Depois de quinze anos resguardada do olhar do público, a Caverna Desmoronada voltou a abrir suas galerias no Petar, o Parque Estadual Alto do Ribeira, em São Paulo. A reabertura lembra que a aventura e a preservação nem sempre caminham em lados opostos: para receber visitantes, foi preciso que mais de cem especialistas aprendessem, antes de tudo, a ouvir a pedra, a água e os pequenos seres que habitam a escuridão. Agora, quem quiser entrar precisa aceitar um ritmo mais lento, com reserva antecipada, grupos reduzidos e guias que conhecem cada passo do caminho.
Caverna Desmoronada reabre após 15 anos no Petar, com visitação restrita a monitores credenciados
Uma caverna não é um túnel reto na montanha, mas um ecossistema complexo
Por que a reabertura da Desmoronada chama tanta atenção?
Porque ficou 15 anos fechada e é uma das cavernas mais desafiadoras do Petar. Reabriu em outubro, depois de um plano de manejo com mais de 100 profissionais.
O que foi preciso avaliar além da segurança dos visitantes?
A rocha calcária, o risco de queda de blocos, a fragilidade das formações e a fauna, inclusive os troglóbios, que podem desaparecer com luz artificial.
Mas a reportagem diz que esses animais "podem" sofrer. Há alguma medição do impacto?
Não há. O texto explica o risco em termos gerais e não traz dados de monitoramento da fauna dessa caverna.
Como funciona a visita na prática?
Reserva antecipada, monitor credenciado e grupos de até 7 pessoas. São cerca de 10 km de trilha, 900 metros subterrâneos e oito horas no total.
E os preços? Dá para tratar como tabela oficial?
Não. Só o ingresso de R$ 19 é fixo. Os R$ 180 das agências e os R$ 150 ou R$ 500 dos monitores são valores médios ou habituais, negociados diretamente.
E sobre segurança, o que está confirmado?
Que os monitores têm curso de primeiros socorros e autonomia para interromper o passeio. Não há números sobre acidentes ou resgates.
Então o que fica em aberto?
Como o limite de 7 pessoas e a proteção da fauna vão se sustentar com a demanda.
Le Pouls
- A caverna, uma das mais desafiadoras do Petar, ficou fechada por quinze anos e agora volta a receber gente sob regras rígidas.
- Paredes calcárias, risco de queda de blocos e cursos de água gelada exigiram um plano de manejo espeleológico com mais de cem profissionais.
- Grupos de no máximo sete pessoas, reserva antecipada e monitor credenciado tornam a visita possível, mas restrita.
- Os preços seguem em negociação direta com os monitores, enquanto a proteção dos troglóbios continua sendo a condição para que a visitação se mantenha.
Depois de quinze anos resguardada do olhar do público, a Caverna Desmoronada voltou a abrir suas galerias no Petar, o Parque Estadual Alto do Ribeira, em São Paulo. A reabertura lembra que a aventura e a preservação nem sempre caminham em lados opostos: para receber visitantes, foi preciso que mais de cem especialistas aprendessem, antes de tudo, a ouvir a pedra, a água e os pequenos seres que habitam a escuridão. Agora, quem quiser entrar precisa aceitar um ritmo mais lento, com reserva antecipada, grupos reduzidos e guias que conhecem cada passo do caminho.
Por quinze anos, a Caverna Desmoronada existiu para quem a conhecia apenas de relatos e fotografias. Neste outubro, ela voltou a receber visitantes, no coração do Petar, em São Paulo.
Até chegar a esse momento, foi preciso um trabalho silencioso e minucioso. Rodrigo Aguiar, gestor da Área de Proteção Ambiental dos Quilombos, da Fundação Florestal, coordenou mais de cem profissionais, entre geólogos, geógrafos, arqueólogos e turismólogos. Juntos, avaliaram paredes verticais, o risco de desabamentos, a fragilidade das formações e a vida dos troglóbios, criaturas quase transparentes que podem desaparecer diante da luz artificial.
A caverna é uma das mais exigentes do parque, com cerca de 900 metros internos e uma trilha de 10 quilômetros que leva até oito horas, ida e volta. Há cordas nos trechos mais íngremes e um percurso rigidamente definido. Aguiar faz um alerta claro: não é uma aventura para iniciantes, e cabe ao guia decidir quando um passeio precisa ser interrompido.
Para entrar, é preciso reservar com antecedência e seguir com um dos 70 monitores habilitados para esse roteiro, em grupos de até sete pessoas. Os preços variam: o ingresso do Petar custa R$ 19, e o restante é negociado com os monitores e agências, que costumam cobrar em torno de R$ 150 a R$ 180 por pessoa. Apiaí oferece hospedagem, e o Camping dos Caboclos, a 12 quilômetros, serve de apoio para quem quer ficar mais perto.
Durante 15 anos, a Caverna Desmoronada foi um destino admirado de longe por quem curte turismo de aventura. Neste mês de outubro, ela voltou a receber visitantes. A caverna fica no Petar, o Parque Estadual Alto do Ribeira, em São Paulo.
O caminho até a reabertura foi longo. Segundo Rodrigo Aguiar, gestor da Área de Proteção Ambiental dos Quilombos, da Fundação Florestal, mais de 100 profissionais participaram dos trabalhos. Entre eles havia geólogos, geógrafos, arqueólogos e turismólogos, todos dedicados ao plano de manejo espeleológico da caverna.
A complexidade do trabalho tem uma razão. Uma caverna não é um túnel reto na montanha, mas um ecossistema com paredes verticais altas e cursos de água gelada. Para liberar a visitação, é preciso avaliar a condição das paredes de rocha calcária, o risco de queda de blocos, a fragilidade das formações e as características da fauna. Isso inclui os troglóbios, seres pequenos, em geral transparentes, adaptados à escuridão subterrânea, que podem sofrer e até desaparecer com a chegada de luz artificial.
O nome vem dos grandes blocos de rocha que parecem ter desabado em algum momento. A Desmoronada é uma das cavernas mais desafiadoras do Petar, que reúne 318, das quais 14 são abertas ao público. O percurso soma cerca de 10 quilômetros de trilha e aproximadamente 900 metros dentro da caverna, com duração média de oito horas entre ida e volta. O trajeto é rigidamente definido, e foram instaladas cordas nos trechos mais íngremes. Aguiar alerta que não é uma trilha para iniciantes.
A visita só é possível com reserva antecipada e acompanhamento de um monitor ambiental autônomo credenciado. Dos cerca de 250 monitores cadastrados no parque, 70 já foram habilitados para esse roteiro. Os grupos podem ter no máximo 7 pessoas, contando o guia.
A Fundação Florestal não tem tabela própria de preços, exceto o ingresso do Petar, que custa R$ 19. O restante é negociado direto com os monitores. As agências que atendem a região cobram em média R$ 180 por pessoa, com seguro e estrutura de apoio. Os monitores costumam pedir cerca de R$ 150 por pessoa ou uma diária de aproximadamente R$ 500 por grupo. Em geral, os valores incluem deslocamento, capacete e lanterna.
Há várias opções de hospedagem em Apiaí, a cidade mais próxima do parque. O visitante também pode acampar perto da caverna ou no Camping dos Caboclos, mais estruturado, a 12 quilômetros dali.
A segurança é um dos principais temas do gestor. Como não é viável proibir a entrada de quem não tem experiência ou preparo físico, cabe aos guias avaliar até onde cada visitante realmente pode ir. Segundo Aguiar, o guia tem autonomia para interromper o passeio se identificar risco ao grupo. Todos os monitores treinados precisam ter curso de primeiros socorros atualizado, para tratar problemas menores, como torções e ferimentos, e para acionar o resgate quando necessário.
Citations marquantes
O guia tem autonomia para interromper o passeio se identificar risco para o grupo.— Rodrigo Aguiar, gestor da APA dos Quilombos, Fundação Florestal