A lógica agora é outra: a audiência paga vale mais que a tradição
Por décadas, o domingo à tarde foi o templo sagrado do futebol brasileiro — o momento em que o país parava diante da TV aberta para assistir aos grandes clássicos. Agora, a CBF divulgou uma tabela que transfere o confronto entre Flamengo e Corinthians para um sábado à noite, exclusivamente no SporTV, revelando que a lógica comercial da audiência paga passou a ditar o ritmo de uma tradição que parecia imutável. O Flamengo, como maior ativo do futebol nacional, tornou-se o instrumento dessa transformação silenciosa.
- A CBF anunciou a tabela de cinco rodadas do Brasileirão e confirmou que Flamengo x Corinthians sairá do histórico domingo às 16h na TV aberta para um sábado à noite às 21h no SporTV.
- A mudança não partiu da confederação, mas da Globo, que usa o Flamengo para consolidar uma nova faixa de programação no canal pago — e os números de audiência têm justificado a estratégia.
- O clássico carioca contra o Vasco, disputado num sábado à noite no SporTV, já rendeu mais de oito milhões de telespectadores, rivalizando com a audiência da TV aberta.
- O Flamengo enfrenta uma maratona de datas e horários nos próximos meses: jogos em quartas, quintas, sábados e domingos, em diferentes cidades e transmissoras.
- Antes dessa sequência, o time tem compromisso imediato nesta quarta-feira contra o Athletico-PR, às 21h30, em Cariacica, no Espírito Santo.
- A tradição cede espaço ao mercado: o sábado à noite tornou-se o novo domingo à tarde, e a audiência paga, o novo critério de prestígio no calendário do futebol brasileiro.
A CBF divulgou a tabela detalhada de cinco rodadas do Brasileirão e trouxe consigo uma ruptura com décadas de tradição: o clássico entre Flamengo e Corinthians, historicamente disputado aos domingos às 16h na TV aberta, foi transferido para um sábado à noite, às 21h, com transmissão exclusiva pelo SporTV.
A decisão não é da confederação, mas da Globo, detentora dos direitos de transmissão. A emissora tem utilizado o Flamengo para preencher uma nova faixa no canal por assinatura — um jogo por rodada aos sábados à noite. A estratégia tem se mostrado eficaz: quando o Mengão enfrentou Palmeiras, Atlético-MG e Botafogo nesse horário, os índices de audiência foram expressivos. O clássico contra o Vasco, num sábado à noite, rendeu mais de oito milhões de telespectadores ao SporTV.
Nos próximos meses, o Flamengo enfrentará uma sequência exigente: Bahia em casa no sábado 30 de setembro às 16h, Cruzeiro em Belo Horizonte numa quinta-feira às 19h, Corinthians no sábado 7 de outubro às 21h, Vasco no domingo 22 de outubro às 16h e Grêmio em Porto Alegre numa quarta-feira às 21h30. Antes disso tudo, o time enfrenta o Athletico-PR nesta quarta-feira, 13 de setembro, às 21h30, em Cariacica.
O que a tabela revela vai além dos horários: a audiência paga passou a valer mais do que a tradição. O Flamengo, como time de maior torcida do país, é o ativo central dessa equação. A CBF aprovou, a Globo decidiu, e o sábado à noite consolidou-se como o novo espaço nobre do futebol brasileiro.
A Confederação Brasileira de Futebol surpreendeu ao divulgar a tabela detalhada de cinco rodadas do Campeonato Brasileiro, e com ela veio uma mudança que quebra décadas de tradição. O clássico entre Flamengo e Corinthians, dois dos maiores times do país, sairá do seu horário histórico de domingo às 16h na TV aberta e será disputado num sábado à noite, às 21h, transmitido exclusivamente pelo SporTV, canal por assinatura da Globo.
Esta não é uma decisão da confederação, mas sim da emissora detentora dos direitos de transmissão do Brasileirão. A Globo tem explorado sistematicamente o Flamengo para preencher uma nova faixa de programação no SporTV: um jogo por rodada aos sábados à noite. A estratégia tem funcionado. Quando o Flamengo enfrentou Palmeiras, Atlético-MG e Botafogo neste horário, os números no Ibope foram expressivos. O clássico carioca contra o Vasco, disputado num sábado à noite, rendeu mais de oito milhões de telespectadores ao SporTV — um número que rivaliza com a audiência da TV aberta.
O Flamengo terá uma sequência exigente nos próximos meses. Além do confronto com o Corinthians no sábado 7 de outubro, o time enfrentará o Bahia em casa no sábado 30 de setembro às 16h. Depois virá uma quinta-feira contra o Cruzeiro em Belo Horizonte, no dia 19 de outubro às 19h. O clássico com o Vasco mantém o formato tradicional: domingo, 22 de outubro, às 16h. E antes disso tudo, o Flamengo ainda enfrenta o Grêmio numa quarta-feira, 25 de outubro, às 21h30, em Porto Alegre.
Antes de lidar com essa maratona de datas e horários, o Flamengo tem um compromisso imediato. Nesta quarta-feira, 13 de setembro, o time enfrenta o Athletico-PR às 21h30 no Estádio Kleber Andrade, em Cariacica, no Espírito Santo. É o que os produtores de televisão chamam de horário nobre — aquele em que a audiência é máxima.
A mudança no clássico com o Corinthians representa uma inflexão no calendário do futebol brasileiro. Por gerações, esses jogos aconteceram aos domingos à tarde, com transmissão aberta para todo o país. Agora, a lógica é outra: a audiência paga vale mais do que a tradição. O Flamengo, como time de maior torcida do país, é o ativo mais valioso nessa equação. A CBF aprovou; a Globo decidiu; e o sábado à noite se tornou o novo domingo à tarde.
Notable Quotes
A Globo tem explorado sistematicamente o Flamengo para preencher uma nova faixa de programação no SporTV— Análise da estratégia de transmissão
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a Globo escolheu especificamente o Flamengo para essa faixa de sábado à noite?
Porque o Flamengo traz audiência. Quando você coloca o Mengão na tela, as pessoas ligam a TV. O clássico carioca contra o Vasco rendeu mais de oito milhões de telespectadores — isso é número de TV aberta, mas num canal fechado. A Globo viu isso e pensou: por que não explorar isso sistematicamente?
Mas isso não prejudica os torcedores que historicamente assistem na TV aberta?
Prejudica, sim. Quem não tem assinatura do SporTV fica de fora. É uma mudança que favorece quem paga pela assinatura e deixa para trás quem depende da TV aberta. A tradição do domingo às 16h era democrática nesse sentido.
A CBF não poderia ter impedido isso?
Teoricamente poderia, mas a Globo tem os direitos de transmissão. A confederação aprova a tabela, mas quem decide o horário e o canal é quem paga pelos direitos. É o poder do dinheiro da televisão.
Qual é o impacto para o Flamengo em campo? Jogar num sábado à noite é diferente de domingo à tarde?
Muda tudo. O calor, a umidade, o ritmo do jogo, até a recuperação dos jogadores. Mas o Flamengo não tem escolha. Tem que se adaptar porque é assim que a televisão quer.
E essa sequência de jogos em dias diferentes — quinta, sábado, domingo, quarta — como o time lida com isso?
É desgastante. Não há padrão, não há ritmo. O corpo do jogador não consegue se recuperar direito. Mas novamente, é o calendário que a televisão impõe. O futebol virou refém da grade de programação.