No coração de uma Europa que ainda carrega a memória de Chernobyl, a maior central nuclear do continente voltou a ser palco de ataques com drones entre 25 e 26 de agosto, com a AIEA a confirmar três incidentes que feriram dois funcionários e atingiram infraestruturas críticas de Zaporíjia. Nenhuma fuga radioativa foi registada, mas a instalação opera há dias apenas com geradores de emergência, suspensa entre a guerra e o abismo de um acidente que ninguém pode prever. A comunidade internacional observa, alerta e apela — enquanto a responsabilidade pelos ataques permanece disputada entre Moscovo
Central nuclear de Zaporíjia sofre três ataques com drones em dias consecutivos
Qualquer ataque contra centrais nucleares é inaceitável
Porque é que a AIEA não identificou quem estava por trás destes ataques? Parece uma informação crucial.
A AIEA é uma agência de supervisão técnica, não de investigação criminal. Quando há conflito armado, determinar a autoria é complexo — os drones podem vir de várias direções, e ambas as partes têm capacidade e incentivo para atacar. A agência prefere manter-se neutra e focar-se no que pode verificar: os danos e os níveis de radiação.
Mas isso deixa uma lacuna importante. Sabemos que houve três ataques, sabemos onde atingiram, mas não sabemos quem os fez. Isso muda completamente como interpretamos o risco — um padrão de ataques deliberados é diferente de fogo cruzado acidental.
E quanto aos geradores de emergência? Quanto tempo conseguem manter a central segura?
A fonte não especifica. Sabemos que desde 20 de agosto a central depende deles, mas não há informação sobre a sua capacidade ou duração. É um detalhe crítico que está em falta.
Exatamente. Podemos dizer que há um risco, mas sem saber quanto tempo os geradores duram ou qual é o plano de contingência, estamos a trabalhar com informação incompleta.
Os dois funcionários feridos — qual era a sua função? Estavam numa zona de risco elevado?
A fonte só diz que foram feridos no ataque ao tanque de refrigeração. Não há detalhes sobre quem são, o que fazem, ou a gravidade dos ferimentos.
Isso é importante porque muda a narrativa. Se eram técnicos críticos, a perda deles teria implicações operacionais. Se eram pessoal de segurança ou administrativo, o impacto é diferente. Mas não sabemos.
A AIEA diz que os níveis de radiação estão normais. Isso significa que estamos seguros?
Significa que neste momento, após estes três ataques específicos, não houve libertação de radiação. Mas a preocupação da AIEA é clara: o risco permanente existe porque a infraestrutura é vulnerável.
E há um detalhe que merecia mais atenção: a central já tinha perdido energia externa antes, e agora perdeu-a novamente. Isto não é um incidente isolado — é um padrão. Vinte e sete incidentes desde a ocupação russa, quinze só este ano. Isso sugere que o sistema está sob pressão constante.
The Pulse
- Três drones atingiram pontos vitais da central entre 25 e 26 de agosto — o tanque de refrigeração, o armazenamento de combustível nuclear usado e o sistema de pulverização das unidades de energia.
- Dois funcionários foram feridos no primeiro ataque, tornando o risco nuclear numa realidade imediata para quem trabalha no local, e não apenas numa ameaça abstrata.
- Desde 20 de agosto, a central perdeu a última linha de abastecimento elétrico externo e depende inteiramente de geradores de emergência para manter os sistemas de refrigeração ativos.
- A AIEA confirma níveis normais de radiação, mas o diretor-geral Rafael Grossi reiterou que qualquer ataque a instalações nucleares é inaceitável e apelou à máxima contenção militar.
- Moscovo e Kiev continuam a trocar acusações mútuas sobre quem coloca em risco a segurança da instalação, sem que essa dinâmica resolva a vulnerabilidade estrutural da central enquanto o conflito durar.
No coração de uma Europa que ainda carrega a memória de Chernobyl, a maior central nuclear do continente voltou a ser palco de ataques com drones entre 25 e 26 de agosto, com a AIEA a confirmar três incidentes que feriram dois funcionários e atingiram infraestruturas críticas de Zaporíjia. Nenhuma fuga radioativa foi registada, mas a instalação opera há dias apenas com geradores de emergência, suspensa entre a guerra e o abismo de um acidente que ninguém pode prever. A comunidade internacional observa, alerta e apela — enquanto a responsabilidade pelos ataques permanece disputada entre Moscovo e Kiev.
A Agência Internacional de Energia Atómica confirmou três ataques com drones contra a central nuclear de Zaporíjia entre 25 e 26 de agosto, num novo capítulo de uma série de incidentes que ameaçam a maior instalação nuclear da Europa. O primeiro ataque visou o tanque de refrigeração e feriu dois funcionários; o segundo atingiu a zona de armazenamento de combustível nuclear usado; o terceiro colidiu com o sistema de pulverização das unidades de energia. Apesar da gravidade dos alvos, a AIEA assegurou que os níveis de radiação se mantêm normais e não foram registadas fugas.
A central, com seis reatores em paragem técnica sob controlo russo desde fevereiro de 2022, não produz eletricidade, mas continua a exigir fornecimento energético constante para refrigerar o núcleo e o combustível usado, que ainda gera calor residual. Esta dependência tornou-se ainda mais precária a 20 de agosto, quando a instalação perdeu a última linha de abastecimento elétrico externo — o 27.º incidente deste género desde o início da ocupação — passando a funcionar exclusivamente com geradores de emergência.
O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, não atribuiu responsabilidade pelos ataques a nenhuma das partes, mas foi inequívoco: atacar centrais nucleares é inaceitável. Moscovo e Kiev continuam a acusar-se mutuamente, numa troca de responsabilidades que não resolve a vulnerabilidade fundamental da instalação. A poucos quilómetros dali, a cidade de Energodar registou na semana anterior pelo menos uma morte e 15 feridos num ataque ucraniano — um lembrete de que a segurança nuclear e a segurança civil estão profundamente entrelaçadas nesta região em guerra.
A Agência Internacional de Energia Atómica reportou três ataques com drones contra a central nuclear de Zaporíjia no início desta semana, marcando mais um capítulo numa série crescente de incidentes que colocam em risco a maior instalação nuclear da Europa. Os ataques ocorreram entre 25 e 26 de agosto, atingindo pontos críticos da infraestrutura: o primeiro visou o tanque de refrigeração, ferindo dois funcionários; o segundo atingiu a zona de armazenamento a seco de combustível nuclear usado; o terceiro colidiu com o dispositivo de pulverização do sistema das unidades de energia. Apesar da gravidade dos alvos, a AIEA confirmou que os níveis de radiação no local se mantêm normais e não houve fugas de radioatividade registadas.
O que torna estes incidentes particularmente preocupante é o contexto em que ocorrem. A central de Zaporíjia, com seis reatores, encontra-se sob controlo das forças russas desde as primeiras semanas da invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022. Embora os reatores estejam em paragem técnica e a instalação não produza eletricidade, continua a necessitar de um fornecimento elétrico constante para manter os sistemas de refrigeração do núcleo e do combustível nuclear usado, que ainda gera calor residual. Esta dependência crítica de energia externa transforma qualquer ataque numa potencial ameaça de consequências imprevisíveis.
A situação agravou-se significativamente no dia 20 de agosto, quando a central perdeu a última linha de abastecimento elétrico externo. Desde essa data, a instalação depende inteiramente de geradores de emergência para manter as operações essenciais. Este incidente marcou o 27.º do género desde o início da ocupação russa, de acordo com a operadora estatal Energoatom. Só este ano, a central tinha registado 15 incidentes de perda de energia antes deste último.
A AIEA não atribuiu responsabilidade pelos ataques com drones a nenhuma das partes em conflito, mas o diretor-geral Rafael Grossi foi claro no seu comunicado: qualquer ataque contra centrais nucleares é inaceitável. Reiterou o apelo à máxima moderação militar, alertando para o risco de um acidente com consequências imprevisíveis. Moscovo e Kiev têm-se acusado mutuamente de pôr em risco a segurança da instalação, numa dinâmica de responsabilização cruzada que não resolve o problema fundamental: a central continua vulnerável enquanto o conflito prosseguir.
A zona envolvente da central também não está segura. Na semana anterior aos ataques com drones, um ataque ucraniano à cidade de Energodar, localizada perto da central, resultou em pelo menos uma morte e 15 feridos. Estes números ilustram como a segurança nuclear e a segurança civil estão entrelaçadas nesta região, e como qualquer escalada militar coloca em risco não apenas a instalação, mas também as populações próximas. Os dois funcionários feridos no ataque de 25 de agosto são um lembrete de que o risco não é apenas teórico ou futuro — é presente e tangível para quem trabalha naquela instalação.
Notable Quotes
Qualquer ataque contra centrais nucleares é inaceitável e existe risco de um acidente com consequências imprevisíveis— Rafael Grossi, diretor-geral da AIEA