Em gavetas esquecidas ao redor do país, milhões de celulares quebrados aguardam um destino que poucos imaginam existir: um mercado ativo, nascido da escassez pandêmica, que transforma aparelhos destruídos em matéria-prima valiosa. O que parece lixo eletrônico carrega dentro de si componentes recuperáveis, metais reaproveitáveis e até a possibilidade de uma segunda vida útil — e isso tem preço, que vai de três reais como sucata a trezentos reais para modelos modernos ainda resgatáveis. Nesse ciclo silencioso entre o descarte e a recuperação, a reciclagem eletrônica emerge não apenas como negóci
Celular quebrado tem mercado: saiba quanto você pode receber
Até celular esquecido na gaveta tem comprador
Por que esse mercado de celulares quebrados cresceu justamente durante a pandemia?
As indústrias não conseguiam fabricar peças novas. Aí começaram a comprar aparelhos usados e danificados para reciclar e recuperar componentes. Era uma solução prática.
Mas isso continua acontecendo agora? Ou foi só um pico durante a pandemia?
Marcelo diz que ganhou força naquela época, mas a reportagem não deixa claro se o mercado mantém o mesmo volume hoje.
E como alguém sabe quanto seu celular quebrado vale?
Depende do estado. Se não liga de jeito nenhum, é sucata — três a dez reais. Se ainda reage quando conecta na tomada, pode valer vinte a quarenta reais. Modelos modernos recuperáveis chegam a trezentos.
Mas quem define isso? O comprador vê o telefone e decide?
Exatamente. Por isso os anúncios online não fixam preço. Tudo é avaliado na hora, considerando marca, modelo e possibilidade de conserto.
E o que acontece com as peças que não dá para recuperar?
Vão para reciclagem ou são desmontadas para aproveitar componentes em outros equipamentos. Tem compradores em Campo Grande e São Paulo.
A reportagem menciona quanto desse material é reaproveitado versus descartado?
Não. Ela foca no processo, mas não traz números sobre volume ou taxa de reaproveitamento.
E as baterias? Elas são perigosas, né?
Muito. Marcelo enfatiza que a bateria é altamente tóxica e pode contaminar a natureza. Por isso é importante que esses aparelhos não sejam descartados no lixo comum.
O Pulso
- Celulares quebrados acumulados em gavetas representam um passivo ambiental invisível — baterias altamente tóxicas que, descartadas no lixo comum, contaminam solo e água.
- A pandemia de covid-19 criou escassez global de componentes eletrônicos e forçou indústrias a olhar para dentro: aparelhos usados e danificados viraram fonte de peças.
- O valor de um celular quebrado oscila radicalmente conforme seu estado — de três reais pelo peso como sucata a trezentos reais se ainda houver placa recuperável, criando um mercado de avaliação presencial e negociação caso a caso.
- Recicladores como Marcelo Souza operam na fronteira entre o técnico e o ambiental: compram, triagem, revendem componentes para profissionais em Campo Grande e São Paulo, mantendo eletrônicos fora do descarte inadequado.
- Plataformas digitais como o Marketplace concentram anúncios de compra de aparelhos danificados, mas a complexidade da avaliação — modelo, marca, funcionamento, senha de acesso — revela que esse mercado ainda exige presença humana e confiança.
Em gavetas esquecidas ao redor do país, milhões de celulares quebrados aguardam um destino que poucos imaginam existir: um mercado ativo, nascido da escassez pandêmica, que transforma aparelhos destruídos em matéria-prima valiosa. O que parece lixo eletrônico carrega dentro de si componentes recuperáveis, metais reaproveitáveis e até a possibilidade de uma segunda vida útil — e isso tem preço, que vai de três reais como sucata a trezentos reais para modelos modernos ainda resgatáveis. Nesse ciclo silencioso entre o descarte e a recuperação, a reciclagem eletrônica emerge não apenas como negócio, mas como resposta ambiental a um problema que cresce junto com o consumo de tecnologia.
Aquele celular com a tela destruída guardado numa gaveta tem comprador. Dependendo do estado do aparelho, pode render de três a trezentos reais — uma variação que explica a proliferação de anúncios em redes sociais de pessoas dispostas a pagar por eletrônicos danificados.
O mercado é relativamente novo. Surgiu durante a pandemia de covid-19, quando indústrias enfrentaram escassez de peças e passaram a adotar a chamada logística reversa — comprando aparelhos usados para extrair componentes ou reciclar o material. Marcelo Souza, que trabalha com reciclagem de eletrônicos em Campo Grande, acompanhou esse movimento de perto e hoje opera nesse nicho que une oportunidade econômica e responsabilidade ambiental.
A classificação do aparelho define seu valor. Um celular completamente inoperante vira sucata eletrônica pura e é comprado pelo peso: entre vinte e trinta reais o quilo, o que na prática rende três a cinco reais por telefone. Se o comprador já estiver no bairro, o valor pode subir um pouco — o custo de deslocamento entra na conta. Já um aparelho que ainda reage à tomada muda de categoria: componentes podem ser recuperados, a placa pode ser restaurada, e o valor sobe para vinte, trinta ou quarenta reais em modelos antigos, podendo chegar a trezentos reais em modelos modernos com boas condições internas.
O reaproveitamento é o motor do negócio. Marcelo separa o que ainda pode ser usado e encaminha placas e componentes para técnicos especializados. Os anúncios online refletem essa complexidade — modelo, marca, estado de conservação e até a senha de acesso entram na negociação, um requisito que revela a necessidade de verificar a procedência dos aparelhos.
Quando não há mais salvação para o telefone, a destinação mais importante passa a ser ambiental. As baterias de lítio são altamente perigosas se descartadas na natureza, e a reciclagem adequada evita contaminação do solo e da água. Assim, até o aparelho mais destruído encontra um caminho — quanto menos aproveitável como celular, mais vale simplesmente como matéria-prima eletrônica.
Aquele celular quebrado que está guardado numa gaveta, com a tela destruída e sem dar qualquer sinal de vida, tem comprador. E dependendo do seu estado, pode render desde alguns poucos reais até trezentos reais — uma diferença que explica por que as redes sociais estão repletas de anúncios de pessoas dispostas a comprar aparelhos danificados.
Os valores praticados no mercado variam bastante. A reportagem apurou ofertas que vão de dez reais a trezentos reais, conforme o estado do equipamento. Nas plataformas de compra e venda online, os anunciantes exibem cards com fotos de telefones em péssimas condições, mas raramente fixam um preço único — tudo depende de uma avaliação presencial. Marcelo Souza, que trabalha com reciclagem de eletrônicos e possui uma empresa no ramo, explica que esse mercado é relativamente novo. Surgiu durante a pandemia de covid-19, quando as indústrias enfrentaram escassez de peças para fabricação. "Eles começaram a optar pelo que chamam de logística reversa. As indústrias começaram a comprar esses aparelhos para reciclar e, além disso, faz bem para o meio ambiente", comenta.
A classificação do aparelho determina seu valor. Um celular completamente inservível, que não dá qualquer sinal de funcionamento e não compensa consertar, passa a ser tratado como sucata eletrônica pura. Nesse caso, a compra é feita pelo peso — entre vinte e trinta reais o quilo. Na prática, um telefone com cem ou duzentos gramas rende apenas três a cinco reais. Marcelo observa que esse valor pode aumentar ligeiramente se o comprador já estiver no bairro e não precisar se deslocar especificamente para a coleta: "Vamos dizer que eu já estou no bairro, aí já dá para pagar uns dez reais, porque aquele custo que você teria de gasolina já não vai ter mais".
O cenário muda quando o aparelho ainda apresenta algum "sinal de vida". Um telefone com a tela quebrada, mas que reage ao ser conectado à tomada, pode ter componentes recuperados ou até voltar a funcionar após reparo. Modelos mais antigos nessa situação são negociados por vinte, trinta ou quarenta reais, enquanto aparelhos mais modernos valem mais, dependendo das condições. Marcelo explica o raciocínio: "Se é celular mais moderno, ele acaba tendo um valor melhor, porque às vezes o técnico consegue restaurar a placa, trocar algum componente e colocar esse celular de novo em uso". Mesmo quando a recuperação completa não é possível, componentes internos podem ser extraídos e aproveitados em outros equipamentos.
Esse reaproveitamento é o motor do mercado. Marcelo compra celulares quebrados de pessoas que pretendem descartá-los, separa o que ainda pode ser usado e encaminha placas e componentes para profissionais especializados em recuperação eletrônica. Há compradores tanto em Campo Grande quanto em São Paulo. Os anúncios online refletem essa complexidade: modelo, marca, estado de conservação, funcionamento e presença de acessórios entram na conta. Um dos anúncios encontrados no Marketplace, por exemplo, diferencia aparelhos que ainda dão sinal daqueles completamente inoperantes e exige a senha de acesso antes de fechar negócio — um requisito importante num mercado onde a procedência precisa ser verificada.
Quando não há mais salvação para o aparelho, a destinação muda. Em vez de tentar revendê-lo como telefone, as empresas aproveitam placas e componentes ou encaminham o material para reciclagem. Esse reaproveitamento ganhou força durante a pandemia, quando a dificuldade para encontrar peças novas aumentou a procura por componentes recuperados de equipamentos usados. Para Marcelo, além da possibilidade econômica, a atividade evita que eletrônicos sejam descartados no lixo comum. A preocupação é especialmente importante com as baterias: "Não vai ser descartado na natureza, sendo que o celular tem alto poder de destruição na natureza por conta da bateria, que é altamente perigosa por conta da contaminação". Assim, até aquele aparelho esquecido há anos numa gaveta pode encontrar comprador — a diferença é que quanto menos aproveitável estiver, menos vale como celular e mais passa a valer simplesmente como sucata eletrônica.
Citações Notáveis
As indústrias começaram a comprar esses aparelhos para reciclar e, além disso, faz bem para o meio ambiente— Marcelo Souza, reciclador de eletrônicos
O celular tem alto poder de destruição na natureza por conta da bateria, que é altamente perigosa por conta da contaminação— Marcelo Souza