro, historicamente a reserva de valor, também tem vazamentos — pode-se minerar mais. Mas o bitcoin não. Serão 21 milhões de unidades. Acabou. A matemática não mente. Dois mais dois são sempre quatro. O universo é baseado em conservação. O bitcoin também não tem vazamento.

Saylor promete nunca vender os bitcoins da MicroStrategy. Pode guardá-los por cem anos, por mil anos. E sua recomendação vai além da MicroStrategy. Vai além da Tesla, que anunciou US$ 1,5 bilhão em bitcoin em fevereiro. Vai além da Square, que ampliou sua posição. Sua recomendação é para todas as empresas do mundo, inclusive as listadas no Ibovespa. Nos próximos anos, ele prevê, veremos mais e mais companhias convertendo seus balanços para bitcoin. Há uma força gravitacional atraindo não só o dinheiro dos grandes players, mas também suas estruturas — tecnológicas, jurídicas, tudo.

Mas Saylor vê no bitcoin mais do que um ativo corporativo. Vê uma ferramenta de poupança para as famílias. Quando as plataformas de pagamento como PayPal e Square lançarem novas interações com blockchain, um usuário com bitcoins poderá ter uma conta-poupança rendendo 100% ao ano, livre de impostos. A alternativa é deixar o dinheiro em uma poupança tradicional, que nos EUA rende 0% e, em dez anos, terá perdido 20% do valor. Ou ainda melhor: usar os bitcoins como lastro em operações de crédito, tomar emprestado contra eles sem precisar liquidá-los em moedas fiduciárias, e continuar ganhando enquanto paga as contas do dia a dia.

Para Saylor, tudo isso — o bitcoin, a blockchain, as novas interações com o sistema financeiro tradicional — pode ajudar a realizar as aspirações de 7,8 bilhões de pessoas no planeta. A estrada para a prosperidade está ficando cada vez mais longa quando se dirige usando dinheiro tradicional. A pergunta que importa é simples: daqui a uma década, você quer ter perdido quase tudo o que guardou, ou quer ter dobrado sua poupança? Para ele, a resposta é tão óbvia que nem sequer é engraçado.

Podemos guardá-los por cem anos. Podemos guardá-los por mil anos! Porque depois que acabarem, quem quiser entrar terá de comprar dentro da própria rede.
— Michael Saylor, CEO da MicroStrategy
A estrada para a prosperidade está ficando cada vez mais longa quando se dirige usando dinheiro. Daqui a uma década, quero ter perdido quase tudo o que guardei, ou quero ter dobrado minha poupança?
— Michael Saylor
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