CBDA regulariza situação e volta a ter acesso a recursos públicos federais

Superamos um passivo que por muito tempo limitou a CBDA
Diego Albuquerque, presidente da confederação, descreveu a regularização como uma conquista histórica que permitirá investimento maior nos esportos aquáticos.
Mark

Como exatamente a CBDA conseguiu sair dessa situação? O que mudou entre 2016 e agora?

Mimi

A confederação cumpriu as exigências da Lei Pelé — basicamente, regularizou sua documentação e conformidade com as regras federais. O Ministério dos Esportos reconheceu isso oficialmente, o que abriu as portas para os recursos.

Luke

Mas a gente não sabe os detalhes do que exatamente estava irregular. A nota fala em "inadimplências herdadas", mas não especifica quais eram ou quanto deviam.

Mark

E o Comitê Olímpico entrou com dinheiro?

Mimi

Sim, o COB ofereceu empréstimos de 10 a 12 milhões de reais para as confederações com problemas, incluindo a CBDA. Mas não é dinheiro solto — é gerenciado de forma que as confederações usem para se regularizar e depois consigam patrocínios para pagar de volta.

Luke

Aquele valor de 10 a 12 milhões é uma estimativa do La Porta de março. Não sabemos se a CBDA recebeu exatamente isso ou se a cifra mudou.

Mark

E os atletas? Como ficam?

Mimi

Teoricamente melhor. Com acesso a recursos, a confederação pode investir em treinamento, competições e desenvolvimento. Mas tudo depende de como esse dinheiro for usado.

Luke

Exato. A regularização abre a porta, mas não garante que o dinheiro chegue aos atletas ou que seja bem aplicado. É um passo necessário, não suficiente.

  • A CBDA vivia há quase uma década sob o peso de inadimplências herdadas, impedida de firmar convênios ou acessar qualquer canal de financiamento federal.
  • Investigações do MPF em 2016, com mandados de prisão contra ex-dirigentes por corrupção, deixaram uma cicatriz institucional que bloqueou o acesso da entidade a recursos mesmo após trocas de gestão.
  • O COB entrou em campo prometendo empréstimos de R$ 10 a 12 milhões para confederações em situação semelhante, gerenciando os recursos para evitar novos desvios e permitir a busca por patrocínios privados.
  • Com a regularização oficializada, a CBDA pode agora captar via Lei Rouanet, Loterias e convênios federais — abrindo uma nova fase para atletas que treinavam sem o suporte financeiro adequado.

Após anos de restrições herdadas de gestões marcadas por escândalos e inadimplências, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos reconquistou, em setembro de 2025, o direito de acessar recursos públicos federais. O Ministério dos Esportes reconheceu o cumprimento das exigências legais, devolvendo à entidade a possibilidade de financiar o desenvolvimento dos esportes aquáticos no país. O episódio ilustra como as consequências de decisões administrativas passadas recaem, por vezes durante anos, sobre atletas e instituições que não as originaram.

Na noite de 4 de setembro, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos anunciou ter regularizado sua situação junto ao governo federal. O Ministério dos Esportes reconheceu que a entidade cumpriu as exigências da Lei Pelé, habilitando-a novamente a receber recursos via Lei Rouanet, Loterias e convênios federais. O presidente Diego Albuquerque classificou o momento como histórico, destacando que a confederação havia superado um passivo que a limitava há muito tempo.

Os problemas tinham raízes profundas. Em 2016, uma ação do Ministério Público Federal por corrupção resultou em mandados de prisão contra o então presidente Coaracy Nunes e outros dirigentes. Mesmo com avanços documentais nos anos seguintes, a CBDA permaneceu bloqueada nos canais de financiamento público, prejudicando sobretudo os atletas dependentes desses recursos para treinar e competir.

Em março deste ano, o presidente do COB, Marco La Porta, anunciou que o comitê ofereceria empréstimos de R$ 10 a 12 milhões para confederações em dificuldade — entre elas as de basquete e handebol. Os recursos seriam gerenciados pelo próprio COB, permitindo que as entidades buscassem patrocínios privados para quitar as dívidas. La Porta fez questão de distinguir entre passivos herdados de gestões anteriores e problemas gerados pela administração atual, reforçando que os atletas não deveriam pagar o preço por decisões que não tomaram.

A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos anunciou na noite de 4 de setembro que havia finalmente conseguido regularizar sua situação junto ao governo federal, abrindo caminho para que a entidade voltasse a receber recursos públicos. O Ministério dos Esportes reconheceu que a CBDA cumpriu as exigências previstas nos artigos 18 e 18-A da Lei Pelé, a legislação que estabelece as condições para que confederações sem fins lucrativos integradas ao Sistema Nacional do Desporto possam acessar isenções fiscais e repasses de dinheiro público.

Com a regularização, a confederação agora pode receber financiamento através de mecanismos como a Lei Rouanet, recursos das Loterias e convênios federais diretos e indiretos. A gestão atual da entidade atribuiu os atrasos anteriores a inadimplências deixadas por administrações passadas, que haviam impedido a CBDA de firmar novos convênios e acessar esses canais de financiamento. Diego Albuquerque, presidente da confederação, descreveu o momento como um marco histórico, afirmando que a entidade havia superado um passivo que a limitava há muito tempo e que agora poderia investir com mais força no desenvolvimento dos esportos aquáticos em todo o Brasil.

Os problemas da confederação vinham de longe. Em 2016, a CBDA havia sido alvo de uma ação do Ministério Público Federal focada em corrupção, que resultou em mandados de prisão contra o ex-presidente Coaracy Nunes e outros três dirigentes. Embora a entidade tivesse conseguido regularizar alguns documentos nos anos seguintes, continuava enfrentando obstáculos para acessar recursos federais, criando uma situação que prejudicava não apenas a administração, mas especialmente os atletas que dependiam do financiamento para treinar e competir.

Em março deste ano, Marco La Porta, presidente do Comitê Olímpico do Brasil, havia indicado que o comitê ajudaria as confederações em dificuldades financeiras. Na ocasião, além da CBDA, foram mencionadas as confederações de basquete e handebol, além de outras entidades pan-americanas como as de caratê e beisebol. La Porta havia prometido que as três confederações principais teriam suas situações resolvidas até o final de abril, com o COB oferecendo empréstimos que girariam em torno de 10 a 12 milhões de reais para cobrir as dívidas herdadas de gestões anteriores. O dinheiro não seria entregue diretamente, mas gerenciado de forma a permitir que as confederações pudessem buscar patrocínios e investimentos privados para, eventualmente, quitar os empréstimos.

La Porta havia deixado claro que a estratégia do comitê era diferenciar entre as dívidas antigas, herdadas de administrações passadas, e as responsabilidades atuais. Segundo ele, as confederações que recebessem ajuda do COB eram aquelas que haviam herdado passivos, não aquelas com problemas financeiros gerados pela gestão atual. Essa distinção era importante porque, conforme apontou, os atletas eram frequentemente os maiores prejudicados pelas dificuldades administrativas e financeiras das confederações, apesar de não terem responsabilidade sobre as decisões que geraram as dívidas.

Essa é uma conquista histórica. Superamos um passivo que por muito tempo limitou a CBDA. Agora, temos condições de investir com mais força no crescimento dos esportos aquáticos
— Diego Albuquerque, presidente da CBDA
São dívidas de gestões anteriores, não são atuais. Estamos pegando as confederações que herdaram passivo. A culpa não é da administração atual, nem do atleta, que acaba sendo o maior prejudicado
— Marco La Porta, presidente do Comitê Olímpico do Brasil
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