Carlos Bolsonaro evita debates em campanha ao Senado e vincula promessas à vitória do irmão

Com acesso direto ao futuro presidente, Santa Catarina receberá a atenção que merece
Promessa central de Carlos Bolsonaro em sua campanha ao Senado, vinculando sua candidatura à vitória do irmão Flávio.
Mark

Por que um candidato ao Senado evitaria debates? Isso não prejudica sua campanha?

Mimi

Carlos aposta que o sobrenome Bolsonaro e a promessa de acesso ao poder federal são suficientes em Santa Catarina. O estado votou 70% nele em 2022. Debates exigem conhecimento específico dos problemas locais.

Luke

Mas a pesquisa mostra empate técnico. Ele está em 16%, Carol em 17%, Amin em 15%. Dentro da margem de erro. Não está claro se a estratégia está funcionando.

Mark

E por que ele vincula tudo à vitória do irmão Flávio?

Mimi

Porque promete acesso direto ao presidente. Diz que vai resolver infraestrutura, congelar reforma tributária, reduzir impostos. Tudo depende de Flávio vencer.

Luke

Mas Flávio está em que posição nas pesquisas presidenciais? Não temos esse dado. E essas promessas—congelar reforma tributária por um ano—são promessas de Flávio ou de Carlos?

Mark

Qual é o problema real que ele está tentando resolver?

Mimi

Santa Catarina reclama de abandono federal. O governador diz que entrega 100 para Brasília e recebe 10. Há uma queixa real do empresariado sobre falta de canal com o governo.

Luke

Isso é verdade? Ou é retórica bolsonarista? A fonte é uma cientista política comentando a pauta, não dados sobre investimento federal.

Mark

E Carol de Toni, sua companheira de chapa?

Mimi

Ela é a mais votada da bancada federal catarinense em 2022. Tentam usar ela como credencial local. Ela também não foi a todos os debates.

Luke

Interpretado como ação casada. Mas não sabemos se foi coordenado ou coincidência. A matéria diz que foi "interpretado no meio político"—isso é especulação.

Mark

Como ele responde à crítica de ser paraquedista?

Mimi

Publica vídeos cumprimentando pessoas em cidades catarinenses, fez brinde na Oktoberfest, documentou volta de moto. Tenta criar conexão com o lugar.

Luke

Mas nenhum desses gestos responde à crítica de fundo: ele não conhece os problemas do estado. Vídeos de turismo não substituem conhecimento.

Mark

E Esperidião Amin, o outro candidato?

Mimi

Senador em exercício, concorre à reeleição. Declarou voto em Flávio mas começou a atacar Carlos. Usa o slogan "De Santa Catarina, por Santa Catarina".

Luke

Amin está tentando se manter bolsonarista enquanto se diferencia de Carlos. Disse que ouviu falar da "fama de estrupício" de Carlos no Rio. É um ataque pessoal, não sobre política.

  • Carlos Bolsonaro encerra a campanha sem ter participado de um único debate, apostando que o sobrenome e a promessa de acesso ao futuro governo federal valem mais do que o confronto direto com adversários.
  • A ausência nos debates alimenta a crítica mais persistente de seus opositores: que um ex-vereador com sete mandatos no Rio de Janeiro desconhece os problemas reais de Santa Catarina.
  • Esperidião Amin, senador em busca de reeleição, intensificou os ataques na reta final, chamando Carlos de 'estrupício' e usando o slogan 'De Santa Catarina, por Santa Catarina' para marcar a diferença entre o nativo e o forasteiro.
  • A pesquisa Quaest revela um empate técnico triplo — Carol de Toni com 17%, Carlos com 16% e Amin com 15% —, tornando o resultado imprevisível e a disputa uma das mais abertas do país.

Nas últimas semanas de uma disputa acirrada ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro conduz uma campanha construída sobre um nome e uma promessa: o acesso privilegiado ao poder federal que seu irmão Flávio, candidato à presidência, poderia oferecer ao estado. Sem participar de debates, o ex-vereador carioca enfrenta a acusação de desconhecer a terra que pretende representar — tensão antiga entre a força simbólica de uma família política e as exigências concretas do pertencimento.

Carlos Bolsonaro chega ao fim da campanha ao Senado por Santa Catarina sem ter enfrentado adversários em debates ou sabatinas. Sua estratégia repousa sobre dois pilares: o peso do sobrenome Bolsonaro em um estado que deu quase 70% dos votos ao pai no segundo turno de 2022, e a promessa de acesso direto ao governo federal caso o irmão Flávio vença a presidência. Em vídeos e encontros com empresários, Carlos repete que Santa Catarina poderá "entrar na sala do presidente" — uma resposta à queixa recorrente do empresariado local de abandono por Brasília.

A ausência nos debates, interpretada no meio político como movimento coordenado com sua companheira de chapa Carol de Toni, abre espaço para a crítica mais incisiva da oposição: a de que um ex-vereador com sete mandatos consecutivos no Rio de Janeiro seria um "paraquedista" sem raízes catarinenses. Para contornar a imagem, Carlos publicou vídeos em cidades do estado, apareceu na Oktoberfest de Blumenau e percorreu de moto a Serra do Rio do Rastro — gestos simbólicos que seus críticos consideram insuficientes.

Na reta final, o senador Esperidião Amin, candidato à reeleição que já declarou voto em Flávio Bolsonaro, passou a trocar ataques diretos com Carlos. Quando este insinuou que Amin não seria de direita, o senador respondeu com ironia: "Carlos, eu sempre ouvi falar da tua fama de estrupício. Mas como isso era lá do Rio de Janeiro, eu nunca me preocupei". Amin usa o slogan 'De Santa Catarina, por Santa Catarina', sublinhando o contraste entre o nativo e o recém-chegado.

A disputa permanece aberta. Pesquisa Quaest aponta empate técnico triplo entre Carol de Toni (17%), Carlos (16%) e Amin (15%), com margem de erro de três pontos. O resultado dependerá de quanto o eleitorado catarinense valoriza a promessa de influência federal em detrimento da identidade local — uma tensão que define não apenas esta eleição, mas o próprio modelo de campanha que a família Bolsonaro exportou para Santa Catarina.

Carlos Bolsonaro chega aos últimos dias de sua campanha ao Senado por Santa Catarina sem ter participado de um único debate ou sabatina com seus adversários. O ex-vereador do Rio de Janeiro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, construiu sua estratégia eleitoral em torno de dois pilares: a promessa de acesso direto ao poder federal e a reputação da família no estado.

Em vídeos de campanha, Carlos se apresenta como arquiteto da vitória de seu pai em 2018 através das redes sociais e tenta amarrar sua candidatura à do irmão Flávio, que concorre à presidência. "Com acesso direto ao futuro presidente da República, Santa Catarina receberá a atenção que merece", diz em um dos materiais. Ele e sua companheira de chapa, a deputada federal Carol de Toni, prometem poder "entrar na sala do presidente" para defender os interesses catarinenses. A mensagem toca em uma queixa recorrente do empresariado local: a sensação de abandono pelo governo federal.

O governador Jorginho Mello, também do PL e candidato à reeleição, alimenta essa narrativa com seu bordão sobre o pacto federativo desfavorável: "entregamos 100 para Brasília e recebemos 10". Carlos incorporou essa bandeira e a expandiu. Em encontros com pequenos empresários e lojistas, repete promessas do irmão: congelamento da reforma tributária por um ano, redução de impostos e desburocratização. Para resolver gargalos de infraestrutura, apela a uma eventual vitória de Flávio.

Mas a ausência de Carlos em debates e sabatinas alimenta uma crítica que seus adversários exploram: o desconhecimento dos problemas específicos de Santa Catarina. Com sete mandatos consecutivos como vereador no Rio de Janeiro, é chamado de "paraquedista" pela oposição. Carol de Toni, ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, também não compareceu a todos os debates, movimento interpretado no meio político como coordenado. A cientista política Cíntia de Souza, da UFSC, observa que a dupla tentou emplacar a imagem de uma parceria entre um nome com raízes federais e uma liderança catarinense em ascensão—Carol foi a mais votada da bancada federal do estado em 2022.

Para contornar as críticas sobre ser forasteiro, Carlos publicou vídeos cumprimentando moradores de diferentes cidades catarinenses, fez um brinde na Oktoberfest de Blumenau e documentou uma volta de moto pela Serra do Rio do Rastro com suas 284 curvas. Mas sua principal aposta permanece o sobrenome. Exibe vídeos frequentes sobre seu pai e afirma concorrer porque Santa Catarina "defende os mesmos valores que eu". "Santa Catarina é o Brasil que deu certo", repete.

O ex-presidente Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar, condenado por conspiração para impedir o mandato de Lula. Carlos o chama de "preso político", fala em "golpe imaginário" e diz que seu grupo precisa se eleger para "resgatar o que sobrou da democracia". Santa Catarina foi reduto bolsonarista em 2022, com quase 70% dos votos no segundo turno. Outro filho, Jair Renan, tornou-se o vereador mais votado em Balneário Camboriú em 2024 e agora é candidato a deputado federal.

A disputa ao Senado está acirrada. Pesquisa Quaest divulgada na quinta-feira anterior mostra empate técnico triplo: Carol de Toni com 17%, Carlos com 16% e o senador Esperidião Amin com 15% das intenções de voto. Décio Lima, do PT, aparece com 10%. A margem de erro é de três pontos percentuais. Amin, que concorre à reeleição, já declarou voto em Flávio mas começou a trocar ataques com Carlos nesta reta final. Quando Carlos afirmou que Amin não seria do campo da direita, o senador respondeu: "Carlos, eu sempre ouvi falar da tua fama de estrupício. Mas como isso era lá do Rio de Janeiro, eu nunca me preocupei". Amin usa o slogan "De Santa Catarina, por Santa Catarina" e sua coligação se chama "Santa Catarina acima de tudo", marcando distância de um candidato que chegou de fora.

Santa Catarina receberá a atenção que merece com acesso direto ao futuro presidente
— Carlos Bolsonaro, em vídeo de campanha
Carlos, eu sempre ouvi falar da tua fama de estrupício. Mas como isso era lá do Rio de Janeiro, eu nunca me preocupei
— Esperidião Amin, em resposta a Carlos Bolsonaro
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