Receptores Starlink militares ucranianos tiveram funcionalidade limitada a 160 km/h, afetando drones e sistemas de orientação críticos para operações de combate. A restrição ocorre em contexto de pressão de Trump para que Kiev cesse ataques a refinarias russas, alegando impacto nos preços de energia e nas eleições americanas.
Casa Branca ordenou limitar satélites Starshield da Ucrânia, dizem fontes
A restrição dificultou missões de ataque contra forças russas
Por que a Casa Branca faria isso? Que objetivo há em limitar um sistema que a Ucrânia usa para se defender?
A pressão sobre os ataques a refinarias russas é real. Trump acredita que esses ataques aumentam os preços da energia, o que prejudica o Partido Republicano nas eleições de novembro. A restrição ao Starshield é uma forma de pressão — mostrar à Ucrânia que há consequências.
Mas ninguém da Casa Branca admitiu isso. Um porta-voz disse que nunca houve "tal solicitação por parte do presidente". Isso deixa em aberto se foi Trump, Kushner, Witkoff ou alguém mais que ordenou.
Verdade. As fontes são anônimas e não especificam quem tomou a decisão. Mas três autoridades — duas americanas e uma ocidental — confirmaram que a ordem veio de dentro da Casa Branca.
E quanto ao impacto militar? Quanto isso prejudica a capacidade da Ucrânia de se defender?
Bastante. Drones que dependem desses receptores para orientação agora só funcionam até 160 quilômetros por hora. Isso afeta operações de ataque contra forças russas e a capacidade de interceptar drones russos do tipo Shahed.
Mas é importante notar que o Ministério da Defesa ucraniano confirmou que os receptores voltaram a funcionar com essa limitação. Não é um corte total — é uma redução de capacidade.
Isso parece estar conectado a um padrão maior de pressão sobre a Ucrânia, não é?
Sim. Há ameaças de cortar inteligência sobre lançamentos de mísseis russos, um acordo de diesel com a Rússia que fornece recursos a Moscou, e agora essa restrição ao Starshield. Tudo acontecendo enquanto Trump e Zelensky trocam críticas públicas.
Mas Trump afirmou na terça-feira que Washington continua compartilhando informações de inteligência. Então a ameaça não se materializou — ainda.
O que vem a seguir? Como a Ucrânia pode responder?
Autoridades ucranianas já buscaram esclarecimentos junto à Casa Branca, Departamento de Estado e Pentágono. Mas sem admissão de quem ordenou, é difícil saber para onde pressionar ou negociar.
Il Polso
- Receptores Starlink militares limitados a 160 km/h de velocidade
- Acordo de diesel: Rússia fornecerá 2,25 milhões de barris aos EUA
- Reunião em Miami em 9 de outubro entre EUA, Ucrânia, Europa e Banco Mundial
- Pentágono é maior cliente do Starshield, gastou bilhões em serviços Starlink
Receptores Starlink militares ucranianos tiveram funcionalidade limitada a 160 km/h, afetando drones e sistemas de orientação críticos para operações de combate. A restrição ocorre em contexto de pressão de Trump para que Kiev cesse ataques a refinarias russas, alegando impacto nos preços de energia e nas eleições americanas.
A Casa Branca ordenou a redução de desempenho do sistema Starshield da SpaceX usado pela Ucrânia em operações militares, prejudicando comunicações e operações com drones no conflito contra a Rússia.
Dentro da última semana, autoridades americanas e ocidentais confirmaram que uma ordem saiu de dentro da Casa Branca para reduzir o desempenho do Starshield, o sistema de satélites militares da SpaceX que a Ucrânia depende para comunicações no campo de batalha e operações com drones contra a Rússia. As fontes que revelaram a informação — duas autoridades dos EUA e uma ocidental — falaram sob anonimato e não identificaram quem na Casa Branca tomou a decisão ou como foi implementada.
O impacto foi imediato e prático. Receptores Starlink de uso militar pararam de funcionar quando instalados em objetos em movimento de alta velocidade, prejudicando drones ucranianos que dependem desses dispositivos para orientação durante operações em território ucraniano. O Ministério da Defesa da Ucrânia confirmou na quinta-feira que os receptores voltaram a funcionar, mas apenas em velocidades de até 160 quilômetros por hora — uma limitação severa para operações aéreas. Autoridades ucranianas relataram que a restrição dificultou missões de ataque contra forças e logística russas em territórios ocupados, além de prejudicar drones interceptadores usados para abater aeronaves russas do tipo Shahed.
O timing da restrição não é coincidência. A medida ocorre enquanto o presidente Donald Trump pressiona Kiev para interromper ataques contra refinarias russas, atribuindo a esses ataques o aumento nos preços da energia — algo que, segundo ele, prejudica as perspectivas do Partido Republicano nas eleições de Meio de Mandato em novembro. Especialistas apontam que o aumento nos custos de energia decorre principalmente do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã, que resultou em ataques iranianos a instalações energéticas e no bloqueio do Estreito de Ormuz. Ainda assim, a administração Trump tem mantido pressão constante sobre a Ucrânia neste ponto.
As relações entre Kiev e Washington se deterioraram rapidamente. Uma reunião em Miami no dia 9 de outubro reuniu representantes dos dois países, Europa e Banco Mundial. Jared Kushner, genro de Trump, e Steve Witkoff, enviado da administração para o Oriente Médio, adotaram tom rígido com a Ucrânia, informando que Washington estava frustrado com os ataques contínuos a refinarias russas apesar dos pedidos repetidos para cessar. A delegação americana também explicou a decisão de firmar um acordo sobre diesel com a Rússia — pelo qual Moscou fornecerá mais de 2,25 milhões de barris aos mercados dos EUA e global — afirmando que a Casa Branca esperava que isso suavizasse a postura russa em relação a negociações de paz. Legisladores americanos argumentaram que a medida fornecerá recursos financeiros a Moscou para continuar a guerra sem forçar Putin a fazer concessões.
Nos dias seguintes, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e Trump trocaram críticas públicas. Zelensky classificou a decisão dos EUA sobre o acordo de diesel russo como "fraca", enquanto Trump defendeu a realização de eleições na Ucrânia e a saída de Zelensky do poder. Nos bastidores, autoridades americanas ameaçaram interromper o fornecimento de informações de inteligência a Kiev sobre lançamentos de mísseis russos — dados que a Ucrânia utiliza para neutralizar ataques. Na terça-feira, Trump afirmou que Washington continuava compartilhando essas informações.
Quando a restrição ao Starshield foi implementada, autoridades ucranianas buscaram esclarecimentos junto a altos funcionários da Casa Branca, Departamento de Estado e Pentágono na terça e quarta-feira. Uma autoridade ucraniana de alto escalão confirmou que Kiev foi informada de que a decisão partiu da Casa Branca. Um representante de alto escalão do governo dos EUA respondeu a perguntas sobre a ordem dizendo: "Nunca houve tal solicitação por parte do presidente". A Casa Branca não respondeu se outros integrantes da administração poderiam ter feito o pedido.
Elon Musk, CEO da SpaceX, afirmou no X que, como os sistemas Starshield são de propriedade e controle do governo dos EUA, quaisquer limitações de velocidade ou uso são determinadas pelos militares americanos ou pelo presidente. A SpaceX não respondeu a pedidos de comentário. O Departamento de Defesa, maior cliente do Starshield, também não respondeu. O Pentágono gastou bilhões de dólares nos serviços Starlink e Starshield, adquirindo satélites Starshield dedicados, incluindo espaçonaves de comunicação para missões de alerta de mísseis e uma constelação de espionagem para o National Reconnaissance Office.
Citazioni salienti
Nunca houve tal solicitação por parte do presidente— Autoridade de alto escalão do governo dos EUA
Como os sistemas Starshield são de propriedade e controle do governo dos EUA, quaisquer limitações de velocidade ou uso são determinadas pelos militares americanos ou pelo presidente— Elon Musk, CEO da SpaceX