Não compensa viajar tanto para ser feito de otário
Em um amistoso no Maracanã, a derrota do Bahia por 2 a 0 para o Fluminense tornou-se secundária diante de uma questão mais antiga e persistente no futebol brasileiro: a imparcialidade da arbitragem. Rogério Ceni, técnico do Bahia, denunciou publicamente a escalação de um árbitro carioca para um jogo disputado no Rio de Janeiro, sem VAR, sugerindo que a proximidade geográfica e institucional entre juiz e clube da casa pode comprometer a integridade das decisões. O episódio não é apenas uma reclamação pós-derrota — é um convite a refletir sobre os critérios que regem a escolha de árbitros e o peso que a confiança tem para a legitimidade do esporte.
- Ceni havia pedido antes do jogo que não fosse escalado um árbitro carioca — o pedido foi ignorado, e o técnico saiu da coletiva com a palavra 'otário' na boca.
- Três lances concentraram a indignação: um pênalti não marcado sobre Ademir, um gol baiano anulado por toque de mão e um pênalti concedido ao Fluminense que gerou protestos dos visitantes.
- Sem o VAR, todas as decisões ficaram inteiramente nas mãos do árbitro Jodis Nascimento de Souza — e Ceni acusou o juiz de apitar treinos no CT do Fluminense, sugerindo cumplicidade institucional.
- Hulk marcou seu primeiro gol pelo Fluminense convertendo o pênalti contestado, e Germán Cano fechou o placar aos 40 do segundo tempo, consolidando um resultado que Ceni considera ilegítimo.
- A reclamação ultrapassa o amistoso e coloca em xeque os critérios de escalação de árbitros no futebol brasileiro, especialmente em partidas sem tecnologia de videoarbitragem.
Rogério Ceni deixou o Maracanã com a paciência no limite. O Bahia havia perdido por 2 a 0 para o Fluminense em um amistoso preparatório para o retorno do Brasileirão, mas o que consumia o técnico não era o placar — era quem estava apitando.
Antes mesmo da partida, Ceni havia pedido à direção do clube que não escalassem um árbitro carioca para o duelo. O pedido foi ignorado. Jodis Nascimento de Souza, do Rio de Janeiro, foi designado para o jogo, e Ceni foi além da reclamação protocolar: acusou o árbitro de ser alguém que apita treinos no CT do Fluminense, insinuando uma proximidade que tornaria impossível qualquer aparência de imparcialidade.
Três lances concentraram a indignação do treinador. No primeiro tempo, o Bahia reclamou de pênalti não marcado sobre Ademir. Em seguida, um gol baiano foi anulado por toque de mão na origem da jogada. Na etapa final, o Fluminense recebeu um pênalti após falta sobre Samuel Xavier — lance que também gerou protestos. Tudo isso sem o auxílio do VAR, deixando cada decisão exclusivamente nas mãos do árbitro.
Hulk converteu o pênalti aos 22 minutos do segundo tempo, marcando seu primeiro gol com a camisa tricolor. Germán Cano fechou o placar aos 40, aproveitando assistência do próprio Samuel Xavier. O resultado foi límpido; a legitimidade, segundo Ceni, não.
'O jogo deixou de ser sério', afirmou o técnico, encerrando sua crítica com uma frase que sintetizava tudo: 'Um árbitro que se diz ser da CBF fazer isso aqui é uma vergonha.' A reclamação ressoa além do amistoso — e levanta perguntas sobre os critérios que definem quem apita, e se a proximidade com um dos times pode, silenciosamente, decidir o que acontece dentro de campo.
Rogério Ceni saiu da coletiva de imprensa com a paciência esgotada. O Bahia havia perdido por 2 a 0 para o Fluminense no Maracanã neste domingo, em um amistoso preparatório para o retorno do Campeonato Brasileiro, e o técnico não estava disposto a disfarçar sua frustração com as decisões que marcaram a partida. O que o incomodava não era apenas o resultado, mas a forma como chegou até ele — e quem estava apitando.
Antes mesmo do jogo, Ceni havia feito um pedido simples à direção do Bahia: que não escalassem um árbitro carioca para comandar o duelo. O pedido foi ignorado. Jodis Nascimento de Souza, do Rio de Janeiro, foi escolhido para apitar, e na visão do treinador, isso não foi coincidência. "A gente vem aqui para ser otário", disparou Ceni, usando a palavra que resumiria toda sua reclamação. Ele foi além: acusou o árbitro de ser alguém que apita treinos no CT do Fluminense, sugerindo uma proximidade problemática com o time da casa.
Os lances que geraram protesto foram três, e Ceni os detalhou com precisão. No primeiro tempo, o Bahia pediu pênalti sobre Ademir que não foi marcado. Pouco depois, um gol baiano foi anulado por um toque de mão na origem da jogada. Já na etapa final, o Fluminense recebeu um pênalti após falta sobre Samuel Xavier — uma decisão que também provocou reações dos visitantes. O jogo transcorreu sem o auxílio do VAR, o que deixou as decisões inteiramente nas mãos do árbitro.
Ceni não poupou críticas à lógica por trás da escalação. "Não compensa viajar tanto para ser feito de otário por um árbitro contratado para fazer o resultado acontecer", afirmou, sugerindo que havia uma intenção deliberada por trás das escolhas do juiz. Ele citou especificamente dois lances em que o árbitro havia marcado faltas que, segundo o técnico, não existiam — uma sobre William e outra sobre Nico. "No vídeo o William nem toca no jogador", reclamou.
No campo, os números refletiram o domínio do Fluminense. Hulk converteu o pênalti aos 22 minutos do segundo tempo, marcando seu primeiro gol com a camisa do time carioca. Germán Cano fechou o placar aos 40 minutos, aproveitando uma assistência de Samuel Xavier. Dois gols, nenhuma margem de dúvida quanto ao resultado final.
Mas para Ceni, o resultado era menos importante que a forma. Ele encerrou sua crítica com uma frase que sintetizava sua indignação: "O jogo deixou de ser sério. Sai todo mundo feliz do estádio: Fluminense ganhando, Hulk feliz, a gente prejudicado. Um árbitro que se diz ser da CBF fazer isso aqui é uma vergonha". A reclamação levanta uma questão que vai além deste amistoso — sobre como árbitros são escolhidos para partidas e se a proximidade com um dos times pode comprometer a imparcialidade das decisões.
Notable Quotes
A gente vem aqui para ser otário por um árbitro contratado para fazer o resultado acontecer— Rogério Ceni, técnico do Bahia
Um árbitro que se diz ser da CBF fazer isso aqui é uma vergonha— Rogério Ceni
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Ceni insistiu tanto na origem do árbitro? Não é comum um técnico reclamar do estado de um juiz antes do jogo começar.
Porque ele sabia. Quando você pede explicitamente que não escalem alguém de um lugar e eles escalam justamente de lá, você começa a desconfiar das intenções. Ceni estava sinalizando que havia uma escolha deliberada.
E quanto aos lances em si? Eram realmente errados, ou é frustração pós-derrota?
Havia três lances polêmicos. O pênalti não marcado sobre Ademir, o gol anulado por toque de mão, e o pênalti marcado para o Fluminense. Sem VAR, não há como revisar. Mas o que Ceni destacou foi a inconsistência — o árbitro marcava faltas que não existiam e deixava passar outras.
Ele mencionou que o árbitro apita treinos no CT do Fluminense. Isso é relevante?
Muito. Significa que há uma relação estabelecida, uma familiaridade. Quando você apita treinos de um time, você conhece os jogadores, as dinâmicas. Ceni estava sugerindo que essa proximidade criou um viés.
A ausência do VAR foi crucial aqui?
Completamente. Com VAR, pelo menos três decisões poderiam ter sido revisadas. Sem ele, o árbitro tem poder absoluto. E quando o árbitro tem poder absoluto e uma relação próxima com um dos times, o resultado é o que vimos.
Qual é o risco real dessa situação?
Que amistosos deixem de ser competições sérias e virem apenas ensaios para times da casa. Se você sabe que o árbitro vai favorecer o time local, por que viajar? Por que se expor?