CeMEAI encerra 13 anos de pesquisa com legado em matemática aplicada

Mostrar que aqui temos pessoas capazes de propor ideias
Reflexão do primeiro diretor sobre a necessidade de convencer a indústria a investir em pesquisa matemática.
Mark

Por que um centro de matemática pura precisava se aproximar tanto da indústria? Não era risco perder a liberdade de pesquisa?

Mimi

Na verdade, o CeMEAI partiu da ideia de que a melhor matemática surge quando você tem um problema real para resolver. Não era matemática aplicada de segunda categoria — era pesquisa de fronteira, mas com propósito.

Luke

Mas como você mede isso? Três mil e quatrocentos artigos em treze anos — isso é muito ou pouco comparado a centros similares?

Mimi

É um número significativo, mas você está certo em questionar. O que importa mais é que esses artigos vieram acompanhados de quarenta e cinco milhões em convênios com empresas. Não era só publicação.

Mark

E durante a pandemia — o Info Tracker realmente influenciou decisões de duas mil cidades?

Mimi

A plataforma tornou-se referência para a Rede Nacional de Consórcios Públicos de Municípios. Mas é justo dizer que o impacto exato é difícil de quantificar. O que sabemos é que foi usada.

Luke

E agora, como CEPIx? Isso é continuidade real ou é um rótulo novo para um centro que está de fato encerrando?

Mimi

É continuidade. O CEPIx foi criado especificamente pela USP para manter vivo o que funcionou. Mas é verdade que muda de escala, de financiamento, de estrutura.

Mark

O MBA em Ciência de Dados — quantas pessoas passaram por ele?

Mimi

A fonte não especifica números. Começou em 2020, então teve seis anos de operação. Mas o ponto era levar competências para fora da universidade.

Luke

E o cluster Euler? Continua operando?

Mimi

Sim. Ele atende oitocentos e trinta e nove pesquisadores agora. Esse é um ativo que permanece.

  • Após 13 anos de operação, o CeMEAI fechou suas portas como CEPID em julho de 2026, encerrando um dos mais ambiciosos experimentos brasileiros de matemática aplicada à indústria.
  • O centro atendeu mais de 50 empresas — da Petrobras à Embraer — e precisou construir do zero a confiança de um setor produtivo historicamente cético em relação à academia.
  • Na pandemia de COVID-19, seus modelos matemáticos ganharam escala nacional: o Info Tracker orientou mais de 2 mil municípios e o estudo 'Vidas Salvas' influenciou decisões de isolamento social.
  • O supercomputador Euler, inaugurado em 2015, tornou-se coluna vertebral da pesquisa, hoje conectando 839 pesquisadores e 44 instituições externas.
  • A transformação em CEPIx da USP garante que a estrutura, os talentos e a missão do centro sobrevivam ao fim do financiamento original da FAPESP.

Por treze anos, o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria ergueu uma ponte rara entre a abstração matemática e os problemas concretos da vida coletiva — da engenharia aeronáutica ao rastreamento de uma pandemia. Em julho de 2026, o CeMEAI encerrou seu ciclo como CEPID da FAPESP, deixando para trás 3.400 artigos, 45 milhões de reais em parcerias industriais e uma geração de pesquisadores formados na convicção de que o rigor científico pode e deve servir ao mundo. A instituição não desaparece, mas se reinventa como CEPIx da USP — um sinal de que legados verdadeiros não se encerram, apenas mudam de forma.

Em julho de 2026, o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria concluiu treze anos de atividades no ICMC-USP em São Carlos. Financiado pela FAPESP como Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão, o CeMEAI nasceu de uma premissa ambiciosa: transformar matemática de ponta em respostas para problemas reais da indústria e da sociedade. Seu primeiro diretor, José Alberto Cuminato, descreveu o desafio inicial como o de convencer empresas de que a academia tinha algo concreto a oferecer — e que valia investir nisso.

A estratégia mais visível foi o Workshop de Soluções Matemáticas para Problemas Industriais, criado em 2015 e que chegou à décima segunda edição em 2026. Mais de cinquenta empresas — Petrobras, Embraer, Caixa Econômica Federal, John Deere, entre outras — buscaram o centro ao longo desses anos. Para sustentar essa demanda, o CeMEAI inaugurou em 2015 o supercomputador Euler, que hoje conecta 839 pesquisadores e 44 instituições externas.

O momento de maior visibilidade pública veio com a pandemia de COVID-19. Pesquisadores do centro produziram modelos matemáticos que orientaram decisões governamentais, incluindo o estudo 'Vidas Salvas', sobre o impacto do isolamento social, e o Info Tracker, plataforma de monitoramento adotada por mais de 2 mil municípios brasileiros através da Rede Nacional de Consórcios Públicos.

Ao longo de sua existência, o CeMEAI publicou 3.400 artigos científicos, formou centenas de mestres, doutores e pós-doutores, e gerou 45 milhões de reais em convênios com a indústria. Em 2020, lançou também um MBA em Ciência de Dados, levando competências científicas para além da universidade.

O encerramento como CEPID não representa o fim. O centro foi convertido em CEPIx — programa da USP criado para garantir a continuidade de instituições que nasceram como CEPIDs da FAPESP. Depoimentos de pesquisadores e gestores foram gravados e disponibilizados publicamente, preservando a memória de como a matemática aprendeu, ao longo de treze anos, a falar a língua do mundo real.

Em julho de 2026, o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria encerrou treze anos de operações. Sediado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo em São Carlos, o CeMEAI funcionou como um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão financiado pela FAPESP, reunindo pesquisadores de diferentes instituições para transformar ferramentas matemáticas, estatísticas e computacionais em respostas para problemas reais da indústria, do setor público e da sociedade.

O centro construiu sua identidade sobre uma premissa simples mas ambiciosa: a matemática de ponta deveria servir a algo concreto. José Alberto Cuminato, professor titular do ICMC-USP e primeiro diretor do CeMEAI, descreveu em depoimentos gravados para documentar a trajetória do centro como essa proposta exigiu criar pontes entre o mundo acadêmico e o setor produtivo. "Mostrar para as indústrias que aqui nós temos um plantel de pessoas capazes de propor ideias, que compensa investir para desenvolvê-las, é muito importante", afirmou Cuminato ao refletir sobre os desafios iniciais de consolidar uma instituição com essa vocação híbrida.

Uma das estratégias mais bem-sucedidas foi o Workshop de Soluções Matemáticas para Problemas Industriais, criado em 2015 e que chegou à sua décima segunda edição em 2026. Ao longo desse período, mais de cinquenta empresas procuraram o centro — entre elas Petrobras, Caixa Econômica Federal, Porto Seguro, John Deere, Eletrobras e Embraer. Para atender a essas demandas crescentes, o CeMEAI precisou investir em infraestrutura. Em julho de 2015, foi inaugurado o cluster Euler, um supercomputador adquirido com apoio da FAPESP que ampliou significativamente a capacidade computacional disponível. Atualmente, o Euler atende oitocentos e trinta e nove pesquisadores, com quatorze unidades apoiadas na USP e quarenta e quatro instituições externas conectadas.

Essa capacidade computacional provou ser essencial quando a pandemia de COVID-19 chegou. Em 2020, enquanto o mundo ainda tentava compreender a velocidade de propagação do novo coronavírus, pesquisadores do CeMEAI começaram a produzir modelos matemáticos, projeções e cenários capazes de informar decisões públicas. Um dos trabalhos de maior repercussão foi o estudo intitulado "Vidas Salvas", que utilizou modelagem matemática para estimar quantas mortes poderiam ser evitadas através do isolamento social. Além disso, pesquisadores da USP e da Universidade Estadual Paulista, com apoio do CeMEAI, desenvolveram o Info Tracker, uma plataforma de monitoramento estatístico sobre o avanço da pandemia em São Paulo. A iniciativa ganhou dimensão nacional e tornou-se referência para a Rede Nacional de Consórcios Públicos de Municípios, que reunia mais de duas mil cidades brasileiras.

Ao longo de seus treze anos, o centro produziu conhecimento em diferentes áreas da matemática aplicada e computacional: otimização e pesquisa operacional, ciência de dados, estatística, inteligência computacional e mecânica dos fluidos computacional. Entre 2013 e 2025, foram publicados três mil e quatrocentos artigos científicos. Centenas de mestres, doutores e pós-doutores receberam formação no centro. Projetos desenvolvidos com a indústria resultaram em quarenta e cinco milhões de reais em convênios.

A formação de pessoas foi sempre uma dimensão central da missão do CeMEAI. Em 2020, o centro deu um passo adicional nessa direção ao iniciar um MBA em Ciência de Dados, levando para além dos muros da universidade competências cada vez mais necessárias ao setor produtivo, às organizações e à sociedade. Cuminato enfatizou em seu depoimento que essa dimensão educacional foi tão importante quanto a pesquisa propriamente dita.

O encerramento do CeMEAI como Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão não significa o fim das atividades. A instituição foi transformada em Centro de Pesquisa e Inovação Especiais (CEPIx), um programa da USP criado especificamente para garantir a continuidade das atividades de centros que foram inicialmente financiados como CEPIDs pela FAPESP. Depoimentos de pesquisadores e gestores que participaram dessa trajetória foram gravados e disponibilizados no YouTube, documentando como a matemática foi ganhando novas formas de aplicação e como os resultados ultrapassaram os limites dos laboratórios.

Mostrar para as indústrias que aqui nós temos um plantel de pessoas capazes de propor ideias, que compensa investir para desenvolvê-las, é muito importante
— José Alberto Cuminato, primeiro diretor do CeMEAI
Contáctanos FAQ