Castro e Freixo lideram disputa pelo governo do Rio, aponta Datafolha

Castro avançou cinco pontos enquanto Freixo permanece estável
Movimento recente na disputa pelo governo do Rio mostra dinâmicas distintas entre os dois líderes.
Mark

Como assim empate técnico? Castro subiu cinco pontos e Freixo ficou igual. Isso não é movimento?

Mimi

É movimento, sim, mas a margem de erro de três pontos percentuais significa que essa diferença de cinco pontos fica no limite do que a pesquisa consegue medir com confiança. Tecnicamente, eles continuam estatisticamente empatados.

Luke

Mas é importante notar que Castro avançou enquanto Freixo estagnou. Mesmo dentro da margem de erro, há uma direção clara nos números.

Mark

E Garotinho? Ele aparece com 7%, mas parece que não pode nem concorrer.

Mimi

Exatamente. Sua elegibilidade depende de uma decisão do STF sobre provas de uma condenação anterior. Se o tribunal validar as provas, a Lei da Ficha Limpa o tira da disputa.

Luke

E mesmo que consiga se viabilizar legalmente, ele ainda precisa resolver problemas dentro de sua própria sigla. Alguns aliados dele querem apoiar Castro em vez de lançá-lo.

Mark

Os apoios de Lula e Bolsonaro parecem ter o mesmo peso?

Mimi

Aparentemente sim. Vinte e um por cento dos eleitores votariam com certeza no candidato de Lula, e dezoito por cento no de Bolsonaro. Mas dentro de cada grupo, o candidato apoiado tem vantagem clara.

Luke

Importante: 51% dos eleitores dizem que não votariam no candidato de Lula de jeito nenhum, e 58% dizem o mesmo sobre o de Bolsonaro. Esses apoios têm limite.

Mark

E Eduardo Paes, que apoia Santa Cruz, está ajudando ou prejudicando?

Mimi

Prejudicando. Apenas 10% dos eleitores votariam com certeza no nome apoiado por Paes. Ele é o pior cabo eleitoral dos três.

Luke

O que faz sentido: Paes é prefeito da capital, mas a eleição é para governador do estado todo. Seu alcance é limitado.

  • Castro avançou cinco pontos percentuais desde abril, sinalizando que o incumbente ganhou tração enquanto Freixo permanece estável — a corrida está viva e em transformação.
  • A possível entrada de Garotinho no pleito depende de uma decisão do STF sobre provas anuladas, mantendo sua candidatura suspensa entre o jurídico e o político.
  • O apoio de Lula e Bolsonaro move fatias quase idênticas do eleitorado, revelando um estado dividido ao meio e sensível às disputas nacionais.
  • A queda dos eleitores dispostos a anular o voto — de 33% para 22% — indica que o eleitorado fluminense começa a se engajar, ainda que 10% permaneçam indecisos.
  • Alianças seguem em aberto: a chapa de Freixo com César Maia ainda não foi fechada, e PDT e PSD insistem em candidaturas próprias que fragmentam o campo oposicionista.

No estado do Rio de Janeiro, a corrida pelo governo se consolida como um duelo de equilíbrio precário: o governador Cláudio Castro e o deputado Marcelo Freixo dividem o eleitorado em empate técnico, enquanto forças nacionais — representadas por Lula e Bolsonaro — exercem influências de peso semelhante sobre um eleitorado ainda em movimento. A pesquisa Datafolha de julho de 2022 revela não apenas números, mas a geometria de uma sociedade que ainda busca seu centro de gravidade político.

A disputa pelo governo do Rio de Janeiro em outubro de 2022 se mantém como um empate técnico entre o governador Cláudio Castro, com 23% das intenções de voto, e o deputado federal Marcelo Freixo, com 22%, segundo pesquisa Datafolha encomendada pela Folha de S.Paulo e realizada com 1.218 eleitores. A margem de erro de três pontos torna a diferença estatisticamente irrelevante, mas o avanço de cinco pontos de Castro desde abril — enquanto Freixo permanece estável — revela dinâmicas distintas entre os dois líderes.

Os demais candidatos ficam distantes: Rodrigo Neves aparece com 7%, Eduardo Serra com 6% e Cyro Garcia com 5%. Um dado relevante é a queda expressiva dos eleitores que pretendem anular o voto, de 33% em abril para 22% agora, sugerindo maior engajamento do eleitorado, embora 10% ainda não saibam em quem votar.

A pesquisa testou também um cenário com Anthony Garotinho, que aparece com 7%, mas sua candidatura depende de decisão do STF sobre a Operação Chequinho. Com resultado preliminar de 2 a 2 na Segunda Turma, a validação das provas pode acionar a Lei da Ficha Limpa e inviabilizá-lo. Internamente, parte de sua sigla prefere uma aliança com Castro, tornando sua pré-candidatura mais uma peça de pressão do que uma certeza eleitoral.

Os apoios presidenciais têm peso semelhante: 21% dos eleitores votariam com certeza no candidato de Lula — grupo em que Freixo lidera com 36% — e 18% fariam o mesmo pelo candidato de Bolsonaro, parcela em que Castro tem 31%. Eduardo Paes, que apoia Felipe Santa Cruz, é o cabo eleitoral menos influente, com apenas 10% dispostos a seguir sua indicação.

Nas alianças, Freixo avança ao convidar César Maia para vice, movimento apoiado pelo presidente regional do PSB, Rodrigo Maia, mas ainda não formalizado. Castro confirmou Washington Reis como vice e intensifica inaugurações de obras no interior e na Baixada Fluminense para ampliar seu reconhecimento. PDT e PSD seguem sem acordo, mantendo Neves e Santa Cruz como candidatos separados e fragmentando o campo de oposição.

A disputa pelo governo do Rio de Janeiro segue acirrada entre dois nomes que praticamente dividem o eleitorado. Uma pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira mostrou o governador Cláudio Castro com 23% das intenções de voto e o deputado federal Marcelo Freixo com 22%, mantendo um empate técnico que se repete desde abril. A margem de erro de três pontos percentuais torna qualquer diferença entre eles estatisticamente insignificante, mas o movimento dos números revela dinâmicas distintas: Castro avançou cinco pontos desde o levantamento anterior, enquanto Freixo permaneceu estável.

O segundo levantamento do instituto para esta eleição, realizado entre quarta e sexta-feira e encomendado pela Folha de S.Paulo, entrevistou 1.218 eleitores no estado. Os demais candidatos ficam bem atrás. Rodrigo Neves, ex-prefeito de Niterói, aparece com 7%; Eduardo Serra, do PCB, com 6%; e Cyro Garcia, do PSTU, com 5%. O coronel Emir Larangeira, Felipe Santa Cruz e Paulo Ganime registraram 2% cada um. Um dado significativo emergiu sobre o comportamento do eleitorado: apenas 22% declararam pretender anular o voto em outubro, uma queda expressiva em relação aos 33% de três meses atrás. Outros 10% ainda não sabem em quem votar.

A pesquisa também testou um cenário alternativo incluindo Anthony Garotinho, ex-governador filiado à União Brasil. Nele, Garotinho aparece com 7%, atrás de Freixo com 22% e Castro com 21%. Neves, Serra e Garcia perdem um ponto percentual cada um neste cenário. Mas a candidatura de Garotinho depende de uma decisão do Supremo Tribunal Federal. O ministro Ricardo Lewandowski anulou, em março, as provas da Operação Chequinho, na qual o ex-governador foi condenado. O caso está em análise no plenário virtual da Segunda Turma, com resultado preliminar de 2 a 2. Se as provas forem validadas, a Lei da Ficha Limpa deve inviabilizar sua candidatura. Além disso, Garotinho ainda precisa se viabilizar dentro de sua própria sigla, já que parte de seus correligionários defende uma aliança com Castro. Sua pré-candidatura é vista como uma forma de pressionar por mais espaço numa eventual nova gestão.

Os apoios presidenciais têm peso eleitoral semelhante. Freixo ancora sua campanha no apoio do ex-presidente Lula, pré-candidato à Presidência. Segundo o Datafolha, 21% dos entrevistados afirmaram que votariam com certeza no nome apoiado pelo petista, queda em relação aos 26% de abril. Neste grupo, Freixo tem 36% das intenções de voto contra 13% de Castro. Um quarto dos eleitores talvez votaria e 51% não optariam de jeito nenhum no candidato de Lula. Os dois participarão de um evento juntos na próxima quinta-feira na Cinelândia. Castro, por sua vez, tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro, mas evita se associar às bandeiras do aliado e mantém diálogo com políticos da oposição. O peso do apoio bolsonarista está em patamares semelhantes: 18% dos eleitores votariam com certeza no candidato defendido pelo presidente, 22% talvez votariam e 58% não votariam de jeito nenhum. Na parcela que certamente votaria no nome apoiado por Bolsonaro, Castro tem 31% dos votos contra 4% de Freixo.

O prefeito da capital, Eduardo Paes, aparece como o pior cabo eleitoral entre os três. Apenas 10% dos entrevistados declararam que com certeza votariam no nome apoiado por ele, enquanto 30% talvez votariam e 55% não votariam de jeito nenhum. Paes apoia Felipe Santa Cruz. Desde a última pesquisa, Freixo conseguiu avançar sua aliança ao convidar o vereador César Maia para ser vice de sua chapa, movimento defendido publicamente pelo presidente regional do PSB, Rodrigo Maia, embora o acordo ainda não tenha sido fechado. Castro confirmou o ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis como vice e mantém uma agenda intensa de inauguração de obras no interior e na Baixada Fluminense para se tornar mais conhecido. A aliança entre PDT e PSD permanece indefinida pela insistência de ambas as siglas em lançar, respectivamente, Neves e Santa Cruz na disputa pelo cargo de governador.

Os dois continuam em empate técnico, como registrado na pesquisa divulgada em abril
— Datafolha
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