Carros elétricos já representam 28,7% das vendas em junho; gasóleo cai para 3,7%

Quase um em cada três carros vendidos já não precisa de gasolina nem de gasóleo
Em junho de 2026, os veículos elétricos puros atingiram 28,7% das vendas em Portugal, marcando uma transformação radical do mercado automóvel.

Portugal atravessa uma transformação silenciosa mas irreversível na forma como os seus cidadãos se movem. No primeiro semestre de 2026, quase três em cada dez carros novos vendidos eram elétricos puros, enquanto o gasóleo — outrora rei incontestado das estradas portuguesas — caiu para uma presença quase simbólica de 3,7% das matrículas. O que era tendência tornou-se mutação estrutural, impulsionada pela regulação europeia, pelos custos crescentes dos combustíveis fósseis e por uma lógica económica que já não favorece o motor a explosão.

  • O mercado automóvel português cresceu 10,4% no primeiro semestre de 2026, com 157 943 veículos novos matriculados — um ritmo que surpreende mesmo os mais otimistas do setor.
  • Em junho, 28,7% dos carros vendidos eram elétricos puros, o que significa que quase um em cada três automóveis que saiu de uma concessionária portuguesa já não depende de combustíveis fósseis.
  • O gasóleo, que dominou o mercado durante décadas, colapsou para 3,7% das novas matrículas — uma queda que há cinco anos seria considerada impossível e que hoje confirma o seu papel residual.
  • As energias alternativas representam agora 74,2% de todas as novas matrículas de ligeiros de passageiros, um salto de quase nove pontos percentuais em apenas 12 meses.
  • A aceleração estende-se além dos carros de passageiros: os veículos pesados dispararam 30% no semestre, sinalizando que a economia portuguesa mantém o seu impulso apesar das pressões externas.

O mercado automóvel português vive um ponto de inflexão. No primeiro semestre de 2026, foram colocados 157 943 veículos novos nas estradas — um crescimento de 10,4% face ao mesmo período do ano anterior. Mas os números brutos escondem a verdadeira história: uma recomposição radical do que os portugueses estão a comprar e, sobretudo, do que já não estão.

Em junho, 28,7% dos carros vendidos eram elétricos puros. Quase um em cada três automóveis novos saiu de uma concessionária sem precisar de gasolina nem de gasóleo. Os dados da ACAP revelam que, no semestre inteiro, as energias alternativas já representam 74,2% de todas as novas matrículas de ligeiros de passageiros — incluindo elétricos puros, que atingiram 25,3%, e uma vasta gama de soluções híbridas.

Do outro lado da balança, o gasóleo entrou em colapso. Representa agora apenas 3,7% das novas matrículas — um número que seria impensável há cinco anos e que hoje confirma a sua queda para um papel quase residual. A gasolina também recua, de 29% para 22,1% das vendas. Em apenas 12 meses, o mercado deslocou-se quase nove pontos percentuais em direção às alternativas.

O contexto ajuda a explicar a viragem: combustíveis fósseis mais caros, regulação europeia mais exigente e uma lógica económica que empurra consumidores e empresas para soluções elétricas e híbridas. O crescimento estende-se ainda aos veículos de mercadorias, que subiram 5,8%, e aos pesados, que dispararam 30%. O que acontecia lentamente há cinco anos está agora a acontecer depressa — e sem sinais de abrandamento.

O mercado automóvel português atravessa um ponto de inflexão. No primeiro semestre de 2026, as concessionárias colocaram 157 943 veículos novos nas estradas — um crescimento de 10,4% comparado ao mesmo período do ano anterior. Mas os números brutos contam apenas metade da história. O que realmente importa é o que mudou debaixo deles: a composição radical das vendas, o motor que move — ou deixa de mover — os carros que os portugueses estão a comprar.

Em junho, o salto foi ainda mais acentuado. Nesse mês isolado, foram matriculadas 30 317 unidades, 15% acima de junho de 2025. Dentro desse volume, uma cifra salta: 28,7% dos carros vendidos eram elétricos puros. Significa que quase um em cada três automóveis novos que saiu de uma concessionária em Portugal no mês passado não precisa de gasolina nem de gasóleo para funcionar. Há poucos anos, isto era ficção. Hoje é realidade de mercado.

Os dados da ACAP (Associação Automóvel de Portugal) revelam uma transformação mais profunda ainda. Os veículos ligeiros de passageiros — o segmento que define o mercado — cresceram 10,5% no semestre, atingindo 137 080 unidades. Mas dentro desse crescimento, as energias alternativas já representam 74,2% de todas as novas matrículas. Isto inclui não apenas os elétricos puros, que atingiram 25,3% no semestre inteiro, mas também os híbridos e outras soluções que dispensam combustíveis fósseis exclusivos. É uma mudança que deixou de ser tendência para ser mutação.

O gasóleo, que reinou durante décadas como o combustível incontestado do mercado português, entrou em colapso. Representa agora apenas 3,7% das novas matrículas no primeiro semestre. Há cinco anos, um número assim seria impensável. Hoje confirma a sua queda para um papel quase residual, uma presença simbólica num mercado que o abandonou. A gasolina também recua, caindo de 29% para 22,1% das vendas.

O contexto explica parte da viragem, mas não a esgota. Os combustíveis fósseis ficaram mais caros. A regulação europeia aperta. Os custos de utilização de um carro a gasóleo ou gasolina subiram significativamente. Consumidores e empresas estão a ser empurrados — pela economia, pela lei, pela lógica — para alternativas elétricas e híbridas. Há um ano, 65,5% dos carros novos já dispensavam soluções exclusivamente fósseis. Hoje são 74,2%. Em apenas 12 meses, quase nove pontos percentuais de mudança estrutural.

O crescimento não se limita aos carros de passageiros. Os veículos de mercadorias subiram 5,8% no semestre. Os pesados dispararam 30%, um sinal de que a economia continua a mover-se apesar das pressões de custos. Mesmo com a concorrência do mercado de usados — que cresceu 5,5% no ano passado, com 860 mil unidades vendidas — o mercado de novos não abranda. Pelo contrário, acelera. O que estava a acontecer lentamente há cinco anos está agora a acontecer depressa. E não há sinais de que vá abrandar.

É uma mudança que já não é tendência, é aceleração e mutação do mercado
— Análise dos dados da ACAP
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Como é que o gasóleo caiu tão depressa? Isto não era o combustível que Portugal preferia?

Model

Era, durante décadas. Mas os preços subiram, a regulação europeia apertou, e os custos de utilização ficaram insuportáveis. As pessoas começaram a contar as contas e perceberam que um carro elétrico fazia mais sentido.

Inventor

E os elétricos? Estão a ficar mais baratos?

Model

Não necessariamente mais baratos no ponto de venda. Mas o custo total de propriedade — combustível, manutenção, impostos — ficou mais favorável. E há incentivos. A mudança é tanto económica como regulatória.

Inventor

Mas 28,7% em junho é muito rápido, não é?

Model

É. Num mês, quase um em cada três carros. Isto deixou de ser uma tendência para ser uma aceleração. O mercado está a mudar de forma estrutural, não é uma flutuação.

Inventor

E o mercado de usados? Não está a competir com isto?

Model

Está a crescer também, 5,5% no ano passado. Mas não está a travar o mercado de novos. Ambos estão a crescer ao mesmo tempo, o que é raro. Sugere que há procura real, não apenas substituição.

Inventor

Isto é permanente ou pode reverter?

Model

Tudo aponta para permanente. A regulação europeia não vai recuar. Os combustíveis fósseis não vão ficar mais baratos. Os custos de utilização não vão descer. A mudança está enraizada em forças estruturais, não em modas.

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