Candidatos do segundo pelotão focam redutos eleitorais na reta final da campanha

Se fosse pra votar num bandido, eu já tava votando no Lula
Renan Santos descarta apoiar qualquer um dos dois líderes em um eventual segundo turno.
Mark

Por que esses candidatos menores estão voltando para seus redutos agora, na reta final?

Mimi

Porque as pesquisas mostram que Lula e Flávio Bolsonaro estão muito à frente, e há risco real de que eleitores de candidatos menores migrem seus votos para um dos dois, achando que sua escolha original não tem chance. Voltando para casa, eles tentam manter vivos seus eleitores.

Luke

Mas isso funciona? Quer dizer, se o voto útil é um fenômeno tão forte, será que uma carreata em Goiás ou um protesto no Rio realmente segura votos?

Mimi

É uma aposta. Não há garantia. Mas o cálculo é que se você desaparecer da vista, perde de vez. Se você está lá, presente, lembrando as pessoas que existe, talvez segure alguns.

Mark

E quanto a Renan Santos, que foi excluído do debate? Como isso afeta a campanha dele?

Mimi

Afeta bastante. Ele perde a oportunidade de estar no mesmo palco que os outros três candidatos que conseguiram se qualificar. Por isso está organizando um protesto na Globo na mesma hora do debate.

Luke

Mas um protesto é uma estratégia fraca, não é? Quer dizer, ele está fora do debate porque seu partido não tem cinco representantes no Congresso. Isso é um fato legal, não uma injustiça que um protesto resolve.

Mimi

Verdade. Mas para a campanha dele, é uma forma de manter visibilidade e mostrar que está lutando contra o que vê como exclusão.

Mark

Qual desses candidatos tem a melhor chance de segurar seus votos?

Luke

Caiado e Zema têm vantagem porque foram eleitos governadores nos seus estados. Têm estrutura, têm raízes. Cury está em terceiro lugar nas pesquisas, então tem um pouco mais de margem. Renan está em terceiro com 3%, e Zema está em último com 1%. Quanto menor o número, maior o risco.

Mimi

Exatamente. Caiado e Zema têm máquinas estaduais. Cury tem visibilidade nacional. Renan é o mais vulnerável.

  • Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 36% criam uma gravidade que ameaça sugar os votos dos candidatos menores antes mesmo do domingo.
  • Cury, Caiado, Renan e Zema estão todos comprimidos entre 1% e 5%, diferenças tão pequenas que desaparecem dentro da margem de erro.
  • Cada campanha recua para seu reduto — São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais — na tentativa de mostrar força onde ainda há raízes.
  • Renan Santos, excluído do debate da Globo por critério legal, planeja um protesto na porta da emissora enquanto os rivais debatem a 24 quilômetros de distância.
  • O tempo está acabando e a estratégia já não é crescer — é convencer o eleitor fiel de que ainda vale a pena não migrar seu voto para os favoritos.

A uma semana do primeiro turno, quatro candidatos com menos de 5% nas pesquisas recuam para seus territórios de origem — não por derrota, mas por sobrevivência. Quando a polarização estreita o horizonte e o voto útil ameaça engolir escolhas genuínas, retornar às raízes é o único gesto que ainda pode convencer um eleitor a não abandonar sua convicção. É a política em seu momento mais humano: a defesa do pertencimento diante da força dos números.

A uma semana do primeiro turno, os candidatos que não conseguem romper a barreira dos dois dígitos tomaram uma decisão comum: voltar para casa. Com Lula em 40% e Flávio Bolsonaro em 36%, segundo o Datafolha, o espaço para crescimento nacional praticamente desapareceu. Cury, Caiado, Renan e Zema disputam o terceiro lugar entre 5% e 1% — diferenças que cabem dentro da margem de erro. O que os une é o medo do voto útil, o fenômeno que leva eleitores a abandonar candidatos percebidos como perdedores e migrar para os favoritos.

Augusto Cury, terceiro colocado com 5%, concentra os últimos dias em São Paulo, com reuniões no mercado financeiro, entrevistas e uma live voltada ao público jovem. Confirmou presença no debate da Globo na quinta-feira e encerrará a campanha em Colina, sua cidade natal no interior paulista, onde votará no domingo. Ronaldo Caiado, com 4%, cancelou compromissos em São Paulo para retornar a Goiás, estado que o elegeu governador por dois mandatos. Em carreatas e caminhadas por Goiânia, reforça sua imagem de terceira via e critica a polarização que colocou os dois líderes à frente.

Renan Santos, com 3%, percorre o Rio de Janeiro, mas o momento mais simbólico de sua campanha será na quinta-feira: enquanto os rivais debatem nos estúdios da Globo em Jacarepaguá, ele fará um protesto na sede da emissora no Jardim Botânico. Foi excluído do debate porque seu partido não tem representação suficiente no Congresso. Questionado sobre um eventual segundo turno, foi direto ao descartar ambos os líderes. Romeu Zema, com apenas 1%, percorre Minas Gerais e o interior de São Paulo, passando por cidades como Ribeirão Preto, Franca e Araxá — onde nasceu e onde vota.

O que une essas quatro campanhas é a mesma lógica: não há mais espaço para crescimento, só para manutenção. Manter vivos os redutos, manter vivos os eleitores que ainda acreditam, e resistir até domingo contra a força gravitacional do voto útil.

A uma semana do primeiro turno, os candidatos que não conseguem romper a barreira dos dois dígitos nas pesquisas estão fazendo uma aposta clara: voltar para casa. Lula marca 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro 36%, segundo o Datafolha mais recente. Atrás deles, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema disputam o terceiro lugar em um aglomerado de números que variam entre 5% e 1%, diferenças tão pequenas que caem dentro da margem de erro.

O que move essa estratégia é o medo do voto útil — aquele fenômeno onde eleitores de candidatos que parecem perdidos decidem migrar seus votos para um dos favoritos, acreditando que sua escolha original não tem chance. Normalmente esse movimento ganha força no segundo turno, mas as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro estão aceleradas, tentando liquidar a eleição já no domingo 4 de outubro. Os candidatos menores, portanto, precisam manter seus redutos vivos, mostrar força onde têm raízes, convencer seus eleitores de que ainda há razão para acreditar.

Augusto Cury, que ocupa o terceiro lugar desde agosto com 5% das intenções de voto, está concentrando seus últimos dias em São Paulo. O médico psiquiatra nascido em Colina, no interior paulista, tem feito rodadas com representantes do mercado financeiro e entidades de transporte, infraestrutura e tecnologia. Nesta terça ele concede entrevista à RedeTV!, na quarta participa de um podcast e faz uma live nas redes sociais mirando o público jovem. Confirmou presença no debate da Globo na quinta-feira e no sábado viaja para Ribeirão Preto e depois para Colina, onde votará no domingo.

Ronaldo Caiado, que aparece com 4%, desmarcou compromissos em São Paulo para passar os próximos dias em Goiás, o estado que o elegeu governador por dois mandatos consecutivos. Ele está em carreatas e eventos de rua — segunda-feira foi uma caminhada pelo bairro Jardim Guanabara em Goiânia. Nas aparições públicas, Caiado reforça sua imagem de terceira via e critica a polarização que colocou Flávio Bolsonaro e Lula na liderança. Nesta segunda-feira, afirmou que as eleições não são "um jogo de futebol ou de revanche", mas o momento onde as pessoas escolhem o próximo presidente para os próximos quatro anos.

Renan Santos, do partido Missão, com 3% nas pesquisas, está programando agendas no Rio de Janeiro — Duque de Caxias, Petrópolis, Niterói, Rio de Janeiro e Volta Redonda. Mas há um detalhe que marca sua campanha: na quinta-feira, enquanto Lula, Flávio Bolsonaro, Cury e Caiado debatem nos estúdios da Globo em Jacarepaguá, Renan fará um protesto na sede da emissora no Jardim Botânico, a cerca de 24 quilômetros de distância. Ele foi excluído do debate porque seu partido não tem mais de cinco representantes no Congresso Nacional, critério que a legislação estabelece como obrigatório para o convite. A campanha de Renan termina no sábado em um ato no largo da Batata, na zona oeste de São Paulo, reduto do mercado financeiro que é um de seus principais apoiadores. Quando questionado no domingo se apoiaria Lula ou Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, Renan foi direto: descartou ambos. "Porque assim, se fosse pra votar num bandido, eu já tava votando no Lula antes e eu não teria montado o meu próprio partido", disse.

Romeu Zema, do Novo, com apenas 1%, segue agendas no Sudeste. Segunda-feira o encontrou em Caeté, em Minas Gerais, próximo a Belo Horizonte, e concedeu entrevista a uma rádio local. Zema foi eleito governador de Minas Gerais nos últimos dois pleitos. Fora do debate, ele fará uma incursão pelo interior de São Paulo entre quarta e quinta-feira, passando por Americana, Limeira, Araras, Pirassununga, Cravinhos, Ribeirão Preto, Franca e Rifaina antes de retornar a Minas Gerais. Em seu estado natal tem agendas em Sacramento, Tapira e Araxá, a cidade onde nasceu e onde vota.

O que une essas quatro campanhas é a mesma lógica: com o tempo acabando e as pesquisas mostrando uma disputa acirrada entre os dois líderes, não há espaço para crescimento nacional. Só há espaço para manutenção. Manter vivos os redutos, manter vivos os eleitores que ainda acreditam, manter viva a possibilidade de que o voto útil não os devore antes do domingo.

As eleições não são um jogo de futebol ou de revanche, mas o momento onde as pessoas estarão escolhendo o seu próximo presidente nos próximos quatro anos
— Ronaldo Caiado
Se fosse pra votar num bandido, eu já tava votando no Lula antes e eu não teria montado o meu próprio partido
— Renan Santos, sobre apoiar Lula ou Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno
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