Celina e Grass divergem sobre crise do BRB; veja planos para transporte e assistência

Todo recurso para salvar o banco reduz a margem para escolas e transporte
Crítica de Grass à estratégia de Celina de buscar empréstimo de R$ 6,6 bilhões para o BRB.
Mark

Por que Grass coloca tanta ênfase na auditoria do BRB? Não é só um banco?

Mimi

Não é só um banco. O BRB perdeu bilhões em operações com o Banco Master. Para Grass, isso não é um detalhe técnico — é um sinal de que algo falhou na governança. Uma auditoria pública em 90 dias seria o primeiro passo para entender o que aconteceu e como evitar que aconteça de novo.

Luke

Mas a auditoria já não foi feita? Quem investigou as perdas até agora?

Mimi

Boa pergunta. O plano de Grass promete uma auditoria "completa e pública", o que sugere que as investigações anteriores foram incompletas ou não públicas. Mas o plano não detalha o que já foi investigado.

Mark

E Celina? Por que ela não menciona a crise?

Mimi

Celina está no governo. Mencionar a crise diretamente seria reconhecer um fracasso sob sua administração. Seu plano foca em soluções — mais crédito, plataformas melhores, microcrédito. É uma abordagem de "seguir em frente".

Luke

Mas ela está pedindo R$ 6,6 bilhões à União. Isso não é reconhecer a crise?

Mimi

Reconhecer que precisa de dinheiro é diferente de reconhecer publicamente que houve má gestão. E o governo federal já disse que não pode garantir esse empréstimo.

Mark

Então Celina está em um impasse?

Mimi

Parece que sim. Ela precisa de recursos que o governo federal não quer dar, e não quer falar sobre o problema no seu plano de governo.

Luke

Nos transportes, ambos prometem tarifa zero. Como vão pagar por isso?

Mimi

Nenhum dos planos detalha a fonte de financiamento. É uma promessa, mas sem o "como".

Mark

E na assistência social, qual é a diferença real?

Mimi

Celina quer priorizar mães solo em creches e modernizar o Centro POP. Grass quer recompor as equipes do SUAS por concurso — ou seja, contratar mais gente — e criar um cadastro único que integre todos os programas de renda.

Luke

Recompor por concurso custa dinheiro. Quanto? O plano diz?

Mimi

Não. É outra promessa sem orçamento anexado.

Mark

Então os dois planos têm lacunas?

Luke

Todos têm. Mas a diferença é que Grass está sendo mais explícito sobre o que precisa ser investigado e corrigido, enquanto Celina está sendo mais vaga sobre os problemas existentes.

  • Segundo turno entre Celina Leão e Leandro Grass para governador do DF
  • BRB enfrenta crise histórica com perdas bilionárias ligadas ao Banco Master
  • Celina articula empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com a União; governo federal não garante
  • Grass promete auditoria completa do BRB em 90 dias e renegociação do socorro
  • Ambos prometem tarifa zero e expansão do metrô, mas com prioridades diferentes

Ambos candidatos defendem BRB como patrimônio público, mas Grass coloca crise do banco no centro do debate e promete auditoria completa. Nos transportes, os planos convergem em tarifa zero e expansão do metrô, mas divergem em prioridades: Celina quer linha 2 para Gama e Anel Viário; Grass quer metrô na Asa Norte.

Celina Leão e Leandro Grass apresentam propostas divergentes para BRB, transporte e assistência social no segundo turno das eleições do Distrito Federal, com Grass enfatizando auditoria da crise bancária.

O segundo turno das eleições para governador do Distrito Federal coloca frente a frente Celina Leão e Leandro Grass em torno de três temas que definem o futuro da capital: a crise do Banco de Brasília, o transporte público e a assistência social. Os planos de governo de ambos, registrados no Tribunal Superior Eleitoral, revelam onde os candidatos convergem e, mais importante, onde divergem radicalmente em suas prioridades.

No Banco de Brasília, a maior instituição financeira pública do DF, os dois candidatos compartilham a defesa da instituição como patrimônio público e ferramenta de desenvolvimento econômico. Mas ali termina o acordo. Celina Leão não menciona diretamente a crise que assola o banco — a maior de sua história, provocada por operações com o extinto Banco Master que geraram perdas bilionárias. Seu plano propõe aprimorar plataformas digitais, ampliar microcrédito para pequenos empreendedores e fortalecer linhas de crédito para servidores públicos. Nos últimos meses, Celina tem articulado um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto à União para equacionar a situação, além de explorar tratativas com bancos árabes — nenhuma dessas negociações aparece em seu plano de governo. Leandro Grass, por sua vez, coloca a crise do BRB no centro do debate. Ele promete uma auditoria completa e pública do acordo BRB/Master em 90 dias, renegociar o socorro financeiro ao banco e reestruturar suas finanças. Grass argumenta que todo recurso desviado para salvar o banco reduz a margem disponível para universidades, escolas, transporte e obras — uma crítica direta à estratégia de Celina.

No transporte público, os candidatos encontram terreno comum em algumas frentes. Ambos prometem implantar tarifa zero, expandir o metrô e conectar Brasília a cidades do entorno por trilhos. Mas as prioridades divergem. Celina quer concluir a expansão da linha 1 do metrô com quatro novas estações em Samambaia e Ceilândia, implantar a linha 2 em direção ao Gama e construir um anel viário para descongestionar a EPIG e o centro de Brasília. Grass estabelece seis metas para 2030: tarifa zero progressiva, ônibus operando após as 22h, execução de uma rede de 395,9 quilômetros já planejada, redução à metade das mortes no trânsito, novos trens para o metrô e trânsito inteligente. Suas propostas incluem levar o metrô para a Asa Norte, fazer o destravamento do VLT da W3 e do Eixo Aeroporto, e integrar o transporte com cidades do entorno como Águas Lindas e Luziânia.

Na assistência social, novamente há sobreposição de intenções mas diferenças de método. Ambos prometem expandir a rede de acolhimento e alimentação e melhorar o atendimento ao cidadão. Celina propõe garantir prioridade para mães solo no acesso a vagas em creches, transformar o Centro POP em uma plataforma chamada Na Hora Social e expandir restaurantes comunitários. Grass estabelece três metas para 2030: ampliar a cobertura de CRAS em todas as regiões administrativas, recompor as equipes do SUAS através de concurso público e criar um Cadastro Social Único que integre os programas de transferência de renda. Ele também propõe uma política intersetorial para a primeira infância, com visitação domiciliar e apoio às famílias de zero a seis anos.

O contraste entre os candidatos reflete duas visões distintas de governança. Celina enfatiza modernização de plataformas, expansão de serviços e busca de recursos externos. Grass coloca ênfase em auditoria, transparência, eficiência administrativa e integração de políticas. Na questão do BRB, a diferença é particularmente aguda: enquanto Celina trata a crise como um problema técnico a ser resolvido com mais crédito, Grass a trata como um sintoma de gestão deficiente que exige investigação e renegociação. Os eleitores do Distrito Federal, no segundo turno, escolherão não apenas entre dois candidatos, mas entre duas abordagens fundamentalmente diferentes de como governar a capital.

Todo recurso mobilizado para equacionar perdas e obrigações do banco reduz a margem disponível para UBS, escolas, transporte, obras e demais prioridades
— Leandro Grass, sobre a estratégia de Celina para o BRB
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